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Cotas universitárias: uma questão de visão

agosto 28, 2009 2 comentários

Tentarei abordar o assunto partindo de uma visão diferente. Ao invés de usar argumentos anti-cotas ou pró-cotas, elencarei motivos pelos quais acredito que seja a dificuldade do debate entre esses dois grupos.

Para tanto, utilizarei como base uma resenha lida sobre o livro de Thomas Sowell, um baluarte do conservadorismo americano, escrita no New York Times, chamado de “Um Conflito de Visões”

Não por acaso a palavra visão apareceu na primeira linha do texto. Ela será o elemento fundamental do raciocínio. O Sr. Sowell afirma que todos nós possuímos uma visão que não é dependente necessariamente de validação ou lógica empírica. A visão existe antes mesmo que a lógica comece. É um “sentimento de causa”, é um grande palpite ou “sexto sentido” nos quais teorias sociais e ideais políticos são criados. E com são pré-racionais e não articuladas são extremamente difíceis de serem desalojadas.

Para o autor, existem dois tipos de visões: as confinadas e as não confinadas. Logicamente essas visões básicas são opostas. A confinada trata do homem como um indivíduo irremediavelmente falho. O máximo que esse indivíduo consegue é prosperidade frágil e uma paz incerta, isso seguindo a sabedoria coletiva da sociedade e da tradição (que o autor chama de conhecimento sistêmico), melhor do que conseguiria procurando o paraíso na Terra.

A visão não confinada rejeita a idéia de limites no homem. Com vontade e razão pode conseguir resolver todos os problemas sociais. Como podemos supor, os movimentos pró-cotas baseiam-se em uma visão não confinada.

O conflito entre as duas visões se aproxima daquele característico entre direita e esquerda. Para Sowell os campeões da visão confinada são os intelectuais conservadores – Adam Smith, Thomas Hobbes, Alexander Hamilton, Edmund Burke, Oliver Holmes, Friedrich Haeyk, Milton Friedman. A melhor expressão dessa visão, de acordo com o Sr. Sowell é de Adam Smith: “a paz e a ordem da sociedade são mais importantes até que a ajuda aos miseráveis”.

Os tipos não confinados – William Goodwin, Rousseau, Marquis de Condorcet, Thomas Paine, Thorstein Veblen, George Bernard Shaw, Laurence Tribe, John Kenneth Galbraith – ficariam ao lado dos miseráveis em detrimento inclusive da paz.

A visão não confinada busca sinceramente a melhora social, enquanto a visão confinada baseia-se na missão de cada indivíduo. Homens de negócios possuem a missão de proteger os interesses dos acionistas, não a melhora da sociedade, de acordo com a visão confinada. Assim como o professor que prefere promover o intelecto de seus alunos e não guiá-los a uma ideologia ou conclusões específicas que ele imagina ser sinceramente o melhor para a sociedade.

Dessa mesma maneira, jornalismo militante e a teoria da libertação não são bem vistas por pessoas com a visão confinada, pois são consideradas uma utilização errada das atividades confiadas.

Igualdade é buscada nas duas visões, porém de maneira diferente. Igualdade de resultado é favorecida na visão não confinada, enquanto igualdade no processo é buscada na visão confinada. Aí reside basicamente a diferença daqueles que apóiam as cotas dos que não apóiam as cotas.

Os homens, ou ao menos uma elite, é capaz de repartir igualmente os benefícios sociais para todos para a visão não confinada. A visão confinada até concorda, mas acha que as coisas tendem a piorar se tentar. A visão não confinada diz que os homens, somente com a razão, podem fazer um mundo melhor. A visão confinada diz que os homens não possuem conhecimento para tanto.

Podemos dizer que a dificuldade do debate (pró-cotas x contra-cotas), baseia-se basicamente, nos estilos diferentes de visão e até mesmo a utilização da razão. Não é incomum encontrar debatedores pró-cotas concordando com todos os argumentos utilizados por debatedores contra-cotas, porém sem mudarem sua opinião. É comum, também, encontrar debatedores contra-cotas que não conseguem entender os argumentos, que na maioria das vezes não são baseados na razão e sim na visão pré-racional e sentimental, dos debatedores pró-cotas.

Reconheço que possuo uma visão confinada do ser humano. Reconheço também, minha dificuldade em compreender argumentos e atitudes de pessoas pró-cotas. Tenho dificuldade de entender como alguém pode defender uma medida que mesmo, pelo menos a grande maioria, os pró-cotas definem como ineficaz e ineficiente para resolver o problema principal que é a distância entre negros e brancos.

Da mesma forma, vejo que há uma dificuldade enorme para os pró-cotas compreenderem argumentos como que diz que cotas impostas pelo Estado são medidas racistas e dividem desnecessariamente a visão do Estado sobre os indivíduos.

