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Último pitaco sobre o caso Ronaldinho


Você já viu algum dirigente de algum grande clube brasileiro deixar de demitir um atleta pelo seu “amor ao clube”? Por exemplo:

– O Joãozinho não está rendendo o que esperávamos dele, suas partidas estão abaixo do que definimos ideal e isso já acontece há dois anos. Porém a diretoria não irá demiti-lo, pois ele possui um grande amor ao clube.

Hoje há uma grande crítica ao Ronaldinho Gaúcho e o que a imprensa e outras pessoas definiram como leilão. A definição está corretíssima. O que ele e seu irmão Assis fizeram foi sim um leilão. Agora, estaria ele errado? Presidentes de clubes, torcedores, imprensa. Todos esses tem a mania de dizer que “o clube é maior que o jogador”. Mas eu pergunto: o que seria o Santos sem Pelé ou o Coutinho?  Que seria o Flamengo sem o Leônidas ou o Zico? O Botafogo sem Garrinha?  Será que Pelé ou Rivelino não seriam grandes jogadores se não tivessem atuado no Santos e no Corinthians?

O que faz um clube grande é a quantidade de títulos e ídolos que passaram nele. E esses dois pontos convergem em um só: o atleta.

Ainda há uma dificuldade enorme no futebol brasileiro para entender a profissionalização do esporte. Queremos um futebol profissional, mas ainda possuímos a mentalidade amadora. As declarações do presidente do Grêmio, quase que exigindo uma absolvição celestial no caso Ronaldinho demonstra bem isso. O Grêmio, com a história de “amor ao clube” apenas queria contratar o Ronaldinho por um preço mais baixo do que os outros. Só isso. Quem pensou outra coisa só pode sofre de um ingenuidade tremenda. Utilizou dessa estratégia apelando para o sentimento do atleta. Ronaldinho poderia muito bem ter aceitado, mas não aceitou. Isso automaticamente o caracteriza como “mercenário”? E o que seria isso?

As críticas a Ronaldinho e a Assis vêm de todos os lugares. Imprensa, torcedores, clubes. A verdade é que é muito bom, muito legal fazer caridade com o bolso alheio. Ronaldinho poderia aceitar um salário menor do que sabia que outros estariam dispostos a pagar por “amor ao clube”? Claro que poderia. Ele é obrigado fazer isso. Claro que não! Ser um jogador de futebol profissional é um trabalho como qualquer outro. Gostaria de conhecer um caso de um jornalista em que ele recusa uma daquelas propostas irrecusáveis por “amor a sua empresa”. Se o valor que o Ronaldinho Gaúcho pediu fosse considerado acima do retorno oferecido pelo atleta não haveria nenhum clube para contratá-lo. Ninguém iria fazer caridade. Os dirigentes sabem disso.

Quando a lei Pelé surgiu a maior parte dos clubes reclamaram. Era fácil encontrar dirigentes afirmando que com a lei não conseguiriam o retorno do dinheiro que INVESTIAM nos jovens talentos. Ou seja, na hora de vender um jogador um clube o considera um investimento, coloca na balança os custos e os lucros obtidos em sua venda. Porque o atleta não pode fazer o mesmo?

A verdade é que o esporte, principalmente o futebol no Brasil é carregado de sentimentalismo. Por isso a grande dificuldade em transformar clubes em empresas por aqui. Aqui o que manda é o amadorismo. E o mais intrigante é que o clube mais vitorioso da última década é caracterizado como o mais profissional de todos que é o São Paulo.

E por incrível que pareça dos três, Grêmio, Palmeiras e Flamengo, foi o último que agiu de maneira profissional. Soube identificar muito bem quais eram as dificuldades do negócio e onde poderia agir. Foi o único dos três que falou diretamente com o detentor do passe do atleta que era o Milan. Por mais que as dicas estivessem voando, nem o Grêmio nem o Palmeiras conversaram com o clube italiano de forma direta, deixando a negociação com o Assis. O Flamengo foi o único que agiu de acordo com que um time que quer contratar um jogador que ainda está preso por contrato a outro clube: conversar com o seu empregador. Assis é tão somente o empresário do Ronaldinho, cabe a ele conseguir o melhor contrato para seu representado, mas ele não era dono do passe do Ronaldinho. O Milan sim.

Esse caso deixou lições valiosas para quem quiser aprender. Não só no futebol mas em outras situações parecidas. Nos dias de hoje não existe mais “amor ao clube” ou “amor a empresa”. E há outras pessoas, também, que deveriam entender que a escravidão acabou. Ronaldinho tem todo direito de procurar o que é melhor para ele, independente das vontades e desejos de terceiros.

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