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Archive for maio \28\UTC 2010

Folha revoluciona jornalismo

maio 28, 2010 8 comentários

Não sei não, mas parece que a Folha de São Paulo inaugurou um novo tipo de reportagem: a patrocinada pelo próprio tema.

Olha só que esquisito. Vou colocar em negrito as partes estranhas  e, juro, não mudei absolutamente nada do que está na versão online.

Pânico no hipermercado Extra durou meia hora, diz testemunha.

Segundo a polícia, homem que esfaqueou três pessoas não estava drogado nem alcoolizado.

Família de chinês morto após oito facadas acusa Extra de omissão; rede afirma ter tomado todas as “medidas cabíveis”.

AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO

“Quem quer morrer?”, dizia o auxiliar de pedreiro que matou uma pessoa e feriu duas com uma faca de churrasco anteontem à noite num hipermercado de Guarulhos.
José Marcelo de Araújo, 27, percorreu quase todas as seções do Extra, no centro, ameaçando as pessoas. Empunhava uma faca de churrasco, que furtou no próprio local (Tramontina, modelo Ultracorte, pacote com quatro tamanhos: R$ 53,90).
Era dia de promoção -a Quarta Extra (até 30% de desconto em frutas e legumes). A loja estava cheia. A primeira vítima foi o comerciante chinês Ding Yu Chi, 60, esfaqueado próximo à banca de tomates, ao lado da mulher. Sem motivo aparente, Araújo deu-lhe duas facadas na barriga. Afastou-se e voltou a esfaqueá-lo. Ao todo, desferiu oito golpes.
Ding andou por 30 metros e pediu ajuda. Seguranças disseram para ele se deitar no chão e esperar o socorro. Gemendo, no colo da mulher, dizia: “Não aguento mais”. (…)

Que coisa mais estranha. Nunca havia visto antes… Se a moda pega imagina uma reportagem sobre um atropelamento:

“O homem foi atropelado por um Fiat (Palio zero km, na Itavena por R$ 29,360) ao tentar atravessar a rua. Foi reconhecido por sua mulher por causa da camisa nova que ganhara no mesmo dia (Camisa Social na Vila Romana: R$ 35,00. No caso de comprar gravata desconto de 15%). Sua filha, que estava na escola (Colégio Equipe, 1ª a 8ª série. Desconto de 30% nas primeiras três mensalidades), passou mal ao receber a notícia e teve que ser levada ao hospital (Hospital do Frade, planos para a sua família).”

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Atualizado: Para aqueles que não acreditam, segue o Print Screen da reportagem.

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Coréias: guerra eminente?

maio 25, 2010 9 comentários

Não foi nenhuma surpresa a relatório elaborado por consultores internacionais que corroboraram a acusação da Coréia do Sul de que sua Corveta Cheonan havia sido atingida e afundada por um torpedo lançado, provavelmente, de um minissubmarino norte coreano causando 46 mortes. As acusações de praxe já começaram, mas alguns aspectos importantes devem ser considerados nesse conflito.

O primeiro deles é a atuação do Presidente Sul Coreano Lee Myung-bak. Lee sempre foi muito crítico e até mesmo hostil ao país irmão, porém tem tratado o assunto com maestria. Logo após o incidente não fez acusações, indicando que somente após as investigações algo poderia ser feito. Chamou especialistas de outros países para analisar os fragmentos encontrados no local do ataque e mesmo após as descobertas tem se mostrado pragmático e sem arroubos populistas. Tem manobrado eficientemente na ONU e entre seus aliados. Até mesmo a China, protetora dos Norte Coreanos, ficou em situação difícil e é capaz de apoiar sanções contra o governo de Pyongyang.

Uma das consequências desse ataque foi frear a aproximação que a Coréia do Sul realizava com seu país irmão. Esse processo foi batizado de “Sunshine Policy” e consistia em medidas como a criação de centros industriais com trabalhadores de ambos os países e a liberação de tráfego de trens entre as cidades.

Os motivos desse ataque ainda são nebulosos. Algumas opções aparecem e não são nada encorajadoras. Uma guerra entre os dois países parece algo bem distante. Seria suicídio para o regime do norte e altamente custosa para o regime do sul. Não interessa, a princípio, a Seul uma reunificação nessas bases. Apesar de ser uma importante economia mundial, a Coréia do Sul não teria os recursos necessários para englobar um país tão atrasado economicamente e socialmente quanto a Coréia do Norte. Seul não é Bonn. Pyongyang não é Berlim.

