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Quando a máscara cai


Recentemente entrei em um debate lá no Relances com um rapaz. O debate era sobre cotas, racismo e coisas desse gênero. Ele possuía posições diferentes das minhas, digamos mais a esquerda. Até então não poderia dizer que ele era de esquerda, pois não o conheço o suficiente e acho, sinceramente, que pessoas podem ter posições diferentes das minhas em certos pontos e mesmo assim não ser consideradas de esquerda.

Mas uma coisa que caracterizou o debate foi como ele se desenvolveu. No início era algo interessante e até amistoso, uma troca de ideias de pessoas com visões diferentes de um assunto. Não sei se foram meus argumentos ou a falta dos argumentos dele que fez com que o debate fosse ladeira abaixo.

Engraçado como certos tipos de pessoas estão acostumadas a terem suas opiniões como verdades universais. O contraditório é logo uma afronta, uma violência. Não conseguem entender que há visões diferentes no mundo. De maneira nenhuma estou dizendo que eu estou certo e que ele está errado. Mas porque será que sou obrigado a aceitar ideias que não considero válidas, pois não considero válidos os argumentos apresentados?

Como não poderia deixar de ser com esse tipo de pessoa, o respeito foi embora. Xingamentos, ataques, verborragia tornaram-se os argumentos. Quando há falta de ideias e respeito, a violência vira a única arma.

Logo ficou claro a veia esquerdosa do sujeito. Essa é uma das grandes características desse grupo: a total falta de respeito pela opinião alheia. O que os esquerdosos mais querem é a unanimidade. Essa coisa de contraditório, de opiniões diferentes (das deles, lógico), não é com eles. Eles acham que estão sempre certos e ponto. Quem discorda é logo caracterizado pelos adjetivos que eles adoram chamar os outros, sabendo lógico que esses mesmos adjetivos são os que os caracterizam.

Por isso é cada vez mais importante que o debate de ideias ocorra, nós que nos denominamos liberais, que não somos denominados por ninguém, devemos sempre estar dispostos a entrar em debates como esse. No final das contas a verdadeira face dessas pessoas sempre acaba aparecendo.

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  1. novembro 12, 2010 às 12:36 pm

    Eu já fui de esquerda até o momento em que visitei as duas Berlim em 1986, antes da queda do muro em 1989. Meu sonho socialista ruiu naquele momento. Nossa esquerda sempre coloca um certo ‘limite’ nas discussões. Eles se acham os donos da razão e da boa moral e tentam catequisar com argumentos baratos e simplórios. Se você não entra nessa canoa, começam as agressões: te chamam de reacionário, fascista, de burro, de alienado, de direitista, de simpatizante da ditadura militar e outras besteiras. E hoje na maioria dos blogs da nossa esquerda não existe mais espaço para discussão. E eles adoram uma censura.

  2. novembro 12, 2010 às 2:05 pm

    Não sei se foram meus argumentos ou a falta dos argumentos dele que fez com que o debate fosse ladeira abaixo

    Pelo que eu vi lá, apostaria na primeira opção.

    Você foi arrogante e patronizer com ele, e não entende muito do que ele falou. Você não tem as mesmas premissas que ele, por isso acha que ele é um idiota e tal… mas sério, pega leve. O cara está lá apresentando ideias, discutindo, certamente tem um ponto que muita gente inteligente considera. O tom dele não foi mais grosseiro que o seu.

    Vocês dois escalaram a discussão, juntos. Eu sugeriria reverter isso. No mínimo, aprenderia um pouco mais sobre o que ele pensa e perceberia que também não foi tão gentil quanto se imagina. E olha que concordo muito mais com você.

    De resto, você é muito pouco resiliente a debates acalorados para alguém que se denomina liberal, hein? Mas eu entendo, é difícil manter o sorriso na cara 😛 Só acho que podia tentar um pouco mais…

    • vilarnovo
      novembro 12, 2010 às 2:27 pm

      Sinceramente discordo. Como coloquei no texto, em momento algum digo que eu estou certo e ele está errado. Se procurar lá, deixo bem claro que possuimos visões diferentes sobre o assunto e que respeitava a opinião dele. Em momento nenhum escrevi algo que sequer chegava perto disso:

      “Pois é, esta é nossa diferença – eu não respeito sua opinião. Na verdade, eu te acho muito, muito burro. O pior é que nem é claro que você perceba o quanto você é burro – talvez você ache normal blefar assim; talvez pense que só porque você tem essas opiniões elas são válidas; é bastante claro que você nem entende o que é um argumento.”

      Ou:

      “Exatamente, você é tosco.”

      Então, não, não considero que foi algo parecido. Não, em momento algum fui grosseiro com ele. Conheço muito bem a diferença de alguém que defende de forma vigorosa seus argumento para alguém que cai na baixaria. E sim, entendo muito do que ele fala. Os argumentos deles são iguais a trocentos que eu vejo por aí, não diferem em muita coisa. Apenas eu discordo. Eu me reservo esse direito.

  3. novembro 16, 2010 às 12:51 am

    Pablo,

    Como seu texto não informa o teor do debate e tampouco os argumentos de ambos, é difícil comentar o fato. Mas resolvo escrever algo para afastar certas impressões.

    Minhas posições sócio-políticas estão situadas bem mais à esquerda do que a maior parte dos blogs e comentaristas que conheço. No entanto, são muito bem embasadas e filosófica e metodologicamente fundamentadas.

    Quando você menciona, no texto, “a veia esquerdosa do sujeito” ou “esse tipo de pessoa”, para se referir a alguém partidário de posições à esquerda, sua opção apresenta, parece, certo preconceito. Afinal, não existe tipologia humana calcada em posições político-filosóficas. Aliás, tipologias (em geral) constituem conceitos aplicáveis em circunstâncias muito especiais e jamais englobam contingentes formulados “a priori”.

    Já debatemos antes, aqui e no antigo blog que frequentávamos. Jamais você assistiu quaisquer ataques pessoais ou xingamentos por mim formulados contra qualquer outro comentarista. Ao contrário, naquele blog, os xingadores habituais eram os reconhecida e assumidamente partidários da direita.

    • novembro 16, 2010 às 4:20 pm

      É verdade. Acontece que eu conheço pouquissimas pessoas de esquerda onde se consegue um debate de idéias. Há os trolls de direita? Com certeza. Como eu não me considero de direita talvez não os olhe com o mesmo rigor. Mas também não vou escapar e dizer que, pelo menos em minha opinião, esse tipo de beligerância é sim uma característica da esquerda. Ora, é só ver as coisas que acontecem no Brasil e não só nos debates na Internet. Nos protestos nas ruas, nas “greves” em universidades, nas críticas a qualquer pessoa que fuja do que eles consideram “socialmente justo”. Como podemos ver a reação aos protestos em relação ao ENEM.

  4. André
    novembro 17, 2010 às 4:00 pm

    Eu acompanhei o debate e acho que o LM pegou um pouco pesado (o estilo até lembrou um pouco o RA), mas as questões que ele levantou não foram respondidas. Por exemplo, mas um ponto importante que eu vejo sempre nas discussões sobre cotas, e que o LM tenta desmontar, é que as políticas de cotas suprimem a meritocracia. Não só você, mas os demais debatedores (todos de muito bom nível até a entrada de um troll moderadamente iludido) também não se preocuparam em argumentar contra.

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