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Omo lava mais branco…


Há algum tempo que eu não escrevo nada sobre o tema Aquecimento Global / Mudanças Climáticas. Mas ao ler a reportagem do jornalista Marcelo Leite da Folha de São Paulo não pude resistir.

A matéria comenta sobre uma entrevista que o jornalista afirmou ser “reveladora” do Sr. Phil Jones à revista Nature. Para quem não conhece, Phil Jones era o cientista responsável pelo CRU (Climatic Research Unit), unidade de pesquisas sobre o Clima da Universidade de East Anglia no Reino Unido. O Sr. Jones foi o pivô do escândalo denominado Climategate quando emails foram vazados para a imprensa demonstrando a forma de atuação do Sr. Jones e colegas nas questões científicas quanto ao Aquecimento Global /Mudanças Climáticas.

A reportagem pareceu bastante com as que o Sr. Jones mandava jornalistas fazerem como foi demonstrado nos emails.

Primeiramente o jornalista usa o artifício de chamar a entrevista à Nature como “reveladora”. Opa! Quem lê já acha que vai encontrar algo fabuloso a seguir. Ledo engano. Começa o jornalista:

“Acusado de manipular e ocultar dados e de distorcer a ciência ligada ao aquecimento global, a partir de e-mails furtados por hackers dele e de seus colegas, Jones foi inocentado.”

Primeiramente já é tido como certo que os emails não foram hackeados por algum malvado gênio do computador e sim por alguém de dentro da própria instituição. O fato de um jornalista da BBC  afirmar que já possuía esses emails bem antes de serem divulgados corrobora essa teoria. Mais um aspecto foi o manifesto de quem divulgou os emails. O autor dizia: “Segue uma seleção randômica de email, documento e códigos. Espero que isso dê alguma perspectiva da ciência e dos homens por de trás dela.”.

Para mim está mais que claro que foi o caso de algum cientista que discordava dos métodos adotados pelo Sr. Jones e equipe.

O jornalista também afirma que o Sr. Jones foi inocentado. A suposta inocência do Sr. Jones é baseada em uma lavanderia. A única intenção dos processos foram lavar a reputação do Sr. Jones e com ela toda a teoria do aquecimento global, a despeito de todas as evidências científicas. A Global Warming Policy Foundation que é um Think Tank (cujo o autor coloca na categoria de coisas ruins, más, feia e boba) emitiu recentemente um relatório  que dizia entre outras coisas que:

“A falta de imparcialidade manisfestou-se de diferentes maneiras durante as investigações sobre os cientistas do CRU e suas críticas. Enquanto as justificativas do CRU eram aceitas sem nenhuma verificação séria, eram negadas às criticas a oportunidade de responderem e de demonstrarem as falsas alegações”.

Resumindo: foi uma tremenda forma de lavar reputações. Inclusive da revista Nature, essa mesmo onde o Sr. Jones concedeu a entrevista. A Nature é uma das revistas que aparecem nos emails como uma das publicações que ajudavam ao Sr. Jones na disseminação de suas ideias como se fossem a verdade única. Ela fazia isso recusando sistematicamente qualquer trabalho científico que contrariasse a ótica do CRU (e ao fazer isso, juntamente com outras publicações passavam a errada noção de que todos concordavam com a matéria e de que poucos cientistas discordavam de Jones como veremos a seguir).

O jornalista prossegue:

“O abatimento de Phil Jones mostra como o pesquisador médio está mal preparado para enfrentar a guerrilha movida pelos “céticos do clima”, que defendem que o aquecimento causado pelo homem não existe”.

Aqui falta o jornalista colocar uma auréola na cabeça de Jones. Chamar Jones de “cientista médio” é sacanagem. É forçar muito a barra. Jones é um dos cientistas mais importantes no assunto. Comandava uma das quatros instituições que mandavam e desmandavam na ONU em relação ao assunto. E de que guerrilha ele está falando? O simples fato de pessoas discordarem sobre um assunto e exporem os erros, as falcatruas, as negociatas de cientistas é chamado de guerrilha?

Mais uma coisa: a premissa do jornalista está errada. As pessoas que não defendem que “o aquecimento causado pelo homem não existe”. Isso é mais uma invenção típico daqueles que querem colocar frases na boca dos outros. O que os céticos defendem que o aquecimento antropogênico, isso é, o aumento da media GLOBAL das temperaturas não é relacionado a quantidade de carbono na atmosfera. Qualquer um que discorde das opiniões do Sr. Jones poderá afirmar sobre as ilhas de calor, que são aumento de temperatura causada pelo calor emitido por cidades principalmente. Há uma enorme diferença entre os assuntos.

Agora vem a parte de que mais gosto:

“Eles têm por objetivo central plantar uma semente de dúvida na ciência do clima, no que são auxiliados pelas incertezas inerentes à atmosfera”.