Um aspecto que não devemos esquecer foi o fracassado pacote econômico elaborado pelo governo Norte Coreano no ano passado. Esse pacote proporcionou algo bastante incomum em um regime brutal quanto o regime comunista norte coreano: vários protestos irromperam em todo o país e foram reprimidos com força mortal pelo governo de Kim Jong Il. Outro ponto foram os discursos do próprio Kim Jong Il em que afirmava que o modelo norte coreano deveria privilegiar também o bem estar da população. Isso seria uma volta aos desejos de seu pai em seus últimos dias de vida. Esses discursos podem não ter agradado a elite militar da Coréia do Norte que possui uma qualidade de vida muito superior ao restante da população.

A doença de Kim Jong Il e sua substituição por seu filho Kim Jong-um também acrescenta mais molho nesses acontecimentos.

Ao consideramos o ataque propriamente dito podemos ver que não foi algo ao acaso. Escaramuças entre os dois países já haviam acontecido antes com morte de ambos os lados. Porém uma coisa é o tiroteio entre duas embarcações de guerra ou o tiro efetuado por um tenente norte coreano contra um turista. O ataque realizado por um minissubmarino, adentrando águas territoriais sul coreanas muito provavelmente foi autorizado por alguém de alta patente. Teoricamente essa autorização só poderia ter vindo de Kim Jong Il e nisso podemos imaginar dois cenários. O primeiro deles é Kim Jong Il autorizando o ataque como represália pela morte de dois marinheiros norte coreano em uma das esfregas navais entre os dois países. Nesse caso faltou tato para o governo norte coreano ao escolher a melhor maneira de realizar um ataque. O uso de um torpedo de fabricação chinesa também não foi a melhor das opções, não tanto pelo uso da arma em si, mas pelo simbolismo que isso denota. Esse uso deixou a China em uma posição bem delicada nesta situação.

Não podemos esquecer, também, que o atual Secretário Geral da ONU é um sul coreano que está se dedicando pessoalmente neste novo conflito. Já há informações de dentro da ONU que dizem que Ban Ki-moon está se dedicando pessoalmente, inclusive se reunindo com membros da delegação chinesa.

O outro cenário talvez seja mais sombrio. E se o ataque não foi ordenado por Kim Jong Il? E se esse ataque foi ordenado por um grupo de militares de alta patente descontentes ou com interesses dentro do governo norte coreano? Essa possibilidade, em minha opinião, me parece bem viável a luz dos últimos acontecimentos na Coréia do Norte. A intenção seria colocar o governo de Kim Jong Il em uma situação onde os privilégios dos militares seriam garantidos por uma situação de quase guerra. As mobilizações militares já começaram em ambos os países. Outro motivo seria um alerta dado pelos militares a Kim Jong Il de que quem realmente comanda o país são os militares. Isso demonstraria que o governo é apenas uma marionete dos militares em postos chaves na política e na economia norte coreana. Visaria também dizer para Kim Jong Il que se ele quiser que seu filho se torne o próximo ditador do país, ele tem que se comportar.

A verdade é que teremos que esperar os acontecimentos futuros para compreendermos o total avanço da situação. Mas a verdade é que enquanto o mundo se concentra no teatro iraniano, o conflito pode estar na península coreana.

Acordo nuclear do Irã: tremenda bola fora

maio 19, 2010 11 comentários

Esse é um assunto extremamente técnico e complexo e que está sendo tratado de forma politiqueira e perigosa pelo atual governo. A cientista brasileira Elizabeth Koslova, que é especialista em programas espaciais tendo trabalhado em países como a Rússia e a China entende muito do assunto e nos deu uma aula.

O que está acontecendo é o seguinte:

Para se ter uma bomba nuclear é necessário dois tipos de combustível. Urânio enriquecido acima de 90% ou plutônio. Enriquecer urânio a 90% é caro e demora, foi utilizado no projeto Manhattan como pulverização de risco, não se sabia ao certo se uma bomba de plutônio com a tecnologia disponível na época seria possível nem se urânio a 90% seria viável, então se tentou as duas coisas e ambas deram certo, gerando duas bombas tecnicamente distintas: Fat Man (plutônio) e Little Boy (urânio).

