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Soluções sim, hipocrisia não.

abril 12, 2011 3 comentários

Sou favorável à Campanha do Desarmamento. Não vejo problema nenhum em uma ação que visa pessoas que querem se desfazer de armas de fogo. Sou totalmente contra a um novo referendo.  Ele custou milhões de reais e a população brasileira já se pronunciou. As declarações infelizes do presidente da OAB-RJ dizendo que talvez a população tenha “amadurecido” depois de cinco anos mostra como o respeito a opiniões alheias não está muito em alta no país atualmente. Se concordar com ele é amadurecido, senão são pessoas infantis que precisam dele para tomar suas decisões.

A resposta da população no plebiscito, além da concordância de que as pessoas tem o direito de defesa, mostrou que o povo brasileiro sabe que o real problema não são as armas adquiridas legalmente e sim as armas ilegais.

A legislação brasileira já é uma das mais restritivas do mundo em relação à compra de uma arma de fogo. É extremamente difícil adquirir um revolver ou uma pistola no calibre autorizado. São diversas taxas, entrevistas, testes de aptidão e psicológicos. Os números mostram isso. Antes da mudança da lei o Brasil vendia cerca de 500 mil armas de fogo ao ano, após a mudança esse número caiu para mais ou menos 100 mil. Parece um número alto, mas não é. Dentro desse universo encontram-se todas as profissões autorizadas por lei com direito de comprar armas de fogo. São policiais civis e militares, bombeiros militares, guardas municipais armados, membros do judiciário, empresas de segurança particular, empresas de transporte de valores, membros do executivo, do legislativo entre outros.  No ano de 2008 houve um pico na venda de armas no Brasil. Aconteceu pela liberação do calibre 40 a forças policiais.

Os argumentos apresentados pelo Viva Rio e outras ONGs não encontram base na realidade. Dizem que 60% das armas acauteladas pela polícia pertenceram a civis e foram roubadas, caindo nas mãos de criminosos. Esses números vão de encontro ao Relatório Final da CPI do Tráfico de Armas que na sua página 147 afirma: “Chama a atenção o crescimento do volume de armas que são acauteladas em situação criminal. Entre as armas de fogo acauteladas, 81% aparecem como armas que nunca tiveram registro, e só 19% das acauteladas são armas com registro prévio. Portanto, um quinto das armas relacionadas a crimes foram adquiridas legalmente”.

O próprio Sr. Rangel Bandeira membro do Viva Rio, participou da CPI do Tráfico de Armas. Em depoimentos afirmou sobre a facilidade de aquisição de armas fabricadas no Brasil em território paraguaio. E isso de fato acontece e é, indubitavelmente, a maior fonte de abastecimento da criminalidade não só no Rio de Janeiro, mas no Brasil inteiro.

As rotas do tráfico de armas são bem conhecidas, são bem mapeadas. Qualquer policial das fronteiras com a Argentina, Bolívia, Colômbia, Suriname e principalmente Paraguai sabem do comércio ilegal de armas. Aparentemente só o Poder Executivo brasileiro não sabe disso. Ou não quer saber.

É muito confortável ao Sr. Ministro da Justiça, após um evento trágico, colocar a culpa nos cidadãos que adquirem legalmente uma arma de fogo.  Dessa maneira tira o holofote de suas responsabilidades como ministro que deveria cuidar (juntamente como o Ministério da Defesa) das fronteiras do país e da facilidade para adquirir uma arma no mercado negro.

Cinco anos atrás a população brasileira já mostrou que não cai mais nesse truque. Que não quer mais ser enganada pela hipocrisia política e interesses obscuros. Quer soluções. E a solução não é mais as soluções fáceis de leis que somente atingem àqueles que as cumprem.

Porque bandidos, por definição, são pessoas que não respeitam às leis.

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