Talvez ninguém esteja certo, talvez todos estejam certos. Provavelmente esse assunto será decidido pela visão de mundo dos magistrados do STF. Mas a compreensão dessas visões ajuda para tentar ao menos entender que mesmo quem não concorda sua visão não o faz por maldade, racismo ou por simples vingança racial. O faz por possuir, sinceramente, uma visão diferente da sua.

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Causas Sociais da Criminalidade

agosto 27, 2009 3 comentários

O crime tem causas sociais? Claro que sim. O ser humano é um ser social. Comprar um sorvete na esquina é um ato social. Se a intenção do Col. Milton foi dizer os sociólogos brasileiros, treinados em uma faculdade extremamente marxista (desculpem colocar isso no assunto, mas qualquer um que já tenha ido a uma faculdade de sociologia no Brasil sabe muito bem do que estou falando) onde absolutamente tudo entra no contexto de “luta-de-classes”, ele está certo em afirmar que estão errados.

 A alta criminalidade no Brasil é básica. Possui dois fundamentos clássicos: falta de oportunidades e impunidade. Esses são os dois fatores principais. E são justamente os dois fatores que passam longe da política de Estado.

 Assim como todos são capazes de matar, todos são capazes de cometer um crime. Logicamente isso não quer dizer que vamos cometê-lo. A decisão é única e exclusivamente individual. Então o que leva alguém a cometer um crime ou não. Diversos fatores. Honestidade, educação, medo das conseqüências podem ser um deles. Mas em minha opinião os dois principais fatores que levam a alguém a cometer um crime são a falta de oportunidade e a impunidade.

 Os sociólogos até acertam na primeira opção. Porém seu treinamento em “luta-de-classes” os fazem enxergar de maneira míope. Não é difícil encontrar algum sociólogo dizendo que “a raiz da violência é a diferença que separam ricos e pobres, ou seja, a desigualdade social”. Desigualdade social não é causa. É efeito. Efeito de um país ou um Estado que falha miseravelmente na sua missão Constitucional e perde mais tempo discutindo como vender gasolina do que como oferecer uma Educação de qualidade. Por isso é tão interessante ao Estado promover essa visão equivocada e mofada de mundo. O Presidente Lula não perde nenhuma oportunidade de fazer isso. Mas ele não é o único. Com isso o Estado se mantém ao largo do problema. Ora, se o problema é social, é da desigualdade, não é culpa do Estado e sim dos “malvados ricos” que não querem ver pobres andando de avião. Por isso o investimento de bilhões de reais em programas que não resolvem o problema. Dá trabalho promover educação de qualidade, saúde pública de qualidade, segurança pública de qualidade. Enquanto o Estado continuar desviado de sua missão Constitucional faltará oportunidade o que continuará empurrando mais pessoas para criminalidade.

 A outra faceta é a impunidade. Esse é o maior veneno de qualquer tentativa de justiça em qualquer país. Gosto de utilizar dados sobre a criminalidade americana. Não porqueque eu seja um grande fã do país do norte (e sou mesmo), mas pela simples facilidade de acesso a esses dados. Os EUA passaram após a década de 60 por um aumento enorme na criminalidade. Os índices (por cem mil habitantes) para crimes violentos passaram de 160,9 em 1960 para 758,1 em 1991. O índice para assassinatos passaram de 5,1 em 1960 para 9,8 em 1991. A justiça americana entendeu que devido ao “relaxamento” das penas que aconteceu durante a década de 60 com a adoção de penas alternativas, tolerância a crimes menores e outros, o caráter punitivo da justiça estava perdendo seu peso no processo de decisão de cometer um crime ou não. Ou seja, a impunidade ou a baixa relação crime x castigo, estava tornando o crime como uma via de baixo risco.

Não deixa de ser engraçado colocar essa relação (crime x castigo), pois há pessoas no Brasil que simplesmente não consideram que a prisão seja um castigo, ou seja, acham que prisões devem servir para reabilitar alguém e não para punir. Mas voltando ao caso americano, os planejadores decidiram mudar de estratégia e programas mais duros começaram a ser criados como a “Three Strike Law” e os programas de tolerância zero. Penas mais longas também começaram a ser proferidas. O caso de Nova Iorque é clássico e bem conhecido. E enquanto todos os analistas achavam que a década de 90 seria a mais violenta da história americana, os resultados apareceram e os índices de crimes violentos baixaram a 473,5 equiparado ao índice de 1977 e de assassinato baixou para 5,7 que é um dos mais baixos da história americana.

 O que falta no Brasil são políticas públicas realistas, que se utilize de dados reais e sem levar em conta utopias que acham que podem modificar o ser humano através de uma caneta.

