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Batendo na mesma tecla (quebrada)


Ao analisar alguns blogs de esquerda do PT e da esquerda do PSDB percebe-se a total incapacidade destes de sair do lugar comum das propostas para o país. É um tal de subsídios pra cá, incentivos direcionados pra lá seguindo o bom e velho mercantilismo ao eleger “setores estratégicos” para serem os vencedores. Trade-off, custo de oportunidade são coisas que fogem do conhecimento básico. A profundidade dos debates é mais rasa do que a espessura de um fio de fibra óptica.

Ao que parece, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada no mundo e estamos bem pacas. Ledo engano. O Brasil está mal e pelo visto continuará mal. A noção de governo e Estado dessas pessoas não alcança mais que as próximas eleições. O debate então gira em torno de pobrismo com desenvolvimentismo de estado.

Procure encontrar alguma coisa com reformas fiscais, ou política e ficará a ver navios. E porque eu acho que o Brasil vai mal? Alguns números são essenciais. Por exemplo, o país é um player muito acanhado no comércio exterior. Segundo a Organização Mundial do Comércio no ano de 2008 o Brasil possuía 1,2% de todas as exportações ocorridas no mundo e 1,1% das importações. Isso é a metade do que a Coréia do Sul, Hong Kong ou Singapura.

Qual o problema então? O problema é que o Brasil não consegue gerar riqueza. Simples assim. Falhamos miseravelmente no processo de desenvolver mecanismos para a geração de riquezas e as propostas da esquerda não avança um milímetro no que o país tem feito nos últimos 60 anos.

O primeiro e primordial entreve a geração de riqueza no Brasil é a educação. Em uma rápida comparação com a Coréia do Sul, descobrimos que o Brasil investe três vezes menos em educação. Enquanto o nosso país investe US$ 0,40 para cada habitante, o país sul-coreano investe US$ 1,26.

Nenhum país que conseguiu um alto desenvolvimento econômico o fez relegando a educação, que aqui é função de Estado, em um segundo plano. Porém quantos dos que se consideram de esquerda abordam esse assunto com a profundidade necessária? A educação para esquerda foi durante muito tempo um assunto mais para doutrinamento do que para o desenvolvimento econômico. Não é raro encontrar principalmente nas faculdades públicas, professores que são contra o uso da educação como forma de aprimorar e incentivar a geração de riqueza. Isso é burguês demais.

Outro entrave e o parco investimento em infraestrutura no país. Apesar de todo estardalhaço sempre quando faz uma apresentação do Orçamento da União que o governo Lula apelidou de PAC, a análise dos números demonstra de que todo o dinheiro que lá aparece, os gastos do governo federal não passam de 10%. Todo o resto é investimento privado ou estatal.

E esse é um ponto chave. Os de esquerda sempre afirmam que os investimentos das estatais são uma maneira que o governo possui para gerar desenvolvimento econômico para o país. Daí a “necessidade extrema” dessas empresas continuarem nas mãos do governo. Balela.

Pergunte a uma dessas pessoas qual o benefício econômico que a Petrobrás já trouxe para o dono da banca de jornal da esquina ou para o caixa na padaria e ficará sem resposta.

A verdade é que os investimentos das estatais beneficiam de forma direta as próprias estatais e mais ninguém. Costumam falar “há, mas geram empregos”. Lógico que geram. Aí é minha vez de perguntar: será que parariam de gerar empregos sendo privadas? Será que o exemplo da Vale não quer dizer nada?

Segundo, como a direção dessas empresas é pior que as privadas o governo faz aportes financeiros às estatais. O atual governo prepara um aporte na Petrobrás no valor de US$ 40 bilhões. De onde vem esse dinheiro? Do meu, do seu, do nosso imposto. E o que ganhamos com isso? Apenas o direito de continuar a comprar a gasolina nos postos.

Agora compare isso com o investimento em educação. Os gastos giram em torno de 4% do PIB, ou seja, pouco menos de oitenta bilhões de reais. Isso mesmo, o governo irá fazer um aporte, em uma empresa estatal de capital misto, um valor que equivale a metade de tudo que é gasto em educação no país durante um ano!

Não sei não, mas para mim as prioridades estão um pouco invertidas.

