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Como os governos criam as bolhas.


Imagine uma família americana querendo comprar uma casa própria no valor de US$ 300 mil dólares. Procura-se um banco, analisa-se o crédito, um empréstimo é concedido. Imagine que no período seguinte, com o benevolente intuito de aumentar o número de americanos com casa própria, o governo baixe os juros, force bancos através de legislações a conceder mais empréstimos imobiliários, dê diversos incentivos fiscais para que os custos das prestações sejam deduzidos no imposto de renda. Venda, venda mais. Empreste, empreste para qualquer um. Afinal de contas, o dinheiro está barato. E, além disso, há duas empresas paraestatais que fazem o seguro desses empréstimos, o governo garante tudo. O risco que era nosso, agora é do governo.

Como consequência o número de americanos procurando casas para morar aumenta, porém existe um lapso de tempo entre novas construções e o aumento da demanda. O preço das casas aumenta. Aquela casa que valia 500 mil dólares hoje vale 700 mil dólares. E os juros estão mais baixos. O que a família faz? Uma nova hipoteca. Como o valor de sua casa agora vale 700 mil eles conseguem renegociar sua dívida e ainda ficando com 200 mil dólares de saldo.  Com o dinheiro sobrando, compram um carro novo, novos móveis para o quarto. Meses depois o valor da casa sobe para 900 mil. Mais um carro (toda família americana tem que ter, ao menos, dois carros), um computador novo, quem sabe uma viagem para a Europa.

Só que as notícias são intrigantes: muitas pessoas não estão conseguindo quitar seus empréstimos. Mais e mais. Todos os dias o número aumenta. Até que um dia alguém dá o alarme: a maioria desses empréstimos foram feitos para pessoas sem condição de honra-los.

O que os bancos fazem? Fecham a torneira. Não emprestamos mais. Com a súbita perda de demanda os preços dos imóveis despencam. Simples conceito de oferta x procura. Se não há ninguém para comprar, não há valor. O imóvel da família que custava 900 mil passa a valer menos dos 300 mil iniciais. E agora? Agora a família possui um imóvel que vale menos de 300 mil com uma prestação de um imóvel de 900 mil. Para piorar os juros sobem. Prestações ficam mais caras do carro, da viagem, dos móveis novos.

Não há dinheiro, nem mesmo vendendo a casa consegue-se pagar as hipotecas realizadas. Seguradoras falem, bancos vão para o buraco. Políticos são reeleitos, afinal a culpa não é deles. É do liberalismo. É da falta de regulamentação. É do mercado. Executivos das empresas que emprestaram dinheiro sem o devido cuidado são investigados. Esses mesmos executivos agora fazem parte do governo atual. Empresas que deveriam falir, ganham polpudas somas de dinheiro. Os bônus a esses executivas continuam a fluir com o dinheiro dos impostos.

Mas a culpa é do mercado dizem eles. Mas eu pergunto: quem é o mercado?

Malditos tea parties.

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Categorias:Atualidades Tags:
  1. André
    maio 12, 2010 às 7:15 pm

    E qual é a solução?

    • vilarnovo
      maio 12, 2010 às 7:30 pm

      Acabar com subsídios, manter os juros em seus reais valores, acabar com as garantias para empresas paraestatais (Fannie Mae e Fredie Mac), acabar com o ridículo discurso de “too big to fail”.

      Punir os mal investidores com a falência.

  2. maio 13, 2010 às 3:16 am

    Olá!

    Muito bom o post, Vilarnovo! Você deveria fazer um trabalho de ghostwriter lá no blog do Pax. 🙂

    Até!

    Marcelo

    • vilarnovo
      maio 13, 2010 às 12:55 pm

      Eu participo bastante lá do Pandorama. Sempre é um bom exercício.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraços

  3. maio 13, 2010 às 3:28 am

    Olá!

    É um tanto engraçado ver os esquerdistas e demais simpatizantes do Welfare State ao estilo escandinavo reclamando da atual crise na Grécia. Eles dizem que a culpa é do neoliberalismo/liberalismo e dos banqueiros gananciosos, sedentos por lucros astronômicos e sem nenhuma preocupação com a tal da justiça social.

    É uma gente com pouca autocrítica, pelo visto.

    Até!

    Marcelo

  4. maio 15, 2010 às 1:06 pm

    Pablo,

    Já mencionei antes, mas insisto que, apesar de seu bom texto, o importante não é o modo como as “bolhas” são criadas mas, sim, sua motivação.

    No meu blog consta, desde 22/09/08, o texto “o caminho da crise”, onde exponho os antecedentes geradores da necessidade de expansão creditícia artificial e geradora da tal “bolha”.

    O “mercado” se beneficiou dos fatos, claro, mas a origem da questão é puramente política e a atual crise é muito maior do aque aparenta, exatamente porque é estrutural. Os próprios mecanismos utilizados para “sanar” temporariamente o sistema financeiro, através de transferências monetárias, implicam na reedição futura ( a médio prazo) de novas artificialidades, com resultados momentaneamente satisfatórios e posteriormente desastrosos.

    É só esperar para ver.

  5. D.
  6. marcos moraes
    maio 16, 2010 às 12:34 pm

    Vc está sempre lá, mas eles nunca estão aqui para discordar.

    Reflexões como esta, lá, são ferozmente combatidas. No entanto, aqui, não aparece nnguém.

    MAM

  1. julho 27, 2010 às 6:05 pm

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