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A comédia política brasileira

Primeiro ato:

– O PT, seguindo sua política de aparelhamento, inunda a Receita Federal com gente de sua “confiança”. Alguns dizem que era para “destucanizar” a instituição.

– Logicamente o PSDB, mais conhecido como “oposição” chiou. Mas como a galera que entrou estava fazendo o trabalho direito (ufa!) o assunto meio que sumiu.

Segundo ato:

– O problema começou pois a galera que entrou estava fazendo o trabalho bem demais. Bateram na Petrobrás. Aí fedeu…

– O Governo Federal entrou de sola. Quem era bonito, ficou feio. E para a oposição, quem era feio ficou bonito.

Teceiro ato:

ZZZzzzZZzzzzz

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Volta ao passado…

Decidi reeditar alguns posts antigos de um blog mais antigo ainda que possuia. São posts que eu particularmente gosto bastante.

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Porque o PT não deve ficar com a Presidência

Artigo publicado pela Miriam Leitão, o tema já havia sido discutido no fórum liberal que participo. As conclusões são as mesmas.

Quarta-feira, Agosto 26, 2009

MÍRIAM LEITÃO

O desmonte

 O GLOBO – 26/08/09
A rebelião na Receita Federal não é um fato isolado.

A carta dos demissionários toca na ferida que será a marca da atual administração: a confusão entre o Estado e o governo. Isso nunca havia ocorrido na Receita. Nunca havia acontecido no Ipea, no BNDES, no Itamaraty. É um tempo em que há perseguição política e quebra de regras de ouro, como a de que os funcionários servem ao país, os governos passam.

Esta semana o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou mais um dos seus “Comunicados da Presidência”, que o órgão inventou na atual gestão. O texto comete um erro crasso na opinião dos economistas José Roberto Afonso e Samuel Pessoa, que analisaram o estudo. O documento sustenta que a produtividade do setor público cresceu mais do que a do setor privado, mas compara alhos e bugalhos. É muito diferente o cálculo da produtividade do setor privado, que tem o que contabilizar como produção, e o mesmo cálculo do setor público.

Afonso e Pessoa explicam que o conceito de valor agregado usado pelas Contas Nacionais do IBGE, seguindo padrões internacionais, estabelece que a produção no setor público é calculada pelo aumento dos salários e das despesas. A metodologia não permite a comparação com o setor privado. E dão um exemplo: se uma empresa contrata empregados e os deixa em casa dormindo, perde produtividade; se o setor público fizer isso, a produtividade não cai. O estudo da presidência do Ipea tem conclusões esquisitas como a de que a produtividade de Roraima, por exemplo, aumentou 136%; a de São Paulo, 0,7%; e a do Espírito Santo caiu 7,4%. Os estados que fizeram choque de eficiência e gestão não tiveram ganhos de produtividade.

Ou até perderam.

O estudo feito de encomenda para justificar o crescimento dos gastos de pessoal e de custeio, e para sustentar o discurso estatista é um exemplo, mais um, do que foi feito no Ipea.

No começo, uma caça às bruxas, depois um concurso público viciado e dirigido, e por fim, o uso da marca Ipea para apresentar estudos de critérios técnicos duvidosos e endereço certo.

Porque a Marina Silva é uma piada?

Quem é Marina Silva? Provavelmente poucas pessoas conhecem a ex-ministra. Ela possuía 30 anos de militância no PT. Isso já é um mau sinal. Quer dizer que vem desde o PT que queria parar de pagar ao FMI, o PT que foi contra a Responsabilidade Fiscal, que foi contra o Plano Real.

Notabilizou-se por uma atuação energética (ó crueldade) no Ministério do Meio Ambiente. E….? Que mais? O que conhecemos de resto da Marina Silva. Nada. Usar argumentos como “combativa”, “mulher”, “negra”, só demonstra para mim que ela não passa de uma piada.

O problema real é que para ser presidente do país precisa-se de muito pouco. Currículos são inventados da noite para o dia, mitos são criados.  Tal qual o mito de capacidade administrativa de dona Mentira Roussef.

Na verdade não me espanto com o fato da Marina Silva ser candidata. Até porque é um direito dela. Espanta-me o fato de estarem elevando essa candidatura a uma importância que não possui.  Como se ela fosse o Al Gore brasileiro. A diferença é que Al Gore é bem mais esperto que ela.

Marina Silva: uma piada de mau gosto

agosto 20, 2009 1 comentário

Só podem estar de brincadeira. Levar a sério a candidatura da Marina Silva para presidente só pode ser piada. Apesar de que no Brasil várias dessas piadas encontram eco em todos os lugares.

Engraçado é que petistas só falam sobre a atuação do PV, de sua aliança com o PSDB e o DEM. Acho que o Brasil não produz óleo de peroba suficiente para passar na cara dessas pessoas. Só o Mercadante acabaria com o estoque de um ano inteiro.

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