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O dogma dos nossos tempos – Por Frank Chodorov (Parte 1)


O que a história pensará de nossos tempos só a história pode revelar.
Porém, é um bom palpite acreditar que o coletivismo será destacado
como a característica definidora do século XX. Mesmo um rápido
levantamento do tipo de pensamento desenvolvido nos últimos cinqüenta
anos mostra a preponderância de uma idéia central: de que a sociedade
é uma entidade transcendental, algo independente e maior que a soma
de suas partes, e que possui natureza e capacidades sobre-humanas.
Esta sociedade opera em um campo próprio, ética e filosoficamente, e
é guiada por princípios desconhecidos dos mortais. Assim, o
indivíduo, a unidade da sociedade, por suas limitações, não pode
julgá-la ou aplicar-lhe os mesmos critérios por que julga seu próprio
pensamento e comportamento. Ele é obviamente necessário à sociedade,
mas apenas como uma parte substituível dessa grande máquina. Assim, a
sociedade pode até ter um interesse paternal pelos indivíduos, mas
não depende deles absolutamente.

De certa forma, essa idéia tem se insinuado por quase todos os campos
do conhecimento e, como costuma acontecer com as idéias, já foi
institucionalizada. Talvez o exemplo mais visível esteja na
orientação moderna da filosofia da educação. Muitos profissionais
desta área dizem abertamente que o principal objetivo da educação não
é, como se acreditava no passado, o desenvolvimento da capacidade do
indivíduo de aprender, mas prepará-lo para ocupar uma posição
produtiva e “feliz” na sociedade. Ele deve distanciar-se de suas
inclinações para se adequar aos costumes de sua faixa etária e,
posteriormente, ao meio social no qual irá viver. Ele não é um fim em
si mesmo.

A jurisprudência também tem se aproximado desta mesma idéia,
apontando, cada vez mais, que o comportamento humano é menos fruto da
responsabilidade pessoal do que reflexo das forças sociais que atuam
sobre o indivíduo; a tendência é colocar na sociedade a culpa dos
crimes cometidos por seus membros. Esse é um dos princípios da
sociologia, cuja popularidade crescente e elevação ao estatuto de
ciência são um testemunho da influência do coletivismo em nossa
época. O cientista não é mais visto como um corajoso desbravador do
desconhecido em busca dos princípios da natureza, mas como um servo
da sociedade, à qual deve seu treinamento e sustento. Heróis e atos
heróicos têm sido rebaixados a acontecimentos acidentais do
pensamento e movimento das massas. A pessoa de capacidade superior,
o “capitão de indústria” empreendedor, o gênio inato não passam,
todos, de ficções; não somos nada além de robôs fabricados pela
sociedade. A economia é o estudo de como a sociedade se sustenta com
suas próprias técnicas e normas, e não sobre como indivíduos vivem em
busca da felicidade. A filosofia, ou o que quer que passe por ela,
fez da verdade mesma um atributo da sociedade.

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