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Obama não entendeu o recado


Consegui assistir ontem o discurso de Obama no Congresso americano. Uma palavra: lamentável. Obama fez um algo de histórico: atacou o senado e atacou a suprema corte de uma maneira que só Roosevelt fez em 1937. E pior errou grosseiramente no ataque. Pior ainda? Errou em uma matéria em que ele deveria, supostamente, dominar que é o direito constitucional. Um dos membros da Suprema Corte deixou escapar um silencioso sonoro “not true” enquanto Obama realizava seus ataques equivocados. Foi patético.

O discurso de Obama foi recheado de retóricas, acusações, promessas às quais nós latino americanos estamos acostumados. Para ver o nível de desespero de Obama após a derrota em Massachusetts, ele prometeu de uma tacada só dobrar a quantidade de produtos exportados pelos EUA, criar dois milhões de empregos e bancar com recursos federais os estudos de terceiro grau dos americanos. Tudo isso em cinco anos e congelando os gastos públicos durante três desses cinco anos. Bom, se ele conseguir isso ele receberá o cargo de Mágico de Oz na próxima refilmagem.

Depois falou sobre a “crença majoritária sobre o aquecimento global” algo que em virtude dos escândalos ocorridos notadamente o Climategate – que está sendo investigado até pelo Congresso Americano – está, no mínimo, fora de moda. Endossou também o cap-and-trade, o comércio de créditos de carbono que no fundo é o real motivo de tanta fraude sobre o clima.

Uma das coisas que mais me impressionou foi a arrogância de Obama. Ele comentou diversas vezes que o povo americano estava chateado com ele. As pesquisas de opinião demonstram isso. É fato. Mas para Obama o povo americano está chateado com ele, pois ele não conseguiu impor suas “mudanças” da maneira que ele quer, ele falou claramente que o povo talvez esteja achando que ele não será a pessoa que será capaz de realizar as mudanças.

Santo Rei na Barriga! Será que ele não percebeu que a derrota para os republicanos na eleição para o senado significa totalmente o oposto? Será que ele não percebeu que o movimento “tea party” cresce a cada dia? Será que Obama foi tirado de tal forma da realidade por seus marqueteiros, pela mídia que o endeusa e pelos escolásticos e supostos intelectuais americanos que ele não consegue compreender o momento?

Obama atacou diversas vezes os republicanos por conta de não conseguir aprovar sua agenda. Ora bolas, se Obama não consegue aprovar seus projetos isso se deve única e exclusivamente ao seu próprio partido. Os democratas possuíam a super-maioria no Senado não necessitando dos votos dos republicanos para aprovar os projetos. E porque ele tem dificuldade? Pois há muitos democratas, que são eleitos por votos dos independentes, que estão apavorados, pois podem perder suas cadeiras na eleição que se aproxima.

Outro, digamos, erro (vamos ser gentis) de Obama foi dizer que na administração dele os lobistas foram banidos. Falta ele avisar aos mais de 30 que estão na equipe dele. Obama também disse que vai bater mais que Chuck Norris nos bancos bobos, feios e maus. Falta ele avisar que um ex-lobista da Goldman Sachs, um daqueles bancos bobos, feios e maus que causaram a crise trabalha para ele.

Obama está em uma séria enrascada. Se não mudar sua atitude arrogante terá uma derrota bem severa nas eleições desse ano. Não acredito que os democratas percam a maioria, mas que os republicanos vão avançar bastante para mim não há dúvidas. Só nos cabe esperar os próximos acontecimentos.

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  1. Pax
    janeiro 29, 2010 às 3:06 pm

    Sugestões de leitura:

    O Dilema de Obama
    http://www.galanto.com.br/monicablog/?p=1010

    A Guerra de Obama e as Perspectivas do Crédito
    http://www.galanto.com.br/galantoblog/?p=248

  2. vilarnovo
    janeiro 29, 2010 às 4:24 pm

    Essa reportagem do El País também está muito boa. Principalmente essa parte:

    Em uma América profunda e majoritariamente individualista, Obama é considerado um esquerdista que saiu do armário. Charles Krauthammer escreve no “Washington Post” que a vitória de Obama foi um referendo sobre seu antecessor e o colapso financeiro posterior à quebra do Lehman Brothers, e “não uma aprovação da social-democracia à europeia”.

    http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2010/01/26/ult581u3782.jhtm

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