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Quando o exemplo deveria vir de cima


Quase que toda semana agora aparece alguma notícia ou reportagem abordando o comportamento do Adriano, jogador do Flamengo, e agora o Vagner Love, também do Flamengo. Ambos foram flagrados em atitudes reprováveis envolvendo traficantes em favelas no Rio de Janeiro.

O assunto poderia ser abordado de várias maneiras, desde uma (opinião minha) atual onda de endeusamento equivocado de favelas no Rio de Janeiro (como se morar em uma favela fosse coisa boa), como o direito (legítimo) de frequentar esses lugares.

Adriano e Love justificam a presença nas favelas pela infância, parentesco e laços afetivos com pessoas que lá moram. Ninguém duvida disso. Acontece que isso nada tem a ver com a ligação de ambos com o tráfico de drogas.

Fato é que boa parte dos rendimentos de ambos os jogadores deve-se a sua imagem. Ela é utilizada para propagandas, patrocínios e tal. E por conta disso deveriam manter certa responsabilidade.

O problema é o seguinte: imagine uma mãe que mora em uma favela, que possui uma vida sofrida, trabalhando em vários empregos para manter o mínimo de conforte a seus filhos. E mais, trabalha também para manter seus filhos longe do tráfico. Estudos realizados mostram que mais do que o dinheiro, a principal atração para o tráfico de drogas é o status que os traficantes possuem nas favelas. É o poder que atrai. O poder do dinheiro, o poder do armamento pesado, o poder de influenciar na vida das pessoas que moram naquele lugar. Não é de hoje que jovens da classe média, muitas meninas, sobem nas favelas para se relacionar com traficantes. Isso é bem conhecido para quem mora no Rio de Janeiro.

Será que essa mãe pode competir com o tráfico de drogas quando pessoas conhecidas publicamente, que possuem grande exposição na mídia (e ganham com isso), se relacionam tão intimamente com os traficantes? Logicamente que um jovem que mora nesse ambiente leva isso em conta. Para ele é um feito e tanto conhecer alguém como o Adriano ou Love. É motivo de orgulho, motivo para comentar com seus amigos, motivo de admiração de seus amigos. E a percepção é que o tráfico de drogas ajuda a conseguir isso.

E é por isso que Adriano e Love deveriam pensar um pouco mais sobre os seus atos. Eles têm dinheiro, estão lá de passagem. Se o bicho pegar, terão suas mansões para se abrigarem. E os jovens que estão entrando no tráfico? E as mães e pais desses jovens? Como eles ficam?

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Categorias:Atualidades Tags:
  1. ab
    março 17, 2010 às 4:08 pm
  2. Lúcia
    março 26, 2010 às 6:44 pm

    Só que as favelas estão sob domínio do tráfico. Dizer que essas pessoas que visitam as favelas não podem ter entendimentos com o tráfico equivale, sim, a dizer que não podem legitimamente visitar a favela. Do mesmo jeito que eu não consigo entrar nos EUA sem um entendimento com as autoridades que governam o país de fato-e de direito, aliás-, Adriano não pode entrar na favela-especialmente com o seu high profile- sem entrar em entendimento com quem governa as favelas de fato: o tráfico. E, se Adriano, é culpado-legal ou moralmente- por colaborar com o tráfico, então, todo mundo-mesmo as pessoas honestas, maioria absoluta nas favelas- que vive sob o regime do tráfico é culpado de colaboração com o inimigo do Estado Brasileiro e deve ser punido. O que você sugere fazer com as domésticas, porteiros, desempregados, cobradores, etc. colaboracionistas? Fuzilar? Mandar para a Ilha do Diabo (o perigo é eles considarem isso uma recompensa)? Bombardeios de saturação? Erguer o Muro do Rio separando famílias e separando Adriano dos amigos dele?

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