Desde os anos 50 o caminho pelo qual quase todas as bombas atômicas são feitas é pelo uso do plutônio. Para obter este combustível coloca-se urânio em um reator e dentro de algum tempo ele produz plutônio.

A questão é que tipo de urânio você precisa colocar em função do modelo de reator. Para reatores de água leve pressurizada coloca-se urânio enriquecido. Para reatores de água pesada ou grafite coloca-se urânio natural, ou seja, sem enriquecimento.

Os engenheiros iranianos assim como seus colegas do projeto Manhattan sabem que tem muitos desafios técnicos proporcionais a sua tecnologia disponível, então decidiram por dois caminhos diferentes.

O primeiro é onde o urânio é retirado de três minas na região central do país e levado a uma localidade chamada Ardacam, lá é purificado e gerado o que chamam de yellow cake. Após esse processo é levada a Fasa e feita a conversão para hexafluoreto de urânio que é enriquecido em Ramandeh. Este urânio volta à Fasa onde são montados os conjuntos de combustível que irão abastecer a usina de Bushehr. Esta usina está em operação desde o ano passado.

Este caminho é análogo ao brasileiro desde a mineração à usina o processo é eminentemente civil. O único jeito de construir uma bomba por este caminho é retirar o plutônio da usina de Bushehr que é fiscalizada pelos russos e nem mesmo os EUA tem desconfiança quanto à honestidade russa neste processo.

O segundo caminho é o que pode levar o Irã à bomba.  O caminho do urânio é o mesmo desde as minas na região central até a conversão em yellow cake em Ardacam. Porém em Arak, próximo a Teerã há um reator de água pesada sendo construído, este tipo de reator utiliza urânio natural (que não passa pelo processo de enriquecimento e, portanto fora do controle externo de qualquer país) e a água pesada que é fabricada em Kondabh (também próximo a Teerã).  Ao fabricar água pesada o Irã não precisa negociar com exportadores deste tipo de insumo da indústria nuclear como a Argentina ou o Canadá.

E as suspeitas recaem justamente neste reator em Arak. O primeiro ponto é sua pequena potência. Ele possui 40MW de potência térmica o que dá menos de 5MW de potência útil, sendo capaz de fornecer energia a uma cidade de não mais que 40 mil habitantes. O segundo ponto é a utilização de urânio natural, por ser moderado a água pesada, livre dos percalços políticos e tecnológicos associados ao enriquecimento de urânio.

O terceiro ponto é sua proximidade de Teerã, um local com pouca estabilidade sísmica – onde normalmente não se constrói  reatores por motivos óbvios – mas que é mais facilmente defendido de um ataque aéreo pela proximidade com a capital. O reator de Bushehr, por exemplo, está a 1300 km de Teerã, às margens do Golfo não é um lugar fácil de ser atingido por um inimigo, mas é construído em um dos únicos lugares sismicamente estáveis no Irã e por ser um reator comercial não é um alvo militar legítimo.

O atual acordo de troca de urânio enriquecido em solo turco muda algo apenas ao primeiro caminho associado à usina de Bushehr que tem a Rússia como fiadora, porém não muda absolutamente nada em relação ao reator de Arak que opera com urânio natural que não necessita de enriquecimento.

EUA e a Rússia sabem disso, sabem que esta ofensiva diplomática brasileira dará ao Irã um crédito político junto a comunidade internacional, porque afinal das contas o “Irã cedeu” em alguma coisa.

Cedeu em um aspecto que nada influencia seu caminho para a bomba. A única coisa que o atual governo brasileiro fez foi irritar os países que defendem sanções ao Irã, pois nada impede que o Irã de conseguir sua bomba, pelo contrário irá fornecer um tempo precioso para o governo iraniano.

Porque EUA e Rússia não criticam o Brasil abertamente? Em um primeiro momento para não parecer que estão com dor de cotovelo diplomático, até porque não estão; o que Lula fez foi ajudar Ahmadinejad a parecer mais “flexível” perante o mundo enquanto seu plano para o desenvolvimento da bomba continua inalterado.

O reator de Arak fica pronto daqui a 12 meses bem como a fabricação de água pesada em Kondabh. Estes são os alvos mais estratégicos em um eventual ataque contra o Irã. Até 2015 haverá plutônio suficiente para a produção das primeiras ogivas. A bomba atômica do Irã está com seu make-up de engenharia pronto, falta o combustível e o iniciador de nêutrons.

