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Mais um mito indo para o buraco…


Um estudo coloca por terra mais uma das propagandas do governo atual que é difundida com requintes de crueldade.

Mostra o quanto é pífio o investimento da União.

Deu em O Globo

Lula volta a inflar números sobre investimentos

Segundo economista, entre 2003 e 2009, a taxa de investimento da União oscilou entre 0,2% e 0,6%
Lula volta a inflar números sobre investimentos

Dados oficiais mostram que governo Geisel investiu mais que o atual, diferentemente do que afirmou o petista

De Geralda Doca e Cristiane Jungblut:

O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que seu governo foi o que mais investiu no país não bate com os dados oficiais. As atuais taxas de investimentos diretos da União estão longe das registradas na década de 70.

Em 2009, a taxa de investimentos da União chegou a 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), sem considerar estatais. Em 1976, no governo Geisel, os investimentos da União eram 1,9% do PIB, também excluindo as estatais.

Os dados são do especialista em finanças públicas Raul Velloso, com base em estatísticas do IBGE dos últimos 40 anos.

Entre 2003 e 2009, a taxa de investimento da União oscilou entre 0,2% — uma das mais baixas desde 1970 — e 0,6%, estimativa para o ano passado.

Nos últimos 40 anos, a taxa de 0,2% foi registrada três vezes: em 2003 e 2004, no governo Lula; e 2000, no governo Fernando Henrique.

Na última sexta-feira, ao inaugurar uma obra em Juazeiro (BA), ao lado da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, Lula disse duvidar de que em algum momento no Brasil tenha havido tanto investimento quanto hoje. Defendeu a comparação dos governos e destacou os investimentos do PT em infraestrutura.

— Nestes 40 anos, a maior taxa foi registrada no governo Geisel. Mas, antes disso, a maior onda de investimentos no Brasil se deu na década de 60 e no governo de Castelo Branco, quando se construiu a maioria das estradas do país — afirmou Velloso.

Para o economista, o governo de Lula e o de Fernando Henrique Cardoso se assemelham. Os dados relativos às contas nacionais do IBGE mostram que a média de investimentos ficou em 2% nos dois mandatos de Fernando Henrique. Na era Lula, até 2008, ficou em 1,9%, devendo ficar no patamar do governo anterior quando os números de 2009 forem consolidados.

Velloso diz que quem mais tem feito investimento direto no país não é a União, mas estados e municípios. Pelos dados do IBGE, em 2009, os investimentos de estados e municípios somam 1,9% do PIB — mas a metodologia de Velloso considera a execução do gasto e não a fonte de financiamento.

Assim, parte desses investimentos podem ter sido realizados com recursos repassados pela União. Por essa metodologia, não estão indicadas as fontes de financiamento.

Velloso lembrou que os gastos com pessoal no governo Fernando Henrique subiram 4,8% acima da inflação entre 1995 e 2002. Já na era Lula, as despesas tiveram aumento real de 53,5%.

— Lula não pode se vangloriar de que investiu muito porque optou por aumentar gastos com pessoal — disse Velloso.

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  1. março 9, 2010 às 1:52 pm

    Pablo, eu era mais tolerante com o Lula. Hoje ele me irrita profundamente. Ontem, quando assistia o JN, resolvi trocar de canal, quando apareceu ele, a Dilma e o Sérgio Cabral na Rocinha distribuindo bolsa eleitoral.

  2. vilarnovo
    março 9, 2010 às 3:28 pm

    O Lula possui uma capacidade enorme de dizer besteiras e frases retóricas. Em um dia ataca a imprensa, outro assopra. Em comunidades carentes ataca empresários, e “gente de olhos azuis”, depois quando está cercado dessas mesmas pessoas destila elogios…

    É o típico populista. Peça bem conhecida da América do Sul. Considerar Lula como algo bom, algo novo, algo que realmente tenha relevância para o desenvolvimento do país é que me foge totalmente.

  3. André
    março 10, 2010 às 1:43 pm

    Pequenas dúvidas que os economistas talvez possam responder:
    1) É um mito que parte desse crescimento dos gastos com pessoal é decorrente da substituição de terceirizados por funcionários concursados?
    2) Quando se fala em investimento só entra na conta os gastos com obras físicas? Por exemplo, construir um hospital é investimento, contratar os médicos é inchaço da folha?
    3) A metodogia do Velloso ignora a fonte de financiamento, considera apenas o executor das obras. Os executores das obras poderiam optar por não investir o dinheiro repassado pela União, ou ele já vem carimbado para os investimentos?

    • vilarnovo
      março 10, 2010 às 5:00 pm

      André

      1) Provavelmente não. Agora devemos nos perguntar: o que é mais econômico? O Estado não gera receita, se apropria de receitas, seria lógico aumentar os custos se pode diminui-los?

      2) Ótima pergunta. Concordo com você.

      3) Não entendi.

    • André
      março 10, 2010 às 7:07 pm

      1) Concordo. Desde que não sejam atividades típicas do estado (saúde, educação e segurança).
      3) Reformulando: o estudo do Velloso não considera como investimento da União as obras financiadas pela União mas executadas por estados e municípios. Considero isso um erro um metodológico, a menos que o repasse feito possa ser gasto livremente pelos executores, que eventualmente optaram por fazer investimentos ao invés de dar aumento para os funcionários, por exemplo.

      • vilarnovo
        março 10, 2010 às 8:25 pm

        3) Entendi. Esse é um dos problemas do Brasil não é mesmo? Em princípio os Estados são reféns das verbas da União. Não deveria ser assim.

      • kiko marinho
        março 13, 2010 às 8:45 pm

        bom, pelo que eu entendi, o Pablo não pode afirmar categoricamente o que afirmou no título, pela falha metodológica apontada no item 3… Sobre o inchaço da folha, poderíamos retirar da conta a reposição dos funcionários públicos (professores, médicos, etc) que se aposentaram precocemente quando o FHC mudou a regra de aposentadoria (e vejam, concordo com a mudança, mas este pessoal foi embora e o FHC não repôs, deixando vários buracos na estrutura do governo, mal disfarçados por terceirizados), ou o que foi obrigatório trazer quando o TCU mandou acabar com esse negócio de terceirização (que beneficiava apadrinhados políticos e amigos dos funcionários) e retomar os concursos públicos paralizados desde FHC; ou os professores necessários ao aumento de vagas nas universidades públicas, maior efetividade da polícia federal, etc. aí, fazendo a conta com o que sobrar, podemos voltar a discutir esse negócio de inchaço sobre números corretos.

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