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Último pitaco sobre o caso Ronaldinho

janeiro 12, 2011 Deixe um comentário

Você já viu algum dirigente de algum grande clube brasileiro deixar de demitir um atleta pelo seu “amor ao clube”? Por exemplo:

– O Joãozinho não está rendendo o que esperávamos dele, suas partidas estão abaixo do que definimos ideal e isso já acontece há dois anos. Porém a diretoria não irá demiti-lo, pois ele possui um grande amor ao clube.

Hoje há uma grande crítica ao Ronaldinho Gaúcho e o que a imprensa e outras pessoas definiram como leilão. A definição está corretíssima. O que ele e seu irmão Assis fizeram foi sim um leilão. Agora, estaria ele errado? Presidentes de clubes, torcedores, imprensa. Todos esses tem a mania de dizer que “o clube é maior que o jogador”. Mas eu pergunto: o que seria o Santos sem Pelé ou o Coutinho?  Que seria o Flamengo sem o Leônidas ou o Zico? O Botafogo sem Garrinha?  Será que Pelé ou Rivelino não seriam grandes jogadores se não tivessem atuado no Santos e no Corinthians?

O que faz um clube grande é a quantidade de títulos e ídolos que passaram nele. E esses dois pontos convergem em um só: o atleta.

Ainda há uma dificuldade enorme no futebol brasileiro para entender a profissionalização do esporte. Queremos um futebol profissional, mas ainda possuímos a mentalidade amadora. As declarações do presidente do Grêmio, quase que exigindo uma absolvição celestial no caso Ronaldinho demonstra bem isso. O Grêmio, com a história de “amor ao clube” apenas queria contratar o Ronaldinho por um preço mais baixo do que os outros. Só isso. Quem pensou outra coisa só pode sofre de um ingenuidade tremenda. Utilizou dessa estratégia apelando para o sentimento do atleta. Ronaldinho poderia muito bem ter aceitado, mas não aceitou. Isso automaticamente o caracteriza como “mercenário”? E o que seria isso?

As críticas a Ronaldinho e a Assis vêm de todos os lugares. Imprensa, torcedores, clubes. A verdade é que é muito bom, muito legal fazer caridade com o bolso alheio. Ronaldinho poderia aceitar um salário menor do que sabia que outros estariam dispostos a pagar por “amor ao clube”? Claro que poderia. Ele é obrigado fazer isso. Claro que não! Ser um jogador de futebol profissional é um trabalho como qualquer outro. Gostaria de conhecer um caso de um jornalista em que ele recusa uma daquelas propostas irrecusáveis por “amor a sua empresa”. Se o valor que o Ronaldinho Gaúcho pediu fosse considerado acima do retorno oferecido pelo atleta não haveria nenhum clube para contratá-lo. Ninguém iria fazer caridade. Os dirigentes sabem disso.

Quando a lei Pelé surgiu a maior parte dos clubes reclamaram. Era fácil encontrar dirigentes afirmando que com a lei não conseguiriam o retorno do dinheiro que INVESTIAM nos jovens talentos. Ou seja, na hora de vender um jogador um clube o considera um investimento, coloca na balança os custos e os lucros obtidos em sua venda. Porque o atleta não pode fazer o mesmo?

A verdade é que o esporte, principalmente o futebol no Brasil é carregado de sentimentalismo. Por isso a grande dificuldade em transformar clubes em empresas por aqui. Aqui o que manda é o amadorismo. E o mais intrigante é que o clube mais vitorioso da última década é caracterizado como o mais profissional de todos que é o São Paulo.

E por incrível que pareça dos três, Grêmio, Palmeiras e Flamengo, foi o último que agiu de maneira profissional. Soube identificar muito bem quais eram as dificuldades do negócio e onde poderia agir. Foi o único dos três que falou diretamente com o detentor do passe do atleta que era o Milan. Por mais que as dicas estivessem voando, nem o Grêmio nem o Palmeiras conversaram com o clube italiano de forma direta, deixando a negociação com o Assis. O Flamengo foi o único que agiu de acordo com que um time que quer contratar um jogador que ainda está preso por contrato a outro clube: conversar com o seu empregador. Assis é tão somente o empresário do Ronaldinho, cabe a ele conseguir o melhor contrato para seu representado, mas ele não era dono do passe do Ronaldinho. O Milan sim.

Esse caso deixou lições valiosas para quem quiser aprender. Não só no futebol mas em outras situações parecidas. Nos dias de hoje não existe mais “amor ao clube” ou “amor a empresa”. E há outras pessoas, também, que deveriam entender que a escravidão acabou. Ronaldinho tem todo direito de procurar o que é melhor para ele, independente das vontades e desejos de terceiros.

A vida como ela é.

dezembro 15, 2010 1 comentário

Matéria de hoje na Folha de São Paulo. Autoexplicativa e pornográfica.

