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Maldito ano eleitoral


Ano eleitoral para mim é um desastre. Não tenho saco para acompanhar o debate político no Brasil. Quer dizer, isso se houvesse um. Não é novidade para ninguém que aqui no Brasil troca-se seis por meia dúzia. Um é pior do que o outro. Concordo que a coisa piorou bastante nos últimos anos, durante o governo do PT. Politicamente falando. Alguns poderiam dizer que “é a economia, estúpido”. E essas pessoas estão certas.

Eu perdi qualquer otimismo por esse país. Antes de o Lula assumir algumas pessoas me perguntavam se o país daria errado. Eu falava que não. Mas que o Brasil também não possuía a menor chance de dar certo.

Nosso povo perdeu qualquer noção do que é certo e do que é errado. As coisas acontecem e nos deparamos com uma completa falta de vergonha. Não só dos políticos, mas da sociedade como um todo e, principalmente, das instituições do Estado e da elite econômica. Vamos a alguns exemplos:

Tudo começou com o suborno de deputados federais pelo poder executivo realizado pelo PT. Não me venham com essa história de mensalão. Isso caiu como uma luva para suavizar o que realmente aconteceu. Corrupção e suborno. O que o PT fez foi uma ataque direto ao Estado de Direito. Não há nenhuma outra leitura sobre o caso. A oposição se calou. Fez uma festinha aqui e outra ali, mas abdicou totalmente de realizar o que deveria ter feito.

Agora estamos vendo a total falta de segurança com nossos dados que deveria ser sigilosos. A facilidade que esses dados aparecem nas mãos de políticos é escandalosa. Por favor, alguém consegue me dizer em que país desenvolvido isso aconteceria sem que NINGUÉM estivesse preso e aguardando julgamento?

Retirem a roupa partidária por um instante e comparem o que aconteceu nesse país nos últimos oito anos com Watergate. Só por um instante. O final de Watergate foi a renúncia de um presidente. E aqui, que final haverá?

Nossa elite econômica é uma graça. Temos um empresário se candidatando por um partido socialista. Isso é mais representativo do que muitos pensam. Nossos grandes empresários adoram o Estado. Adoram um empréstimo do BNDES. Adoram nosso dinheiro dos impostos.

Agora ensaiam uma volta ao tempo dos militares. Desejam uma nova reserva de mercado. Querem ficar soberanos, nos roubando os impostos e nos oferecendo produtos de segunda linha enquanto contam seus lucros fabulosos.

Mas o pior de todos é o povo. Outro dia em um treinamento, a palestrante afirmou que sentia vergonha de explicar a Lei da Ficha Limpa para estrangeiros. Sentia vergonha em explicar que precisávamos de uma lei para impedir que políticos corruptos se candidatassem. Ela está errada. O mais triste me nosso país é que é necessária uma arbitrariedade, uma violência do Estado em nosso direito de livre escolha para que as pessoas parem de votar em político ladrão. Isso que é o mais triste. E é por isso que o voto SEMPRE será obrigatório nesse país.

Ganhe quem ganhar Dilma ou Serra o país permanecerá o mesmo. Não importa. São farinha do mesmíssimo saco. Nenhum deles fará absolutamente nada para que esse país dê certo, pois isso significa imediatamente que eles irão se tornar carta fora do baralho.

Ou seja, mais um ano de martírio. Mais um ano vendo pessoas inteligentes se rebaixarem a meros “quadros” eleitorais. Para que? Só para dizer que o time ao qual torciam foi vencedor. Maldito país do futebol.

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  1. André
    agosto 26, 2010 às 7:58 pm

    Mas então o fenômeno é mundial. As consequências da mentira no caso Watergate foram muito mais leves que as consequências da mentira para a Guerra do Iraque. Já as consequências políticas foram inversamente proporcionais.

    Os empresários estão no papel deles em querer mordomia, cabe a quem paga a conta dizer não em alguns casos e sim em outros.

    Não recrime tanto quem vota naquele que rouba mas faz. De uma perspectiva histórica você está certo, mas nossas carências são muitas, tente ver pelo ponto de vista de quem precisa da presença do Estado.

  2. vilarnovo
    agosto 26, 2010 às 8:01 pm

    Mas a questão é exatamente essa André. Não é que precisamos do Estado. O Estado deve trabalhar para nós. Pagamos por isso. Não é de graça. OEstado só existe porque nós permitimos que ele existe. É justamente isso que o povo brasileiro não consegue entender.

