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¿Qué passa, Venezuela?


 A situação na Venezuela degenera-se a cada dia. Vou tentar abster-me às óbvias inclinações ditatoriais de Hugo Chávez e seu bolivarianismo e ater-me às causas econômicas da crise em um primeiro momento. Bom, se isso for possível pois há óbvias ligações entre a ditadura de feitio socialista na Venezuela e seu estado econômico atual. 

Pouco tempo depois de assumir o poder na Venezuela, Hugo Chávez iniciou sua marcha ao “Socialismo do século XXI”, o que não passou de medidas antiliberais, antimercado, centralizadoras e de confrontação ao capitalismo. Apesar de na sua campanha presidencial Chávez ter se comportado como um respeitador das leis econômicas, logo após assumir a presidência ele impôs sua agenda socializante.

Uma das primeiras medidas foi dissolver o Congresso, convocar uma Assembleia Constituinte e abolir o Senado (essas medidas são defendidas por alguns grupos de esquerda no Brasil, inclusive grupos dentro do PT e não é mera coincidência). A nova carta ampliou os poderes do mandatário para intervir em quase tudo. Chávez convocou uma nova eleição e apesar de inúmeras evidências de fraudes, foi “eleito” com 55% dos votos. Embasado pela “Ley Habilitante”, ele promulgou 49 decretos em um ano, sem necessitar da aprovação da Assembleia Nacional.

Um desses decretos era a Lei de Hidrocarbonetos, que fixava a participação estatal no setor petrolífero em 51% e a Lei de Terras e Desenvolvimento Agrário, prevendo a expropriação de latifúndios. Após uma greve geral em que houve dezenas de mortos em confronto com a polícia e partidários de Chávez, ele substitui a diretoria da PDVSA a empresa estatal de petróleo responsável por grande parte do orçamento da Venezuela.

As consequências de tais atos não tardam a aparecer: primeiramente empresas internacionais que tiveram bens nacionalizados decidem não mais investir na indústria petrolífera venezuelana e os diretores impostos por Chávez por conta de sua amizade não conseguem manter o padrão de produção da empresa. Pouco a pouco a quantidade de barris produzidos pela PDVSA começa a cair.

Em 2005 a oposição desiste de participar das eleições por conta das fraudes ocorridas e porque Chávez modificou as leis eleitorais e colocou juízes tanto no Supremo quanto no departamento eleitoral que são seus seguidores. Foi o maior erro da oposição. Logicamente, Jimmy Carter foi convocado para “referendar” as eleições. Aliás, essa é a especialidade de Jimmy Carter: referendar as eleições fraudadas de toda a esquerda latino americana.

Porém era época de vacas gordas, o preço do barril de petróleo batia recorde atrás de recorde. O dinheiro do ouro negro inunda os cofres venezuelanos e muitos acreditavam que esse ingresso de divisas iria causar a “doença holandesa” quem em pormenores diz que quando há um enorme ingresso de dinheiro no caixa de países isso pode causar a desindustrialização do mesmo. Muito se debate nos meios acadêmicos se algo assim acontece no Brasil ou se poderia acontecer no caso do pré-sal ser aquilo tudo mesmo que o governo vende aos brasileiros (sem a menor prova ou evidência se sequer será economicamente viável extrair petróleo no pré-sal).

No caso da Venezuela, que já caminhava a passos largos para uma ditadura militar, a “doença holandesa” encontrou um ambiente bem favorável: uma protoditadura com poderes extraordinários sobre a economia e propriedades privadas. Chávez aproveitou o dinheiro para expandir sua “revolução” para outros países, influenciando eleições na Bolívia, Equador, Guatemala e em outros países nem sempre com o mesmo sucesso. Gastou muito dinheiro fazendo isso, conquistando aliados comprados e inimigos ferrenhos.

Porém um dia a festa acabou. Devido à crise a cotação do petróleo despencou e o ingresso de divisas diminui bastante. Aqui a coisa se torna um pouco mais economês. Chávez para manter sua revolução realizava enormes gastos. Enquanto esses eram custeados pelo ingresso de dólares oriundos do petróleo ele conseguia manter certo equilíbrio mesmo que os sinais de que alguma coisa estava errada já estivessem acontecendo. E o primeiro sinal é a diferença entre a cotação do dólar no câmbio oficial e a cotação do dólar no paralelo. Para aqueles que não entendem como o mercado funciona esses sinais nunca serão entendidos.

