Início > Irã > Eleições no Irã

Eleições no Irã


O Anrafael (o qual tive a honra de sua visita aqui), comentou o seguinte lá no Pedro Dória:

Fascinante o que está acontecendo no Irã, mas não é uma disputa entre esquerda e direita (mesmo que em conjunturas bastante específicas alguns discursos possam ser assim classificados). É um confronto entre forças que não negam o status quo islâmico do regime, mas defendem métodos diferentes de governar.

Pelo que chega até nós, um governo de Mousavi seria um ambiente melhor para a esquerda democrática. Ou melhor, pode vir a ser um ambiente melhor; o governo de Ahminejadab (é assim mesmo?), não, e ponto.

Demonstrar simpatia pelo governo iraniano atual pelas declarações estapafúrdias do presidente é pra lá de apressado.

Naquelas declarações há apenas caretas para os EUA e desrespeito a uma verdade histórica que constrange um povo e uma cultura, ainda que linguistas e filólogos neguem que o que foi dito não foi dito ou não era bem assim o que ele queria dizer.

O problema não é as pessoas de direita afirmarem que a esquerda apóia o presidente da teocracia iraniana; o problema é que uma parte da esquerda apóia mesmo.”

Considero que sua análise sobre o que está acontecendo no Irã é certíssima. Concordo com ele. Agora discordo sobre o Lula e seu governo.

A atuação de Lula e seu gabinete nesse episódio não pode ser dissociado de outros. Não é fazer careta para os EUA. Não acho que Lula seja anti-americano (não que alguns em seu gabinete não o sejam). Afinal de contas, ele “é o cara”. Apenas que sua atitude é coerente com o que vem fazendo há algum tempo.

E o nome do jogo é Conselho de Segurança da ONU. Lula tenta vender a muitos países que o Brasil seria um representante deles no CS da ONU. Já que as nações mais ricas ou estão no conselho ou não dão a menor pelota para ele, o Brasil seria o candidato perfeito para ocupar uma cadeira. Vantagens não faltam: é um país politicamente estável, não possui conflitos com nenhum outro país do mundo, é bem visto pela comunidade internacional e etc.

Só que para conquistar a cadeira no CS o governo Lula usou a estratégia de “comprar” apoio de vários países e viu como tática justamente os países periféricos e que eram mal vistos pela comunidade internacional. Para tanto se aproximou de ditaduras africanas, perdoando dívidas, se negando a censurar o regime do Sudão, querendo abrir uma embaixada na Coréia do Norte e se aproximando do Irã.

A intenção do Lula é mostrar a esses países que a única maneira de ter um representante no Conselho de Segurança da ONU é através do Brasil, já que eles mesmos nunca teriam condições de chegar lá.

Não custa lembrar que Roosevelt queria que o Brasil estivesse no Conselho de Segurança da ONU (dada a nossa participação na II Guerra Mundial) desde o íncio. Stalin foi contra pois o Brasil não reconhecia a URSS.

Portanto a fala do Lula sobre as eleições no Irã está perfeita dentro da estratégia traçada.

Porém aparentemente os organismos de defesa dos direitos humanos mundiais sacaram a jogada e estão acusando o Brasil de Lula de usar o Conselho da ONU para os Direitos Humanos como moeda política para conseguir seu objetivo principal que é a cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

No Estadão:

“A diretora da Human Rights Watch em Genebra, Julie de Rivero, criticou o Brasil por colocar o princípio da não-ingerência em assuntos domésticos antes dos direitos humanos.

“Um dos limites à soberania são justamente as violações de direitos humanos”, afirmou à BBC Brasil. “O Brasil alega solidariedade, mas essa solidariedade acaba sendo com governos que cometem abusos contra os direitos humanos, e não com as vítimas desses abusos.”

Mais incisivo é o texto que a ONG brasileira Conectas preparou para ser distribuído também na segunda-feira. Nele, a organização sugere que o Brasil usa equivocadamente o Conselho como um órgão para “redefinir a geopolítica mundial”.

 

Sem entender isso, ficará difícil entender porque Lula insiste em defender toda ditadura mundial.

Anúncios
Categorias:Irã Tags:,
  1. junho 16, 2009 às 11:24 pm

    Pablo,

    Não é todo dia que eu concordo com você quando o assunto é política interna ou externa (sobre outros temas temos vários pontos em comum).

    Mas não dá para discordar desta vez. Até por você ter acolhido um comentário pra lá de sensato do Anrafel (aliás, ele ser sensato é redundância…).

    Não sou anti-Lula, mas esse tipo de declaração e de tática (tanto em assuntos internos quanto externos) me dói no ouvido.

    Abraços.

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: