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Das loucuras da Imprensa…


Há muito tempo venho falando que a cadeira de jornalismo nas universidades sofre de algum mal não identificado. Ao que me parece, os estudantes de jornalismo aprendem durante seus anos de faculdade como perguntar “o que você sentiu?” de seicentas e quarenta e quatro maneiras diferentes para utilizarem em oitocentas e vinte e três situações.

Uma nota no Blog do Noblat chamou minha atenção para uma matéria do Correio Brasiliense sobre a greve de docentes na UnB. A matéria é do jornalista Luiz Calcagno.

Professores da UnB entram em greve

Luiz Calcagno

Publicação: 09/03/2010 11:44 Atualização: 09/03/2010 15:13

Os professores da Universidade de Brasília (UnB) decidiram pelo início da greve. A votação ocorreu em assembléia nesta terça-feira (9/3). A maioria dos docentes optou pela paralisação: foram 164 participantes, 157 votos a favor, seis contra e uma abstenção. Ainda não há previsão para duração da greve, a partir de hoje os alunos não terão mais aulas. (…)
O negrito é meu. Uma pesquisa rápida ao site da Unb consegui a informação  que “entre 2008 e 2009, o número de professores em dedicação exclusiva saltou de 1.404 para 1.739”. Não demorei mais que alguns segundos para achar esse número. E veja bem, esses números referem-se a apenas os docentes com dedicação exclusiva. Existem os Professores Associados e os Professores Adjuntos.
Disconsiderando fatores ideológicos do repórter, no mínimo sua matéria foi mal escrita. Ele deveria dizer que a maioria dos professores presentes à assembléia votaram de maneira favorável à paralização.
Mas o que tudo indica é que o jornalista apenas reproduziu um informe da Associação dos Docentes da UnB, não fez qualquer filtro, não pesquisou, não se informou…nada. Utilizou o famoso Crtl + C e Crtl V.
Artigos como esse estão cheios nos jornais.
Agora um detalhe:  a greve foi estipulada por conta de uma ação do Minstério do Planejamento que iria diminuir o valor de um benefício que é dado aos professores da UnB.
Agora, os maiores prejudicados (sempre) são os alunos. Greve deveria ser o último dos recursos, mas o poder totalmente autoritário dos sindicatos (ou associações) principalmente se tratando de sindicatos do setor público é notório.
Como justificar uma greve que foi apoiada por menos de 10% do total do quadro docente?
Não estou dizendo que a reivindicação é justa ou não. Mesmo sabendo que o salário de um professor da UnB não pode ser considera baixo para os padrões brasileiros (um Professor Adjunto I recebe R$ 8.474,15 de acordo com a Associação de Docentes da UnB). Se há uma classe que deveria ser melhor remunerada no setor público essa classe é a de professores.

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Categorias:Atualidades Tags:,
  1. março 10, 2010 às 12:35 pm

    “Jornalista formado” costuma ser um indivíduo que frequentou um curso sem identidade própria, sem transdisciplinariedade, sem metodologia, sem qualidade e, no entanto, se considera apto a discutir, apresentar, analisar e inclusive fornecer palpites, sugestões e aplicar lições moralistas sobre todos os assuntos que lhe são apresentados.

    O quadro jornalístico é lastimável e, sem exagero, os textos produzidos são confusos e primários, notadamente nas áreas de educação, economia, política e ciência. Poucas e honrosas são as exceções de jornalistas capacitados nessas áreas.

    Quanto ao tema da decisão dos professores, é comum nas assembléias que deflagram greve o comparecimentos de apenas uma fração do conjunto. Assim é no ensino público. inclusive porque seria impossivel juntar centenas de milhares de participantes para decidir uma greve, discutir propostas, etc.

    Geralmente, em casos desse tipo, os participantes da assembléia consultam, antes, seus pares. Chegam à decisão com um panorama do potencial pró-greve relativamente definido e, assim, formalizam a votação.

    A medida do acerto é notada pela efetiva adesão.

  2. vilarnovo
    março 10, 2010 às 1:27 pm

    “A medida do acerto é notada pela efetiva adesão.”

    Ou não. Na última greve da USP foram poucos os professores em greve, comparando aos que não queriam a mesma.

    Hoje com a informática me parece que o uso das assembléias é muito relativo não acha?

    E, por experiência própria, conheço bem as táticas como extender a assembléia por horas até a decisão da greve ser conseguida, realizando inúmeras votações até que o objetivo é alcançado.

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