E porque isso? Porque a Petrobrás, esse exemplo de gerência estatal, não possui dinheiro par explorar o Pré-Sal. E por conta disso, pega dinheiro do nossos impostos para explorar o pré-sal, pagar altos salários e polpudas aposentadorias a seus funcionários e participar nos programas de propaganda do governo, patrocinando revistas e eventos. E também porque nossos falizes nacionalistas preferem que o petróleo fique no mar do que abrir o mercado (realmente) para outras empresas.

Todos ganham. Claro que o “todos” resume-se aos donos da Petrobrás e seus funcionários. Para o resto dos 99% dos brasileiros continuamos a comprar gasolina extremamente cara. Genial não é?

Em outro posto comento sobre os outros entraves ou as outras reformas essenciais para a geração de riqueza que passam distante do discurso da esquerda no Brasil.

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  1. março 2, 2010 às 6:12 pm

    Taí um bom exemplo de crítica bem-feita ao lulismo. Pena que a gente não vê uma oposição articulando nenhum discurso nessa linha. Nem tenhamos exemplos melhores em governos de outros partidos nos tempos de redemocratização.

    Eu diria que é pra criticar a lerdeza dos investimentos em áreas críticas como educação, saúde, transporte e segurança pública.

    E me parece que não há uma postura de cobrança efetiva com relação a isso na sociedade brasileira. Pequenos aumentos na renda dos mais pobres já resultam em benefícios tão grandes. Imagine o que seria se fizéssemos mudanças estruturais mais amplas.

    E olha que tudo faz parte das propostas do PT que nunca saem do papel: reforma tributária que privilegie a produção em relação ao setor financeiro, que desonere os salários e o consumo, bem como os artigos de primeira necessidade; estímulo às empresas nacionais e sua inserção competitiva na economia mundial; investimentos públicos pesados em um sistema universal de educação e de saúde.

    Coisas em relação às quais o governo Lula foi de um estrondoso fracasso.

    E quem oferece melhores perspectivas? Serra? A militância da Veja? Ou talvez a “estatal” Carta Capital?

    • vilarnovo
      março 2, 2010 às 6:44 pm

      Ninguém Andre… para nossa infelicidade. Nada demonstra mais o estado das coisas no Brasil que a candidatura do presidente da FIESP pelo Partido Socialista Brasileiro.

      Quando falei que a única diferença entre o esquerdismo do PT e o esquerdismo do PSDB era que o primeiro representava o sindicalismo e o segundo representava o empresariado fizeram graça de mim.

      Como assim? Empresários de esquerda? Isso mesmo. O empresariado no Brasil, principalmente os grandes, adoram o Estado, adoram mamar nas tetas do setor público. Adoram um empréstimo subsidiado do BNDES, adoram contratos polpudos, adoram a noção que se quebrarem a cara haverá alguém com ânsia de provar que o Estado deve meter o bedelho na economia para os salvar através dos nossos impostos.

      Enfim, adoram a noção do capitalismo sem riscos. Mas que para isso possa existir tem sempre alguém que paga a conta. E invariavelmente somos nós através dos impostos cavalares que mais se parecem com confisco que existem no Brasil.

      Na Idade Média o senhores feudais – o Estado da época – cobrava impostos no fio da espada. E olha que os valores nem chegavam perto do que é cobrado hoje. Robin Hood não roubava ricos para dar aos pobres. Ele devolvia aos pobres o dinheiro dos impostos que lhes era tomado pelo Estado. Se houve algum rico na história de Robin Hood esse era o Estado.

  2. março 2, 2010 às 7:45 pm

    Acho forçado falar em Estado nos tempos dos Plantageneta. Bem longe da noção moderna que se construiu bem depois.

    Também fico imaginando se existe ou existiu algum lugar do mundo onde os empresários assumiram algum tipo de risco que não fosse sustentado pelo Estado.

    Aliás o Estado surgiu para isso: garantir a propriedade a o funcionamento dos negócios. A reclamação começa quando os pobres começam a influenciar as decisões do Estado e pegar uma parte dos recursos em seu favor, como acontece hoje no Brasil. Mas capitalismo nunca funcionou nem funcionaria sem garantia do Estado.

    A questão é se quem deve controlá-lo são as grandes corporações, ou se deve haver um controle público um pouco mais amplo.