Essas informações não são oriundas dos EUA e sim dados de inteligência russa, país que coopera com o Irã em programas nucleares civis, mas que tem colocado mais energia política e diplomática nos últimos cinco anos para evitar um Irã nuclear. Sabedoria política que sobra em Moscou e falta em Brasília.

Recado dado.

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Senado Americano 2010

A letra entre os parênteses corresponde ao partido que atualmente ocupa a cadeira.

Indeciso:

Califórnia (D); Colorado (D); Florida (R); Missouri (R); Ohio (R); Pennsylvania (D)

Vitória Republicana:

Dacota do Norte (D)

Vantagem Republicana:

Illinois (D); Indiana (D); Kentucky (R); Nevada (D); Nova Hampshire (R); Carolina do Norte (R)

Vantagem Democrata:

Washington (D); Wisconsin (D)

Ligeira vantagem Republicana:

Arizona (R); Arkansas (D); Dalaware (D); Iowa (R); Louisiana (R)

Ligeira vantagem Democrata:

Connecticut (D); Nova Iorque (D); Oregon (D)

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Como os governos criam as bolhas.

maio 12, 2010 9 comentários

Imagine uma família americana querendo comprar uma casa própria no valor de US$ 300 mil dólares. Procura-se um banco, analisa-se o crédito, um empréstimo é concedido. Imagine que no período seguinte, com o benevolente intuito de aumentar o número de americanos com casa própria, o governo baixe os juros, force bancos através de legislações a conceder mais empréstimos imobiliários, dê diversos incentivos fiscais para que os custos das prestações sejam deduzidos no imposto de renda. Venda, venda mais. Empreste, empreste para qualquer um. Afinal de contas, o dinheiro está barato. E, além disso, há duas empresas paraestatais que fazem o seguro desses empréstimos, o governo garante tudo. O risco que era nosso, agora é do governo.

Como consequência o número de americanos procurando casas para morar aumenta, porém existe um lapso de tempo entre novas construções e o aumento da demanda. O preço das casas aumenta. Aquela casa que valia 500 mil dólares hoje vale 700 mil dólares. E os juros estão mais baixos. O que a família faz? Uma nova hipoteca. Como o valor de sua casa agora vale 700 mil eles conseguem renegociar sua dívida e ainda ficando com 200 mil dólares de saldo.  Com o dinheiro sobrando, compram um carro novo, novos móveis para o quarto. Meses depois o valor da casa sobe para 900 mil. Mais um carro (toda família americana tem que ter, ao menos, dois carros), um computador novo, quem sabe uma viagem para a Europa.

Só que as notícias são intrigantes: muitas pessoas não estão conseguindo quitar seus empréstimos. Mais e mais. Todos os dias o número aumenta. Até que um dia alguém dá o alarme: a maioria desses empréstimos foram feitos para pessoas sem condição de honra-los.

O que os bancos fazem? Fecham a torneira. Não emprestamos mais. Com a súbita perda de demanda os preços dos imóveis despencam. Simples conceito de oferta x procura. Se não há ninguém para comprar, não há valor. O imóvel da família que custava 900 mil passa a valer menos dos 300 mil iniciais. E agora? Agora a família possui um imóvel que vale menos de 300 mil com uma prestação de um imóvel de 900 mil. Para piorar os juros sobem. Prestações ficam mais caras do carro, da viagem, dos móveis novos.

Não há dinheiro, nem mesmo vendendo a casa consegue-se pagar as hipotecas realizadas. Seguradoras falem, bancos vão para o buraco. Políticos são reeleitos, afinal a culpa não é deles. É do liberalismo. É da falta de regulamentação. É do mercado. Executivos das empresas que emprestaram dinheiro sem o devido cuidado são investigados. Esses mesmos executivos agora fazem parte do governo atual. Empresas que deveriam falir, ganham polpudas somas de dinheiro. Os bônus a esses executivas continuam a fluir com o dinheiro dos impostos.

Mas a culpa é do mercado dizem eles. Mas eu pergunto: quem é o mercado?

Malditos tea parties.