Governo muda lei e beneficia Fiat em PE

Nova fábrica terá isenção de IPI devido à mudança legal feita no mês passado e cuja validade termina no dia 29

MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO

Procurada, montadora afirma que medida é válida para o setor; Ministério da Fazenda não se pronuncia

A fábrica que a Fiat fará em Pernambuco vai se beneficiar de alterações legais feitas especificamente para a montadora italiana. Essas alterações permitirão que ela usufrua da isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) até 2020.
As alterações constam na medida provisória 512, assinada em 25 de novembro pelo presidente Lula.
A carta de intenções para a implantação da fábrica foi assinada ontem, em Salgueiro, a 515 km de Recife, pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e pelo presidente da Fiat Automóveis, Cledorvino Belini. Lula esteve presente.
Quando concluída, em 2014, a nova fábrica, a ser construída no complexo industrial e portuário de Suape (a 60 km de Recife), terá capacidade para produzir 200 mil veículos por ano.
O investimento da Fiat será R$ 3 bilhões. O empreendimento deve gerar 3.500 empregos diretos.

ALTERAÇÕES
A MP altera a lei 9.440, de 1997, que prevê benefícios fiscais para empresas do setor automotivo que investirem no Norte e no Nordeste. Duas das alterações são temporárias -valem até o dia 29- e só deverão beneficiar a própria Fiat.
A primeira permite estender a isenção de IPI para quem apresentar novos projetos de investimento até o dia 29 -prazo de só 34 dias, a contar da assinatura da MP.
A segunda abre uma exceção em outra lei -de número 11.434, de 2006-, que estabelece regras para que uma empresa que venha a adquirir outra que esteja habilitada para o benefício fiscal, dentro dos critérios da lei 9.440, possa usufruir do benefício.
Mas a lei 11.343 proíbe expressamente que uma empresa de autopeças transfira benefício para uma montadora e vice-versa. Na MP editada no mês passado por Lula, essa proibição fica suspensa até o dia 29, quando voltará a valer.
A Fiat está adquirindo a fabricante de autopeças TCA, do grupo argentino Pescarmona, sediada em Pernambuco. Sem a suspensão prevista na MP, a Fiat não teria se interessado pela TCA.
Os benefícios fiscais da lei 9.440 deveriam acabar em janeiro de 2011. Em março, o governo estendeu esse benefício para 2015. Na nova MP de novembro, o prazo foi novamente estendido, para 2020. Essa extensão de prazo beneficia a Fiat, a Ford (que herdou o benefício ao adquirir a fabricante brasileira de jipes Troller, em 1999) e a empresa de baterias Moura.
Procurada, a Fiat informou que “não tem nada a falar sobre a MP”. “É uma medida do governo que é válida para o setor.” A Casa Civil informou que quem poderia dar explicações sobre a MP era o Ministério da Fazenda.
Procurada, a Fazenda não respondeu ao questionamento da reportagem.


Colaboraram FÁBIO GUIBU e MATHEUS MAGENTA, enviados a Salgueiro (PE)

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Krougman não aguenta e deixa a máscara cair

dezembro 14, 2010 1 comentário

Se alguém ainda duvidava do caráter político partidário da atuação de Krougman em seus artigos no NYT, o que ele escreveu agora vai fazer muita gente chorar…

Krougman diz com todas as letras que  o corte de impostos proposto pelos republicanos é economicamente bom. Porém teme que a repercussão disso, seja desfavorável a Obama e aos democratas.

Ou seja, se a economia começar a melhorar no período e ficar na cabeça das pessoas que os republicanos quiseram uma medida que a maioria dos democratas não queria, o risco de isso se transformas em uma perda de votos nas eleições é grande. E isso Krougman não concorda. Para ele é melhor não tomar essa medida, que ele mesmo acha que pode ajudar a economia, para não prejudicar os democratas no futuro.

É ou não é uma beleza?

Para os que não acretidam, basta ler aqui.

Ainda me assombra o fato desse homem ter recebido um Nobel.

AIDS e os grupos de risco

dezembro 2, 2010 2 comentários

O dia 1º de Dezembro foi eleito para ser o dia mundial de luta contra a AIDS. Diversas campanhas foram realizadas assim como diversos estudos vieram a público. Acompanhei alguns debates sobre o tema e a importância da disseminação da informação de como se proteger diante da doença. Infelizmente algo escapou ao debate: os grupos de risco. Tornou-se quase um tabu no Brasil e no mundo dizer algo sobre grupos de risco em relação à AIDS, porém eles existem.

O relatório da Organização Mundial de Saúde, no seu departamento de combate a AIDS (UNAIDS) deixa bem claro uma das grandes falhas na organização dos países para o combate à doença. O relatório afirma que “o ressurgimento da epidemia entre homens que fazem sexo com outros homens em países desenvolvidos é substancialmente bem documentado”. Em outro trecho o relatório fala em na “crescente evidência de risco entre populações chaves”.

Essa falha em reconhecer os grupos de risco e direcionar recursos para o combate à AIDS entre esses grupos chaves é reconhecida no relatório: “Apesar de usuários de drogas, homens que fazem sexo com outros homens, detentos, trabalhadores que costumam viajar e trabalhadores da indústria do sexo possuírem um maior risco de contágio pela AIDS, o nível de recursos direcionados a programas focados para esses grupos é tipicamente baixo mesmo em epidemias concentradas”.

