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O ano do Big Brother


Nunca em nossa recente história demográfica uma eleição foi tão carregada na popularidade quanto essa. Cada vez mais candidatos utilizam a imagem para angariar votos frente a qualificações e projetos administrativos. Logicamente a imagem sempre foi parte do jogo político, vende um político como vende um amaciante de roupas. A imagem se tornou o maior trunfo. Por exemplo, um conhecido jogador de futebol carioca foi eleito com quase 150 mil votos. Ele também possui vasta coleção de dívidas pessoais. Impostos, pensões alimentícias (que já o colocou na cadeia), trapalhadas com a Receita Federal. Mas em momento nenhum passou na cabeça de um eleitor que uma pessoa que não consegue nem mesmo controlar seu orçamento pessoal seja incapaz de manejar de forma adequada o imposto que pagamos. Bom, pelo menos ele e o gênio da área.

Outro exemplo foi o campeão dos votos. Pior não fica. Fica sim. Podem apostar. Mas de quem é a culpa disso tudo. Primeiramente a culpa é dos eleitores. São eles que elegem essas pessoas. Não se dão ao trabalho de realizar qualquer tipo de análise. Votam como estivessem votando no Big Brother. No dia seguinte vão se vangloriar com os amigos dizendo que o deputado em que votaram foi eleito. Dois anos seguintes nem mais vão se lembrar em quem votaram.

Outro culpado é a Justiça Eleitoral. As regras atualmente existentes acabam com qualquer tentativa de debate político sério. O tempo para as candidaturas é muito pequeno. Somente a partir de Julho é iniciada a propaganda eleitoral. Porque isso? Porque esse tempo tão curto para um candidato se apresentar, apresentar seus projetos? Com as novas mídias, principalmente a internet, porque não estender esse prazo para um ano antes da eleição? Qual é o problema nisso? Com o prazo atual ficará cada vez mais difícil um novo candidato com novas ideias surgir. Ainda mais no conceito de democracia em que temos onde o partido é mais importante que o candidato. Isso facilita a essas pessoas de grande popularidade pular na frente. Elas já são conhecidas. E por outro lado limita sobremaneira o debate político, com candidatos sendo apresentados em propagandas na TV com segundos de participação. Quem vai conseguir apresentar um projeto político em segundos? Essa curta campanha prejudica candidatos com pouco dinheiro. Eles são obrigados a usar seus parcos recursos em um curto período de tempo, porem quando fazem já largam atrás de outros com grandes orçamentos ou ascendência partidária.

Essas curtas campanhas beneficiam sobremaneira o uso da máquina estatal nas campanhas. Da mesma forma de defendo que o processo político, que as campanhas comecem um ano antes das eleições, também defendo que o prazo de descompatibilização de cargo político seja estendido para um ano também antes das eleições.

A eleição atual mostrou claramente o uso da máquina estatal na campanha. Com o atual presidente recebendo diversas multas por antecipação de campanha. E fazendo pouco caso disso.

Isso tudo poderia mudar em razão da reforma política ignorada pela atual legislação e atual executivo. Acontece que eles (os políticos) não têm motivos nenhum para fazer isso. Se foram eleitos, foram com as regras atuais. E para que mudar o que deu certo? Afinal, pior não fica.

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