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Crise Grega – Resposta ao Post do Maia

maio 11, 2010 7 comentários

Maia, eu achei todas as explicações extremamente simplistas demais. Essa crise possui raízes históricas muito mais profundas do que se está dizendo. O que chegou mais perto foi o Delfim. O Marcos Nobre é um boboca. Se o que ele falou estivesse certo a Alemanha estaria em uma situação tão ruim quanto a Grécia. Parece que não lhe diz nada o fato de que os países com problemas sejam justamente aqueles que saíram de uma situação onde mesmo antes do Euro a bagunça fiscal já imperava. A situação social de Portugal, Espanha, Grécia e Itália melhorou muito somente APÓS o ingresso na zona do euro e não antes.

A estratégia da Europa também é totalmente diferente da estratégia dos EUA. O Paulo Guedes escreveu em sua última coluna sobre isso. O maior temor dos EUA era a Grande Depressão, por isso o governo joga dinheiro no mercado, baixam os juros. Tudo para que os ativos voltem a ter os mesmos valores que os de antes da crise. A Alemanha e o BC europeu fizeram algo diferente, o dinheiro servirá para forçar uma austeridade fiscal na Grécia (é só ver as medidas tomadas) e a disciplina fiscal. Já estão observando e controlando a Espanha e Portugal. A Irlanda saiu na frente e antes mesmo da Alemanha se meter já tinha tomado às medidas necessárias.

Ele está certo que o modelo social-democrata europeu custa muito. É verdade. Mas pode ser conseguido mesmo no dia de hoje. A bobagem é comparar com o modelo americano com a clara intenção de dizer que o europeu é melhor. Não é. Como o americano também não é melhor que o europeu. São modelos diferentes para povos com culturas diferentes. Enquanto os europeus estão acostumados com índices de 15%, 20% de desemprego, isso nos EUA é morte. Enquanto os europeus estão acostumados com 45%, 50% de imposto, isso nos EUA é morte. A diferença é que a Alemanha é o maior exportador do mundo (pelo menos até 2008), é um país eficiente em todas as áreas. Um país que se acostumou ao longo de sua turbulenta história a economizar, a não gastar o que não tem.

A falta de conhecimentos históricos e ranços (qualquer um que fala em “neoliberal” é um bobo velho) não deixam pessoas como o Nobre pensarem direito.

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Resposta ao PAX

maio 6, 2010 7 comentários

Há uma tremenda quantidade de desinformação proposital sobre esse assunto. Inicialmente devemos separar o joio do trigo.

Quando essa confusão toda começou, principalmente com o panfleto travestido de documentário do Al Gore o termo usado era Aquecimento Global. Quem viu o panfleto viu um monte de dados supostamente científicos, tivemos a certeza que iremos arder na chama do fogo de nossa presunção.

Pois bem, como bom cético, comecei a estudar o assunto. Basicamente a alegação dos alarmistas é de que há uma relação DIRETA entre a quantidade de carbono na atmosfera e o aumento da temperatura na Terra. Acho que não há dúvida entre ninguém que esse é o mote dos alarmistas.

A coisa começou a feder quando foi apurado que mesmo com a quantidade de carbono na atmosfera aumentado, a temperatura média parou de subir em 1998. Pior, desde 2000 a temperatura no planeta tem caído. Medições feitas por satélites disponíveis a TODOS na Internet.

Por outro lado, muitos dos dados usados pelos alarmistas são conseguidos através de medições feitas por estações em terra. Agora vejam as imagens abaixo.

Notem a proximidade do Ar Condicionado

 

Notem a saída do exaustor

 

Muitos dos termômetros usados são instalados (propositalmente?) próximas a saídas de ar condicionado e/ou exaustores. Não é preciso ser um gênio para entender que isso irá distorcer os dados gerados por esses aparelhos.

Como afirmei a partir do ano 2000 as temperaturas médias na Terra não só pararam de crescer como começaram a cair. Isso colocou por terra o termo Aquecimento Global apesar de muitos ainda, depois de toda propaganda continuar a utiliza-lo. O novo mote se tornou Mudanças Climáticas, algo muito mais abrangente. A Climatologia é uma ciência muito nova, sabemos muito pouco a respeito da dinâmica do clima no planeta. Veja bem, uma das confusões que se faz é misturar Clima com Tempo. São duas coisas bem diferentes. E porque mudar o termo? Justamente porque ele é tão abrangente que cabe qualquer coisa.