    Acho que o negócio dos empresários “de esquerda” no Brasil tem a ver com a questão da fatia que as empresas nacionais podem abocanhar num negócio dominado por grupos estrangeiros.

    • vilarnovo
      março 2, 2010 às 8:27 pm

      Concordo que o estado surgiu para garantir a propriedade. Discordo sobre o funcionamento dos negócios. Por exemplo em nenhum lugar da constituição americana, a primeira democracia do mundo, há a noção de que o estado deva garantir o funcionamento dos negócios. Isso é de total responsabilidade dos proprietários.

      O Estado surge para garantir a segurança da propriedade privada, ou seja, que alguém com uma arma maior não tire sua propriedade por meios violentos.

      O Estado não dá, nem aos pobres, recuros que antes não retirou deles. É essa noção que foge inteiramente ao pobre principalmente ao colonizado por países ibero-católicos em contraste aos países colonizados por anglo-saxões.

      • março 4, 2010 às 11:20 am

        Funcionamento dos negócios se refere à macro-economia, não a cada portiha do comércio…

  3. André
    março 2, 2010 às 11:56 pm

    Pablo,

    1) Ampliar o investimento em educação sempre foi uma bandeira da esquerda. Qual é a proposta da direita?
    2) Embora a educação no Brasil seja obrigação do estado, este não cria nenhum empecilho para o setor privado ocupar seu espaço. Pelo contrário, indiretamente empurra as pessoas para o ensino privado.
    3) Embora existam professores com essa visão “romântica” da educação, a maioria na área de humanas, a maioria dos professores tem noção de que ensino=desenvolvimento.
    4) Me parece que um dos méritos do PAC é impedir que burocratas façam cortes indiscriminados nos gastos em investimentos. Concordo que isso é muito pouco, mas é um indicativo do nível em que está a administração pública no Brasil.
    5) Até onde eu vi nos jornais, durante a crise, a Vale cortou investimentos enquanto as estatais não cortaram. Política anticíclica só estatais fazem. Ou não?

    • março 3, 2010 às 5:58 pm

      1) Ser proposta da esquerda, bandeira da esquerda não quer dizer que a esquerda REALMENTE faça algo. E em um mundo e principalmente em um país onde a esquerda se “dona” de tudo que é bom não é lá um argumento muito sustentável. Concordo contigo. Não há propostas de direita no país.

      2) Também concordo. Mas há de considerar algo que nos pagamos pela educação pública. Não é nada de graça. A opção privada existe pois a pública é muito ruim. E se formos ver a história brasileira, filhos da elite até bem pouco tempo atrás estudavam em escolas públicas.

      3) Tomara que esteja certo. Minha experiência na UFRJ não é bem essa.

      4) Se os burocratas fizesses cortes os valores representados pelo Estado iriam a zero. Não é diferente de qualquer Orçamento da União já implementado em outras eras.

      5) Claro que cortou, a Vale não tinha o Tesouro para bancar suas aventuras. É muito fácil fazer política anticíclica (francamente o governo não possui a menor capacidade para fazer isso, financeiramente) com o dinheiro alheio.

  4. março 3, 2010 às 12:44 pm

    Pablo,

    Realmente as posições de ambos os lados parecem não sair do mesmo lugar. Inclusive, desculpe a franqueza, seu próprio discurso.

    A costumeira comparação com a Coreia do Sul é improcedente, por vários e enormes motivos. População, área, geografia, história política, guerras, alianças e ajuda externa (leia-se USA) são totalmente diferentes a favor dos coreanos e inóspitos aos brasileiros.

    Justamente para fazer frente ao desafio lançado pela Coréia setentrional, enormes investimentos, via empréstimos favorecidos, foram canalizados à meridional. Além disso, a infraestrutura de uma país compacto, convenhamos, é bem mais acessível do que a de outro com dimensões continentais e variados acidentes geográficos. Essas questões são elementares em geopolítica.

    Sobre as estatatais brasileiras, esteja certo de que, por razões da própria dinâmica da economia, o dono da banca de jornais, o padeiro, seu vizinho, o pescador nordestino e milhões de outros são mais beneficiados por elas do que o restante das empresas privadas e privatizadas.