Com uma inflação na faixa de 30% por conta dos gastos governamentais, as receitas devem crescer na mesma taxa da inflação ou até mesmo mais. Enquanto o preço do petróleo crescia mais ou menos nessa taxa estava tudo bem. Mas como os preços se estabilizaram uma maxidesvalorização foi necessária. Mas antes disso, em sua política populista, Chávez já havia tabelado preços de vários produtos, expropriado fazendas produtivas, empresas produtivas, cortado zeros em sua moeda.

Nós brasileiros já havíamos visto esse filme antes e sabemos o resultado: escassez de produtos, inflação, mercado negro, filas, dependência de importação e etc. Chávez também nacionalizou bancos privados, inclusive de apoiadores seus os chamados de “boligurguesia” que são aqueles que enriqueceram enormemente e rapidamente com o governo Chávez. Porém o motivo é bem diferente: Chávez nacionalizou os bancos para que suas operações ilegais não acabassem expostas quando da quebra desses bancos. Ele salvou sua própria pele. Com a maxidesvalorização da moeda, Chávez tenta manter seu poder de compra.

Se não me engano foi Dilma Rousseff, aquela que recentemente afirmou que ainda não era candidata à presidência apesar de já estar em campanha há pelo menos dois anos, que disse “Gasto (público) corrente é vida”. Chávez também entende assim. Então a maxidesvalorização tem como principal componente a possibilidade do príncipe em manter seus gastos e salvar sua “revolução” o fato que esse ano haverá eleições na Venezuela é um forte indicativo. E a inflação? Bom, às favas. Essa deve aumentar mais ainda, sacrificando ainda mais o povo venezuelano.

Fica claro que a Venezuela usava duas formas para se financiar: imposto inflacionário e divisas internacionais. A segunda acabou quando o preço do barril estabilizou. Sobrou a primeira. Não sei por que as palavras Zimbabue e Mugabe retumbam na minha cabeça… Quem gostava muito de maxidesvalorizações era Delfin Netto. O grande guru da economia do governo mais popular do Brasil nos últimos 5 bilhões de anos. Coincidência? O que poderemos esperar da economia venezuelana? Inflação. Mais escassez de produtos visto que quase 80% do consumo venezuelano é oriundo de importações e como o governo controla o câmbio, inclusive colocando cotações diferenciadas e mesmo assim abaixo do valor do mercado paralelo, podemos prever um futuro muito difícil para a Venezuela.

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  1. Chesterton
    janeiro 27, 2010 às 12:58 pm

    você não se engana não , foi a Dilma que disse “gasto corrente é vida”. Muito bom o blog.

  2. janeiro 27, 2010 às 7:47 pm

    Existe também uma Boliburguesia brasileira, essa nova classe, sobretudo de de dirigentes sindicais que enriqueceram no governo Lula e estão fascinados pela Corte em Brasília. Por isso esse pessoal vai jogar tudo – o possível e o impossível, o moral e o imoral — para permanecer no poder com Dilma presidente. Muito embora, Serra e Dilma estejam no mesmo lado ideológico de centro esquerda, o Serra, pelo menos, não tem o ranço bolivariano, essa parece ser sua grande virtude.

    • vilarnovo
      janeiro 28, 2010 às 11:06 am

      É verdade. E talvez seja sua única virtude…

  3. marcos moraes
    janeiro 27, 2010 às 7:57 pm

    Já sei porque vc escreve tão pouco; é porque gasta seu tempo discutindo com os loucos do blog do sem nome e com os às vezes loucos do NPTO.

    Muito bom esse.

    MAM

    • vilarnovo
      janeiro 28, 2010 às 11:34 am

      Não é questão de gastar tempo 🙂
      É que gosto de escrever mais sobre assuntos que eu entendo e que pesquiso bastante. Mas gosto muito de todos esses blogs que eu frequento.

  4. Pax
    janeiro 29, 2010 às 11:14 am

    Ia bem até aqui: “Se não me engano foi Dilma…”

    Aí, se perdeu, na minha opinião. Mas como a maior parte está acima deste ponto, gostei bastante de ler.

    • vilarnovo
      janeiro 29, 2010 às 12:18 pm

      Tá bom Pax, prometo que da próxima vez não exponho as falhas dela… mas juro que não tive intenção de igualar Dilma e Chávez no campo autoritário mas sim no econômico. Ambos acreditam no Estado como grande indutor da economia através de gastos público.

      • Pax
        janeiro 29, 2010 às 12:33 pm

        Não tenho nada a dizer sobre apontar falhas ou não de quem quer que seja. E jamais me intrometeria na opinião e muito menos na linha editorial.

        Só questionei a mistura dos assuntos.

      • vilarnovo
        janeiro 29, 2010 às 1:33 pm

        Tava brincando… rs

  1. janeiro 27, 2010 às 11:30 pm

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