Como os dados coletados e até mesmo as provas empíricas estavam contra os alarmistas (por exemplo, em seu panfleto Al Gore de maneira bem cafajeste usou o Katrina para provar o “mal” que o ser humano estava fazendo. Previu que na próxima temporada de furacões o número assim como a intensidade seria muito maior. O que aconteceu foi que não houve nenhuma mudança nem na quantidade e muito menos na intensidade dos furacões. Voltarei ao assunto Katrina depois), decidiram mudar para Mudanças Climáticas.

Ora, qualquer um que já abriu um livro de história sabe que SEMPRE houve Mudanças Climáticas no Planeta. A verdade é que o normal no planeta é haver constantes Mudanças Climáticas. A Terra já foi mais quente do que é hoje, já foi mais fria do que é hoje, já teve uma quantidade maior de carbono na atmosfera do que tem hoje. Gosto muito de usar o exemplo da Groelândia que em inglês é chamada de Greenland, ou se Terra Verde. Atualmente é difícil de ver partes verdes na Groelândia, é praticamente um bloco de gelo. Mas quando os vikings a colonizaram era uma terra fértil. Com o passar do tempo devido às mudanças no clima a Groelândia ficou muito fria e os vikings tiveram que sair de lá. Há outros exemplos de como o clima e suas mudanças alteraram o curso da história da humanidade. A Revolução Francesa aconteceu durante uma seca europeia que dizimou os estoques de alimentos. A peste bubônica também aconteceu durante uma era de aquecimento na terra, já que a quantidade de alimentos não era suficiente para os roedores e as pulgas que carregaram o patógeno procuravam humanos, transmitindo assim a doença. Em compensação o clima mais quente na Europa permitiu que a Inglaterra se desenvolvesse, cultivasse uvas até no norte do país.

A minha intenção agora foi: a) mostrar que a teoria de Aquecimento Global Endógeno (causado pelo homem) nem de longe é um fato científico e b) que Mudanças Climáticas são fatos corriqueiros no Planeta Terra e não algo inesperado ou manipulado pelo ser humano.

Mas e aí? Será que o ser humano não possui nenhuma parcela nisso tudo? Possui, e muito. Aqueles que costumam criticar os céticos dizem que “eles não querem fazer nada”, que “são aliados a indústrias poluidoras”. Isso está muito longe de ser verdade. A questão toda é o foco.

Ao culpar o ser humano pelo aquecimento global e eleger um vilão – o carbono – acontece um desvio de trilhões de dólares para programas e para toda uma nova indústria de troca de créditos de carbono. Perceberam o truque? Mas onde está a responsabilidade do ser humano?

Está em toda a parte. Nos rios assoreados, nas lagoas poluídas, nas construções nas encostas, na poluição jogada no ar, no uso indiscriminado de agrotóxicos, na pesca predatória.

Voltando ao Katrina, vocês acham que o desastre de Nova Orleans causado por um furacão que atingiu a costa na categoria um ou por conta da falta de manutenção dos diques? Bush afirmou que ninguém esperava que fossem rompidos, porém vários relatórios já demonstravam que a situação dos diques era precária.

Vocês acham que a culpa das enchentes em SP e no Rio é da chuva ou da falta de planejamento urbano que cobre toda a cidade com asfalto impedindo que a água penetre no solo ou na falta de ordenamento que permite construções ilegais nas encostas no Rio?

É dessa forma que o ser humano altera a geografia. Não o clima. Tijuca, bairro onde moro no Rio de Janeiro, significa lamaçal em Tupi. Os índios bem antes da chegada dos portugueses já sabiam que era uma área que costumava alagar. Há alguma novidade para alguém que é um dos bairros mais atingidos pelas chuvas?

Não é verdade que os céticos acham que nada deva ser feito. A questão é o foco, o direcionamento dos recursos a serem gastos. O direcionamento dos nossos impostos. Será que continuaremos a subsidiar energia eólica quando essa já se mostrou incapaz de entregar aquilo que promete? Ou será que vamos gastar dinheiro desenvolvendo unidades nucleares menores e mais seguras (algo que já está sendo feito)? É esse debate que deve existir, sem o alarmismo e o medo que tentam incutir nas pessoas com o único motivo de ganhar dinheiro. E por isso o assunto é sim político, pois política e economia andam de mãos dadas.