    Quando menciona reforma fiscal e outras como urgentes, você apenas repete discursos mal elaborados e que não resistem ao crivo rigoroso. A chamada ‘carga fiscal elevada’. alardeada por canalhas detentores dos papéis da dívida pública, isto é, beneficiários duplos dos juros da mesma, não passa de necessidade gerada pela própria dívida interna dos entes da federação. Grupos empresariais, financeiros e pessoas físicas de alto poder são os que gritam pela elevação dos juros básicos (para auferir maiores rendimentos pelos títulos) e, na outra contraditória ponta, cclamam pela diminuição da carga tributária. Ora, uma depende e é responsável pela outra, como é óbvio.

    Outra questão. O velho discurso da participação das exportações e importações brasileiras no montante global é dado que serve às consultorias e, por sí, nada significa. O crescimento das transações internacionais, especialmente nos últimos 15 anos, diz respeito a conjunturas de diversas naturezas e não constitui dao simplório, mas obedece a outra ordem de fatores, dentre os quais a desindustrialização manufatureira dos USA, direcionada às transações com a China. O que interessa, no caso brasileiro, é o crescimento do consumo interno, que atravessa interessante expansão.

    Sobre educação, sabotada durante 502 anos neste país, alguns projetos estão em andamento e você deve concordar que não é viável obter resultados imediatos. Mas existem perspectivas na área.

    • março 3, 2010 às 6:14 pm

      Não precisa se justificar pela franquesa, ela é SEMPRE bem vinda.

      OK, não vamos usar a Coréia, apesar de não concordar com seus argumentos. Utilize qualquer país do mundo que conseguiu melhorar seus números econômicos e, consequentemente, sociais. Use a China onde há mais engenheiros nas universidades que formados no Brasil. Ou não use país algum. Você realmente acha possível que o Brasil se desenvolva socio-economicamente com os investimentos atuais em educação?

      Sobre os investimentos das estatais, isso é uma enorme retórica. Isso porque os investimentos das estatais para início vieram dos impostos cobrados. O governo nada dá sem antes tirar. No mais ficarei feliz em ler qualquer trabalho acadêmico com a tese que os investimentos estatais beneficiam mais a população que investimentos de outras empresas.

      Isso você tem meia razão. Os Estados e Municípios possuem sim altas dívidas. Isso porque, e em outro texto eu mostrei isso, o pacto federativo brasileiro é uma piada. A União é dententora de 70% dos recursos públicos.

      A meia verdade ocorre pois os juros básicos estão onde estão pela necessidade de continuar entrando dólares no país. A ÚNICA maneira de cairem os juros é com a economia, corte de gastos do governo. Não há outro jeito. Será que está disposto a pagar o preço político disso?
      Aliás, o que existe de mais comum são empresários não gritando pela elevação dos juros e sim pela diminuição deles. Nesse ponto, juro que não entendi seu argumento.

      http://www.oeconomista.com.br/fiesp-considera-manutencao-da-taxa-de-juros-um-absurdo/

      Também não entendi seu argumento sobre as exportações. OK, a indústria manufatureira saiu dos EUA. Essa foi substituida pela indústria de serviços. O maior exportador do mundo nem é a China e sim a Alemanha com 9,1% do mercado.

      Os projetos são indecentes. São mais um cala boca. Em oito anos uma criança atravessa praticamente todo o segundo grau. Os projetos do governo são quase todos direcionados ao ensino universitário e muito poucos observam a qualidade do mesmo.

      No mais as escolas continuam caindo ao pedaços, os professores continuam mal treinados, recebendo parcos incentivos.

      • março 4, 2010 às 11:25 am

        Cihina ultrapassou Alemanha este ano.

  5. março 3, 2010 às 1:05 pm

    Pablo,

    A segunda resposta que você endereçou a André Egg, que mencionara o papel do Estado como garantidor de negócios é, permita, pueril e sonhadora.

    Você menciona a Constituição dos USA como alheia a esse papel garantidor de negócios, como se isso significasse impedimento ou algo parecido.

    Basta ver o papel desempenhado pelo Estado (deles) em TODAS as crises para destacar que seu entendimento é equivocado.

    • março 3, 2010 às 6:25 pm

      Infelizmente gostaríamos de saber a opinião dos fouding fathers por essas intervenções.