  3. agosto 26, 2010 às 9:12 pm

    Belo texto, Pablo que diz tudo. É a economia que leva o governo do nosso deus presidente aos altos índices de popularidade.
    A mesma economia que o próprio PT sempre criticou.
    Não importa se os aloprados fizeram isso e aquilo, que acessaram dados sigilosos de políticos da oposição. fato que seria um escândalo nos países socialmente desenvolvidos. Mas isso aqui não tem nenhuma importância. O que importa é que o povo brasileiro parece estar satisfeito com as migalhas do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida, do Pro Uni etc. até mesmo porque nenhum governo fez algo similar. E Lula virou mesmo um deus que cooptou para o seu lado os mais variados políticos. Ontem vi o governador de Mato Grosso, maior plantador de soja do país, com sorriso no rosto ao lado de Dilma. O PT através do BNDES e seu crédito facilitado estão cooptando os empresários. Isso também ocorre na Venezuela chavista. Chávez compra tudo o que está na sua frente e concede bons preços. Não é a toa que existe hoje na Venezuela apenas uma rede de televisão oposicionista. As outras ou foram fechadas ou foram cooptadas por Chávez. E assim caminha o Brasil.

    • vilarnovo
      agosto 26, 2010 às 9:30 pm

      Maia, sei que muitos não gostam quando citamos Hitler e os nazistas. Mas há muitíssimo a se aprender com a Segunda Guerra. Tudo o que vivemos hoje é derivado daquele conflito.

      O adolfinho uma vez falou algo assim:

      “Eu não preciso socializar indústrias. Socializo as pessoas”

  4. Igor T.
    agosto 26, 2010 às 9:51 pm

    “OEstado só existe porque nós permitimos que ele existe.”

    Tem gente que acha o contrário. E se ufana disso.

    • vilarnovo
      agosto 26, 2010 às 10:08 pm

      Igor, isso vai da nossa cultura ibero-católica na qual sempre existira a figura de uma entidade superior, um “pai”, um “senhor” que nos guiará pela vida.

      Enquanto não houver um real sentido de individualidade no Brasil esse país não irá para frente.

      Muita gente confunde individualidade com “cada um por sí”. Não é bem por aí. Por isso que o liberalismo não é facilmente entendido pelas massas.

      Todas as leis devem partir do indivíduo, no respeito ao indivíduo e depois ir para a sociedade. Não se rouba alguém não porque é crime contra a sociedade. Não é permitido roubar pois isso é contra o direito individual de propriedade.
      Não se deve poluir um rio pois eu como indivíduo o uso. Não se deve soltar balões pois o incêndio pode atingir minha casa.

      Não existe sociedade sem o indivíduo. Assim como não existe Estado sem o indivíduo.

  5. agosto 31, 2010 às 6:29 pm

    Olá!

    Vilarnovo, acho que este post pode lhe interessar.

    Até!

    Marcelo

    • vilarnovo
      agosto 31, 2010 às 8:42 pm

      Marcelo,

      Mais uma vez um trabalho impecável.

      Parabéns!

  6. agosto 31, 2010 às 10:33 pm

    Olá!

    Obrigado, Vilarnovo!

    Até!

    Marcelo

  7. setembro 1, 2010 às 12:48 pm

    Olá!

    Vilarnovo, certa vez você afirmou que Marx utilizou dados enviesados (com mais ou menos 20 anos de atraso) para construir a “teoria” dele. Você poderia, por gentileza, fornecer a fonte onde você obteve essa informação? Que tal se você fizesse um post sobre esse assunto?

    É algo bastante interessante e curioso.

    Até!

    Marcelo

  8. vilarnovo
    setembro 1, 2010 às 2:55 pm

    Vou procurar aqui. O que sei foi que ele utilizou dados antigos. Mas vou procurar o artigo que eu li.

  9. setembro 1, 2010 às 5:18 pm

    Olá!

    Obrigado pelo link, Vilarnovo!

    Parece que os dados enviesados o Marx obteve nos livros azuis do Museu Britânico. Aliás, apóiem está singela campanha!

    Até!

    Marcelo

  10. Eben fernando
    fevereiro 25, 2012 às 7:15 pm

    Eu taben a cho um saco

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