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A volta do carnaval de rua


Com o final do carnaval podemos fazer uma análise do que aconteceu no Rio de Janeiro em matéria da festa do Momo. De uns cinco anos para cá o carnaval de rua na cidade começou a voltar com força. Vários blocos surgiram na esteira do sucesso do Monobloco que resgatou a tradição do carnaval de rua, com as marchinas e músicas de carnaval. Antes do Monobloco o carnaval do Rio, por incrível que parece, estava sofrendo (sofrendo mesmo, nos dois sentidos) com a influência do carnaval de Salvador. Ouvia-se mais Axé do que músicas de carnaval tipicamente cariocas. O ponto mais baixo foi quando o Cordão da Bola Preta, talvez o mais tradicional bloco do Rio de Janeiro faliu e, se não me engano, chegou a perder a sua sede. As marchinas, os maxixes os sambas enredo haviam sumido. O Monobloco, com músicos competentes, trouxe de volta a bela tradição de carnaval de rua do Rio de Janeiro e começou a arrastar muita gente em seus desfiles. Outros blocos seguiram o exemplo e foram criados ou revitalizados.

As coisas mudaram tanto que hoje em dia a quantidade de cariocas que permanecem no Rio de Janeiro e evitam viajar para a região dos Lagos (Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo e etc) diminuiu tanto que muitos conhecidos me falaram que Búzios estava inesperadamente “vazia” esse ano. Enquanto isso o Rio de Janeiro explodia em carnaval, turistas e gente da própria cidade se acotovelando e brincando o carnaval nas ruas da cidade. E para melhorar, havia diversas opções de diversão. Show de música eletrônica e até rock poderia ser curtidos por aqueles que não gostam tanto de carnaval assim.

A grande vantagem do revitalizado carnaval de rua no Rio de Janeiro frente ao carnaval corporativo de Salvador ficou óbvia: o carnaval no Rio é infinitamente mais barato para o turista e para os habitantes da cidade por vários motivos.

O primeiro e mais óbvio que é de graça. Enquanto para curtir um bloco em Salvador as pessoas chegam a desembolsar cerca de mil reais por um abadá que lhe dá direito para ficar dentro do cordão de isolamento.  E isso é para um bloco, se for a mais de um os custos aumentam. Facilmente alguém que vai passar o carnaval em Salvador saindo do Rio de Janeiro chega a gastar por volta de seis mil reais. Não é nada barato. Aqui no Rio um turista pode ir a diversos blocos em um dia e não gastar nada além do seu consumo particular, não tem que comprar abadás.

Outro ponto positivo é a segurança. Conheço a mística do Rio de Janeiro assim como seus problemas reais, mas é digno de nota, que em minhas andanças carnavalescas, não presenciei nenhuma confusão e não ouvi relatos de violência. Claro que houve pequenos furtos, mas nada que fosse algo que prejudicasse a festa. Quem já foi no carnaval de Salvador sabe que quem não quer pagar os preços dos blocos e decide ficar na “pipoca” está sujeito a vários perigos.

Porém nem tudo são flores. Com o crescimento do carnaval de rua os problemas da cidade do Rio de Janeiro ficam mais expostos. O transporte público é muito precário, as linhas de metrô são insuficientes e pouco abrangentes, e houve uma falha óbvia na organização e liberação dos blocos por parte da prefeitura.

Se analisarmos os horários dos blocos podemos ver que são subsequentes, ou seja, quanto termina um, começa outro. Isso acontece principalmente na zona sul da cidade onde estão as praias mais famosas. Com isso uma pessoa vai a vários blocos no mesmo dia. Isso por um lado é bom, mas por outro mostra que a cidade não possui capacidade de absorver uma massa tão grande de pessoas se deslocando de um lado para outro e se juntando em blocos muito grandes.

O ideal seria se a prefeitura colocasse os blocos, principalmente os mais famosos como o Suvaco do Cristo, Simpatia é Quase Amor, Empolga as 9 (meu preferido), no mesmo horário. Assim as pessoas teriam que se dividir para pular em um bloco. Entendo que isso não é o ideal, mas é a melhor solução. E isso não é novidade, em Salvador já é assim com os dois circuitos do carnaval.

Outro ponto é a quantidade insuficiente de banheiros químicos. Sabemos que nunca serão suficientes, mas nesse ano me pareceu que foi pior do que o ano passado. Talvez a prefeitura não esperasse a quantidade de pessoas que pularam o carnaval no Rio, mas isso se tornou um tormento para todos. Para os foliões, para os moradores e até para a polícia que recebeu ordem de prender as pessoas que não utilizavam os banheiros químicos. Entretanto, alguns comerciantes lucraram, cobrando até cinco reais para a utilização de seus estabelecimentos. Oferta e demanda.

Apesar de tudo isso, o carnaval de rua do Rio de Janeiro está voltando a ser o melhor do país, espero que continue assim por muito tempo.

 Erraram a mão

Eu nunca confiei muito em apuração do desfile das escolas de samba no Rio. Como confiar em algo organizado, gerido e comandado por criminosos. Um dos puxadores de uma das escolas mudou seu grito inicial pedindo a soltura do presidente de sua escola que está preso sob a acusação de ser participante de uma milícia. Mas esse ano erraram a mão. Não há ninguém, fora os seus torcedores (e desconfio que muitos deles também), que ache que a Beija Flor mereceu mais uma vez ser campeã. Não que ela não estava bonita, mas suas notas em comparação com as notas recebidas pela Unidos da Tijuca e Mangueira, principalmente, não refletiam o que tinha acontecido na Marquês de Sapucaí. A Beija Flor vem se tornando a escola dos títulos contestados, já havia sido assim quando ganhou por um décimo da própria Unidos da Tijuca alguns anos atrás.

A verdade é que, na minha visão, erraram na mão na hora de colocar a mão. Da outra vez, a diferença de um décimo não foi tão escancarada, mas dessa vez todos perceberam.

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