      “Você menciona a Constituição dos USA como alheia a esse papel garantidor de negócios, como se isso significasse impedimento ou algo parecido.”

      Isso porque no caso citado (USA) é exatamente isso.

      A décima emenda afirma que toda a função do estado resume-se ao que está escrito na Constituição. O objetivo disso é para que o Estado não se torne uma entidade como é o Estado brasileiro por exemplo.

      Pouca gente no Brasil tem conhecimento da batalha jurídica que Roosevelt teve na Suprema Corte para passar seu New Deal.

      http://www.americanheritage.com/articles/magazine/ah/1958/3/1958_3_24.shtml

      Sabe como Roosevelt resolveu o problema? Trocou juizes, ou melhor aumentou o número de juízes da Suprema Corte. Você já viu isso acontecer antes? Em algum país?

      E francamente, o resultado desses pacotes carregam muito mais propaganda progressista que verdades econômicas. Vide o pacote de 700 bilhões de Obama hoje.

  6. março 4, 2010 às 11:36 am

    Não que eu ache um bom modelo, por vários motivos, mas os países que deram os maiores saltos em educação foram os socialistas do leste europeu pelos meados do século XX.

    Os melhores sistemas educacionais de hoje continuam sendo aqueles mantidos pelo Estado (França, Escandinávia, etc.)

    Discordo da avaliação sobre os investimentos em educação no Brasil.

    O governo tem política de formação de professores (a expansão no ensino superior está sendo direcionada para isso).

    A educação pública não é muito ruim quando comparada à das escolas particulares. As escolas particulares oferecem ensino de mesma qualidade (só as instalações físicas são melhores). O que faz a diferença é o ambiente familiar, o nível educacional da família, o acesso a bens culturais. Nisso o Estado brasileiro é muitíssimo mais ausente do que na educação escolar.

    O que falta nas escolas públicas falta também nas particulares: uso intensivo de artes, prática esportiva, atividades culturais diversas. Está tudo focado de forma doentia nas carteiras e nos livros didáticos.

    Mudando de assunto:

    As políticas contra-cíclicas não estão sendo feitas com recursos públicos. É só ingerência do Estado no gerenciamento das empresas mistas. Veja o caso do Banco do Brasil – que inclusive foi o banco que mais lucrou durante o período de crise. Porque expandiu agressivamente o crédito.

    E sobre F D Roosevelt: se o governo dele não tivesse acontecido os EUA tinham acabado. A oposição não queria os programas de estímulo ao emprego, não queria se envolver na guerra (tem dúvidas que foi a guerra que deu proeminência mundial aos EUA?), não queria a Good Neighbor Policy (sem a qual seríamos quintal do Eixo).

    • André
      março 4, 2010 às 1:57 pm

      Só conheço a realidade educacional de Minas e São Paulo então utilizem os filtros necessários.
      A estrutura física das escolas particulares varia muito. Apenas nas escolas de alto padrão, elas são muito superiores que as públicas. Na média, eu diria que há um empate, ou até uma vantagem para as públicas se considerarmos só as EMEIs.
      Como você disse, o diferencial se dá no empenho da família das crianças que frequentam as escolas particulares. Já vi um estudo que mostrava que o fator principal no desempenho do aluno é a formação escolar da mãe. Um agravante das escolas públicas é fazer inclusão social sem preparar os professores ou oferecer condições adequadas.

    • vilarnovo
      março 4, 2010 às 2:25 pm

      “Não que eu ache um bom modelo, por vários motivos, mas os países que deram os maiores saltos em educação foram os socialistas do leste europeu pelos meados do século XX.”

      Isso não é lá bem verdade. Vários fatos demonstram isso. Alan Greesnpan conta em seu livro que quando foi convidado pelo Banco Central Russo para fazer palestras sobre a atuação do FED para os técnicos daquele país, passou por diversos campos de plantação e notou que o maquinário utilizado ainda era dos anos 50. Ao perguntar o porque daquilo recebeu a singela resposta: “eles ainda funcionávam”.

      Isso aconte pois os países socialistas nunca abraçaram de fato o que Shumpeter descreveu como “destruição criativa”.