Qualquer cientista que se preze, qualquer um que queira seguir a carreira da ciência sabe, ou deveria saber é que não existe verdade incondicional. A mentira do jornalista baseia-se na falsa premissa de que os céticos querem “plantar uma semente da dúvida na ciência do clima”. É lógico! Isso é ciência! Ciência não é chegar a conclusões por aclamação ou por popularidade. Baseia-se em evidências, em fatos científicos. Não é culpa dos céticos que tanto as evidências quanto os fatos científicos desmentem os cientistas do CRU.

A matéria do jornalista Marcelo Leite é cheia de desinformação, opiniões pessoais, carregada ideologicamente. Adota falsas premissas e mentiras como fato. Coisas que poderiam ser desmascaradas em dois minutos de pesquisas sérias.

Pelo menos há algo de bom. Os poucos comentários sobre a matéria no site da Folha de São Paulo demonstram que as pessoas não mais se deixam levar por esse tipo de panfleto travestido de matéria jornalística.

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  1. novembro 18, 2010 às 10:16 pm

    E olhe que a “lavagem masi branco” já chegou a sociedade. Massacrada (pela mídia) diarimente com informações pr´so e contras as Mudanças Climáticas, ela está se afastando do problema. Será que alguém acredita que a sociedade “desligada” é uma solução? Ou será que esta é uma forma de fazer prevalecer a opinião (decisão?) dos ditos “iniciados”? Não vejo um final feliz para este processo.

    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

    • vilarnovo
      novembro 19, 2010 às 10:27 am

      Não mesmo. E sinceramente, muito por culpa dos ambientalistas que embarcaram nessa mentirada. O jogo todo virou um processo político / financeiro. A questão envolve uma indústria de trilhões (isso mesmo trilhões) de dólares no comércio de crédito de carbono. É isso que interessa a gente como George Soros por exemplo. Al Gore por exemplo.

  2. novembro 19, 2010 às 11:11 am

    Concordo que estamos diante de um processo TÉCNICO, político e financeiro. Como em todo processo, há os que se aproveitam das oportunidades para focar unicamente o lado financeiro. Mas não há como negar que o planeta está aquecendo, sob pena de refutar os registros realizados por diferentes grupos de cientistas, ou seja, um aspecto essencialmente técnico. Do ponto de vista político os Governos dos grandes emissores de CO2 tem dificuldades em adequar suas economias a este novo contexto. Ou seja, sobra (livremente) a ação do grupo que se dedica ao aspecto financeiro. Se as Mudanaçs Climáticas é um processo que caracteriza uma grande farsa; vamos derrubá-la; se é verdade, vamos discutí-la. Continuar na fase dos “prós e contras” é ajudar, unicamente, os que vivem (e sobrevivem) da polêmica.

    Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
    roosevelt@ebrnet.com.br

    • vilarnovo
      novembro 19, 2010 às 2:40 pm

      Ai que está o caso Roosevelt. Há sim como provar que o planeta NÃO está aquecendo. E é aí que a porca torce o rabo. O planeta parou de aquecer por volta do ano de 1998. A partir do ano 2000 as temperaturas têm caído constantemente. E os dados estão aí. Outra coisa é dizer que há “diversos grupos de cientistas”. Isso não é verdade. Há poucos institutos no mundo que controlam as pesquisas sobre o clima. Três ou quatro. Os demais cientistas utilizam os dados fornecidos por esses institutos, sendo o CRU um deles.
      O que na verdade o maior risco que estamos a correr é de um resfriamento global por conta da atividade solar. Como pode ver no artigo abaixo:

      http://www.theaustralian.com.au/news/sorry-to-ruin-the-fun-but-an-ice-age-cometh/story-e6frg73o-1111116134873

      O paradigma Carbono x Temperatura foi totalmente descartado da equação da temperatura global. Não existe essa relação direta. Nunca existiu.

  3. André
    novembro 19, 2010 às 2:06 pm

    Os jornalistas deveriam tentar com todas as forças não usar adjetivos em seus textos.
    PS: Recentemente, levei uns 30 minutos para convencer um aluno meu (eng. elétrica) que ele não estava salvando o mundo ao trocar as sacolinhas de plástico pelas de pano.

  4. novembro 19, 2010 às 2:23 pm

    E observe que você estava se relacionando com um estudante universitário. Reflita como fica a sociedade, sem ninguém perto para auxilair, lendo as notícias sobre Mudanças Climáticas que fervilham, todos os dias, na ´mídia. É assustador. Em pesquisa que reaalizanmos recentemente – Região da Grande Vitória (ES) – questionada a sociedade (4 municípios) se “conheciam” termos como “aquecimento global, mudanças climáticas, efeito estufa, biodiversidade, etc”, as respotas positivas foram superiores a 70%; após, em pesquisa complementar, quando perguntado o que estes termos “diziam”, uma frustração. É como analfabeto no Brasil; se sabe escrever o nome pode ser até Deputado (infelizmente, até sem saber escrever o nome). A sociedasde – sem opção – está fazendo a chamada cultura ambietnal da moldura, sem saber o que realmente está no meio do quadro.

    • vilarnovo
      novembro 19, 2010 às 3:36 pm

      Esse é o problema das pesquisas puramente quantitativas. Quando chegam nas qualitativas os resultados quase sempre são diferentes.

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