Infelizmente há um erro em achar que pessoas que indicam a existência desses grupos são calcadas na desinformação ou algum tipo de preconceito. Porém, sob o ponto de vista econômico, de recursos finitos e escassos, a melhor atuação de órgão de saúde é direcionar esses recursos onde há a maior possibilidade de sucesso ou onde os melhores resultados (ou seja, a diminuição dos casos de infecção) sejam alcançados.

Reconheço que é um assunto delicado, que deva ser tratado de forma técnica, porém não reconhecer a existência desses grupos não mudará o quadro. Mais recursos devem ser direcionados a organizações que tratam do assunto, mais campanhas governamentais devem ser direcionadas a esses grupos chaves.

O Brasil é mundialmente reconhecido como um caso de sucesso no tratamento e prevenção a AIDS, não podemos, em nome de um conservadorismo ou do politicamente correto, deixar de encarar o problema de forma técnica e racional, sob o risco de deter o avanço já conseguido.

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As ferramentas da mão de obra do tráfico

novembro 23, 2010 3 comentários

Ninguém duvida que as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) instaladas em áreas críticas no Rio de Janeiro foram uma evolução da estratégia no combate à criminalidade no estado. Negar aos traficantes uma área segura de onde poderiam planejar ataques e arrecadar com o tráfico de drogas é fundamental para melhorar a segurança da cidade.

Porém, as UPPs não farão milagres em curto prazo. Elas são apenas o início de um processo muito mais complicado e difícil tanto politicamente quanto economicamente. Todos sabem que o lucro do tráfico de drogas sustenta outro tipo de crime: o tráfico de armas. O poder de fogo presente nas mãos dos traficantes é tão ou mais importante que o tráfico de drogas em si. As armas são as ferramentas de trabalho da mão de obra do tráfico, é de onde o poder vem, é como conseguem dominar áreas inteiras, realizar assaltos, assassinatos e arrastões. Tudo o que estamos vendo em escalada na cidade do Rio de Janeiro.

O Brasil possui uma das legislações mais restritivas quanto ao comércio legal de armas de fogo. Porém uma lei no papel não quer dizer nada às pessoas que não tem respeito pelas leis. O cidadão comum, com o desejo de se proteger ou proteger sua família ou sua propriedade, foi o maior atingido por uma lei que nunca foi eficaz em promover aquilo a que se destina.

O problema real é que nossas fronteiras são desprotegidas de tal forma que o fluxo de armas de grosso calibre, que são proibidas aos cidadãos comuns, inunda o país com tal facilidade que como demonstrado nas escutas telefônicas realizadas pela polícia, é extremamente fácil comprar uma caixa de granadas ou outro tipo de arma de fogo. A informação que circula no Rio de Janeiro é que os traficantes que foram expulsos das favelas onde as UPPs foram instaladas só são aceitos em outras comunidades por seus comparsas caso eles levem consigo um fuzil, o que demonstra claramente a importância dessa ferramenta para o tráfico de drogas.

Esse problema já é bem conhecido das autoridades e foi investigado durante a CPI do Tráfico de Armas. Infelizmente o resultado da CPI, como várias que acontecem no Brasil, foi esquecido e não integrou nenhum planejamento de segurança pública ou foco pelo Governo Federal. A CPI demonstrou claramente o caminho que essas armas fazem até chegar aos traficantes no Rio de Janeiro, qual é sua origem, seus pontos de entrada, os atores que participam desse comércio.

Cabe ao Governo Federal, na figura dos Ministérios da Justiça e do Ministério da Defesa organizar uma política preventiva de controle das fronteiras, disponibilizando recursos tanto humano quanto material para um melhor controle fronteiriço do país. Uma proposta seria transformar a Força Nacional de Segurança em uma polícia de fronteira, atuando nos lugares conhecidos de tráfico de armas, organizando processos de inteligência com a Polícia Federal e inclusive, com as Forças Armadas já que as armas de grosso calibre são de seu uso exclusivo.

Sem que o problema do tráfico de armas seja encarado de maneira séria, como o principal vetor da violência hoje no Brasil e mais especificadamente no Rio de Janeiro, as cenas que, infelizmente, nos acostumamos a ver serão repetidas.

Silvio Santos, Lula e a bolinha de papel

novembro 11, 2010 4 comentários

A corrupção no Brasil é algo de tão básica…

Quer dizer que Silvio Santos visita Lula com a ridícula desculpa para que o presidente contribua com o Teleton. Algum tempo depois a Caixa Econômica Federal arremata 49% do banco PanAmericano. Durante a campanha o SBT frauda imagens sobre o incidente com o Serra no Rio de Janeiro. Agora descobre-se um rombo enorme e criminoso no PanAmericano, que por obra do acaso só é divulgado após as eleições mesmo o BC alegando que já sabia do caso há algum tempo.

Esse país é tão simplório que chega até a dar sono.

Correção: A Caixa comprou 49% do PanPanAmericano antes da visita do $$ ao Lula Molusco.

Eleições Americanas 2010

novembro 3, 2010 2 comentários

O melhor comentário foi do FYI ao ver o quadro abaixo: “foi um banho de sangue”.