      Outro ponto foi que quando a URSS finalmente ruiu os analistas americanos tiveram a oportunidade de perceber que a produtividade da URSS era bem nenor que a americana, contrariando vários informes de inteligência da época. Os americanos chegaram a acreditar piamente que a URSS tinha uma capacidade produtiva maior que os EUA.

      Outro fato foi o gasto que a Alamanha Ocidental teve que fazer para treinar os trabalhadores oriundos da Alemanha Oriental em técnicas modernas de produção e gerenciamento. Foram bilhões investidos nisso.

      Podemos citar, também que a tecnologia agrícula no Brasil fez com que a produtividade por acre plantado aumentasse várias vezes em décadas, enquanto a produtividade do campo em Cuba pouco mudou após a chegada de Fidel. Tudo bem que não havia incentivos financeiros pois a URSS bancava Cuba pagando preços mais altos que o mercado mundial por seus produtos.

      Sobre a educação. Discordo veementemente. Os investimentos são parcos. Sinceramente se você conversar com um professor da rede pública e dizer o que disse não sei se sai inteiro. 🙂

      E basicamente você afirma que os que pagam por escolas privadas são tontos que gostam de rasgar dinheiro. Basta ver o resultado nos vestibulares para comprovar que o que disse não é verdade. Porém concordo que há ilhas de excelência que são algumas escolas públicas como os colégios militares, alguns colégios de aplicação ligados a universidades públicas e etc. Mas são excessões e não a regra.

      E para mostrar que a esquerda nesse ponto é tão equivocada como os outros, o (desastrado) governo Olívio Dutra no Rio Grande do Sul tentou retirar a adminsitração da escola Tiradentes da Brigada Militar. A justificativa? Leia o seguinte:

      “ZH – Por que o rendimento do Colégio Tiradentes é melhor?
      Feix – Eles têm uma carga horária superior, com turno integral. É evidente que isso significa investimento maior por parte do Estado. Quiçá pudéssemos constituir toda a rede com a qualidade do Tiradentes. O QUE CONSIDERÁVAMOS INJUSTO ERA DAR ATENDIMENTO PRIVILEGIADO A UM GRUPO PEQUENO.”

      Ou seja, os gênios queriam nivelar tudo por baixo. O Feix da resposta é João Carlos Feix que era chefe do departamento de coordenação das regionais da SEC do governo.

      Ao invés de elevar todas as escolas para o padrão da Tiradestes, usavam um argumento racista e equivocado para trazer a Tiradentes para o mesmo padrão baixo das outras escolas. Não dá para concordar com isso.

      • março 5, 2010 às 4:42 pm

        Sou professor da rede pública (ensino superior) e converso com professores da rede pública (ensino básico) toda hora.

        Meus filhos estudam numa escola particular (e me sinto exatamente como se estivesse rasgando dinheiro mas isso é assunto de discórdia matrimonial). Eu estudei em escola pública a vida inteira.

        E eu acho que o Dutra estava certo no caso do Tiradentes. O estado do RS não tinha recursos para contratar e pagar mais professores, e nem capacidade de endividamento. Mas o Dutra era um governo dos tempos de responsabilidade fiscal/orçamentária, coisa que não foi prática nos governos posteriores daquele estado.

        Aliás, os trabalhadores e os políticos do PT sabem quanto têm que trabalhar para sustentar o Estado. Diferente das elites que se acostumaram a viver às custas dele…

      • março 5, 2010 às 4:50 pm

        Sobre a educação na “cortina de ferro”, leve em consideração o ponto de partida. Em 1900 a taxa de alfabetização, eu disse alfabetização – não chegava a 5% na URSS. Em 1950 os níveis educacionais eram altos.

        Há estatísticas parecidas para o leste europeu, China (lá a escolaridade ainda é muito baixa), Cuba e outros países.

        É ruim trazê-los para a discussão porque são um péssimo modelo em quase tudo. Mas construiram rapidamente, e do zero, grandes sistemas educacionais universais.

        Ainda acho os países escandinavos um modelo melhor, mas por causa do luteranismo eles já tinha taxa de analfabetismo, eu disse analfabetismo – próxima a 1% no início do século XIX.

        No mais, o que o Greenspam fala da produtividade soviética corrobora o que o “nada será como antes” disse abaixo. Só educação não gera riqueza – aliás, Argentina, Chile e Uruguai tem padrão educacional muitíssimo superior ao nosso. E exportam mão de obra especializada (inclusive para o Brasil) por que suas economias não são dinâmicas o suficiente para absorvê-la.

        O nível eduacional nos EUA é bem baixo comparado a outros países ricos. Exceto nas universidades de ponta, que são de ponta justamente por que atraem os melhores estudantes e os melhores professores do mundo. São os estrangeiros que fazem a excelência por lá.

      • kiko marinho
        março 6, 2010 às 9:39 pm

        Esta questão da “destruição criativa” para falar dos produtos russos, não sei se concordo. A diferença entre os produtos russos e americanos, em um dado momento, era principalmente ligada a obsolescência programada. No ocidente, e principalmente nos EUA, a sociedade de consumo precisava, obviamente, consumir. Daí, o ciclo de vida dos produtos foi encurtado. De um lado, não podiam durar décadas para que a repetição do consumo se desse rapidamente, os produtos podiam começar a falhar mais cedo, pois seriam trocados, design, inovação e marketing ganharam muita força, de forma a fazer com que as pessoas trocassem mais rapidamente seus produtos, a perda de durabilidade e qualidade faz com que os preços caiam, e para dinamizar ainda mais o consumo os preços devem cair mais ainda e daí a necessidade de enormes ganhos de produtividade. O bom deste ciclo são os ganhos de produtividade geral, inovação, melhorias na qualidade de vida (dos que estão no topo da escala de produtividade), etc. Na outra ponta, boa parte dos problemas de sustentabilidade e meio ambiente atuais vêm a partir dos abusos da sociedade de consumo, esta lógica tem limites óbvios. Na URSS, esta lógica não existe. Sou casado com uma cubana, convivo com sua família, eles tem tudo do bom e do melhor aqui, e até hoje comentam da durabilidade e robustez dos eletrodomésticos russos. Os sistemas não são comparáveis, pois os objetivos das duas sociedades eram diferentes.

  7. março 4, 2010 às 1:59 pm

    Tentarei treplicar, em poucas palavras, sua resposta ao meu comentário.

    “Você realmente acha possível que o Brasil se desenvolva socio-economicamente com os investimentos atuais em educação? ” – são suas palavras.

    Basta notar o que já acontece; os dados mostram lenta e constante melhoria na chamada “distribuição de renda” e relativo aumento no acesso cultural de setores outrora alijados; também existe um alentador quadro de melhoria nas áreas de saneamento e habitação.

    A propósito, educação é tremendamente importante mas não é, isoladamente, o único propulsor econômico. Outros fatores devem ser combinados para atingir resultados concretos.

    “Também não entendi seu argumento sobre as exportações. OK, a indústria manufatureira saiu dos EUA. Essa foi substituida pela indústria de serviços. O maior exportador do mundo nem é a China e sim a Alemanha com 9,1% do mercado.” São as suas palavras.

    Ao comentar sobre a mudança no perfil produtivo dos USA e sua transferência para a China, afirmei que as enormes exportações chinesas não constituem mérito e/ou sinônimo de acerto daquele país e. muito menos, equívoco da economia brasileira. A questão maior é o enfoque da produção. A economia brasileira, felizmente, é voltada também para o mercado interno, em proporção MUITO MAIOR do que a chinesa. Daí minha afirmação de que o fluxo de importação/exportação é pouco importante e que o principal é a produção voltada para o consumo interno.

    Não se esqueça de que o Brasil tem suficiência produtiva em amplos setores de insumos básicos, ao contrário de China e Alemanha, seus exemplos preferidos. O Brasil pode se dar ao “luxo” de privilegiar o consumo (e crescimento) interno, sem depender de constantes saldos comerciais positivos. Ou você acha que a China, se dispusesse de alimentos, petróleo e minérios suficientes para suas necessidades, estaria disposta a entregar a força de trabalho ao comércio exterior na proporção atual ?

    …”Aliás, o que existe de mais comum são empresários não gritando pela elevação dos juros e sim pela diminuição deles. Nesse ponto, juro que não entendi seu argumento.” Disse você.

    O que afirmei (e repito) é que existe uma contradição entre a grita pela diminuição dos juros, por um lado, e a intenção de ganhos com os títulos da dívida pública, por outro lado.

    Quem detém os títulos da dívida pública ? São os assalariados da periferia ? O cara da banca de jornal ? A costureira de Guaianazes ?

    Não, como você sabe. São os aplicadores em títulos financeiros respectivamente lastreados nessa dívida. Mas o padrão que comanda esses investimentos não é o do chefe de seção que tem R$ 10.000,00 em CDBs ou em fundos de renda. São os grandes grupos empresariais e financeiros, que movimentam cargas altíssimas de valores.

    Pois bem, o que querem esses grupos? Diminuição dos juros e de seus rendimentos ? Claro que não.

    Mas, na outra ponta, por simples contradição, esses grupos querem taxas de juros muito menores para suas transações, vendas, financiamentos, etc. Alguma surpresa nisso ?

    A carga tributária é relativamente alta devido à permanência do impasse gerado por essa contradição e a difícílima administração da dívida pública ( dos três entes federativos, é bom deixar claro). O serviço da dívida depende da arrecadação.

    _________________________

    Na resposta ao meu segundo comentário, você admitiu que minha afirmação (e a do André Egg) está correta.

    As leis podem dizer qualquer coisa mas, no capitalismo, o Estado existe para amparar e garantir o funcionamento do sistema.

    O discurso afirma que é “do povo, para o povo,” etc. Mas a prática é inversa.

    _______________

    Paro aqui, poruqe este é seu blog e tenho o meu para cuidar. rsrsrs

    • vilarnovo
      março 4, 2010 às 2:30 pm

      “A propósito, educação é tremendamente importante mas não é, isoladamente, o único propulsor econômico. Outros fatores devem ser combinados para atingir resultados concretos.”

      Se você analisar os dados do IBGE sobre renda x escolaridade, trabalho do próprio IPEA sobre o mesmo assunto e um paper recente do Mankiw sobre o assunto também verá que, OK a educação não é o único parâmetro para desenvolvimento econômico e distribuição de renda, mas – de longe – é o mais importante.

      Vou buscar os dados e faço um post sobre isso.

      ____________________________

      Nada, não precisa parar não. Não tem problema que discorde de mim. É assim que evoluímos, eu aprendo bastante com pessoas que pensam diferente de mim. Enquato exista o respeito mútuo não há problemas nenhum.

  8. kiko marinho
    março 6, 2010 às 9:24 pm

    Essas comparações entre Petrobras e Vale são sempre equivocadas. Primeiramente, o Governo é acionista da Petrobras. Então, quando coloca os 40 bi na empresa (meu, seu, nosso dinheiro na minha, sua, nossa empresa), tenho a mesma opinião que tenho se sou acionista de uma empresa qualquer: se a empresa crescer bem acima do mercado e der retorno/lucro relevante, acho um bom negócio. Parece que pelo retrospecto recente é isto que tem acontecido. Outra coisa, ficar falando que o fato da gasolina ser mais cara do que a dos outros países como responsabilidade da Petrobras é uma falácia. Que tal dar uma olhada na carga tributária. A maior parte da responsabilidade pelo preço da gasolina está nos impostos, Federais e Estaduais. Melhor procurar outro exemplo. Sobre a questão de empregos entre Petrobras e Vale, uma rápida comparação: a Vale está fazendo dois mega navios para transporte de minérios, provavelmente em algum estaleiro coreano. Assim, a Vale exporta minério para China fazer aço, vender pra Coréia fazer os navios que retornam para o Brasil. É claro que existe um racionalismo econômico nesta escolha da Vale, mas a verdade é que todos estes empregos da cadeia de fornecimento vão para o exterior, enquanto aqui fica o pessoal com pás e picaretas cavando buraco no Pará (só uma imagem, hein, sei que as pás e picaretas são super hitech). Enquanto isto, a Petrobras, por decisão (anti-econômica para ela) política do maior acionista, o Governo, desenvolve toda uma cadeia de fornecimento nacional, intimamente ligada a desenvolvimento tecnológico feito em universidades brasileiras, e entrega uma enormidade de empregos no Brasil, beneficiando pequenas e médias empresas. Garanto que se você seguir o dinheiro na cadeia de fornecimento da Petrobras, vai chegar a um monde de donos de bancas de jornais e padarias.

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