Archive

Archive for the ‘Atualidades’ Category

A história esquecida – Dilma, a “mãe do PAC”

julho 20, 2011 2 comentários

Impressionante como o passado de Dilma como “Mãe do PAC” foi varrido da história. Das duas uma:

Ou a Dilma sabia de tudo o que estava acontecendo no Ministério dos Transporte e concordava com isso (e o PT ganhava o seu quinhão, lógico);

Ou o mito da melhor gerente da galáxia conhecida e desconhecida caiu por terra.

A melhor gerente da Galáxia

E o PIG continua dócil toda vida…

Ninguém questiona a origem de Dilma como gerente do PAC. Ninguém questiona se como gerente do PAC ela sabia do que estava acontecendo. E se não soubesse que raios de trabalho ela fazia lá já que o que se descobriu era tão escandaloso que a fez, agora, demitir mais de 10 pessoas?

Pagot disse que Dilma questionou o valor das obras. Pagot disse que Dilma não foi omissa. Pagot disse que Dilma sabia de tudo.

Se Dilma questionou o valor das obras sabia que estavam superfaturadas. Se Dilma não foi omissa sua ação foi a de permitir o roubou. Se Dilma sabia de tudo, compactuava com o roubo.

Será que ela só era a “mãe do PAC” na hora de apresentar os resultados? Se bem que da forma que os resultados eram descaradamente fraudados, podemos encontrar um padrão de conduta.

Por que sou liberal

julho 1, 2011 1 comentário

30 de Junho de 2011 – por João Luiz Mauad

Recentemente, um amigo esquerdista instou-me a explicar por que sou um liberal. Respondi que, ao contrário do que muita gente pensa, minha opção pelo liberalismo não é utilitarista, como a de Mises, David Friedman e muitos outros, embora eu realmente considere que as organizações sociais liberais são as mais eficientes para o bem estar geral de qualquer sociedade. Minha opção pelo liberalismo está fincada, acima de tudo, em princípios e valores morais.

Antes de continuar, deixe-me esclarecer o que são princípios e valores, para efeito deste artigo, já que muita gente costuma (intencionalmente ou não) confundir os dois conceitos. Colocando de forma simples e prática, valores estão relacionados com fins, com objetivos, enquanto princípios vinculam-se a meios, preceitos morais e éticos que norteiam as nossas ações. Valores são qualidades e/ou propriedades escalares, dependentes de avaliações subjetivas, enquanto princípios são determinantes rígidos de conduta. Tal distinção é muito importante para mostrar que princípios podem ser absolutos, enquanto valores serão sempre relativos.

Muitos dos críticos do liberalismo assumem, como premissa básica de seus argumentos, que “liberdade” e “propriedade” seriam “princípios fundamentais” do liberalismo, para, a partir daí, demonstrarem que aqueles “princípios” não podem, de fato, fundamentar qualquer doutrina ou filosofia, porque não são absolutos.

A verdade é que, para efeito da filosofia liberal, nem liberdade, nem propriedade e nem mesmo a vida são considerados princípios, mas essencialmente valores. Embora a vida, a liberdade e a propriedade sejam valores muito caros aos liberais, conflitos entre eles e deles com outros valores podem ser frequentes. De fato, não há valores absolutos, nem mesmo a vida. Nada impede que um autêntico liberal sacrifique a própria vida em nome da vida de um terceiro ou de outros valores, como fez o cubano Zapata, morto recentemente após longa greve de fome. Para ele, a liberdade era um valor maior até que a própria vida. Quantos pais não seriam capazes de sacrificar a própria vida para salvar um filho? A justiça, por seu turno, como bem exemplificou Isaiah Berlin, pode ser um valor precioso para muitos liberais, porém, em determinados casos, nada impede que outros valores se choquem com ela – como a clemência ou a compaixão – e acabemos optando pelo perdão, no lugar da condenação.

Já os princípios dizem respeito a meios, a formas de conduta. A “não agressão”, por exemplo, é um princípio moral absoluto para os liberais. Será que outros princípios podem, legitimamente, conflitar com ele? Pode ser legítimo, para um liberal, matar, roubar ou escravizar outro homem? Eu acho que não. Com efeito, se a vida é um valor; o direito (meu e dos outros) à vida é um princípio (que legitima inclusive a legítima defesa). Se a liberdade é um valor; o direito à liberdade (meu e dos outros) é um princípio. Assim é também com a propriedade. É legítimo que eu cometa suicídio, mas jamais será legítimo que eu cometa homicídio. É legítimo que eu doe as minhas propriedades, mas jamais será legítimo que alguém não autorizado as doe por mim. Num certo sentido, portanto, os princípios liberais servem muito mais para identificar aquilo que não devemos fazer do que propriamente conduzir as nossas ações positivas.

Como visto acima, são vários os princípios de fundamento da filosofia liberal, mas o mais comum, sem dúvida – pois de certa maneira abrange todos os outros – é o princípio da “não-agressão”. De forma simples, você pode fazer o que bem quiser com sua vida, sua liberdade e sua propriedade, desde que você não inicie agressão contra a vida, a liberdade ou a propriedade de ninguém. Diante do enunciado acima, quase todo mundo diz: “concordo plenamente, mas…”

… e os pobres? Precisamos redistribuir a renda para atenuar o sofrimento deles, dirão os esquerdistas. Para isso, é preciso tirar recursos de Pedro para entregar a Paulo.

… e os usuários de drogas? Precisamos evitar que eles destruam as próprias vidas, dirão os conservadores. Proibam-se as drogas.

… e os desempregados? Precisamos evitar que os patrões demitam os trabalhadores, dirão novamente os esquerdistas.

… e (preencha aqui a sua causa favorita)? Precisamos que o estado roube ou escravize alguns, em benefício de outros, porque os resultados serão bons, dirão muitos, ainda que não exatamente com essas palavras.

O problema do relativismo moral – ou a não aceitação de princípios absolutos – é que as exceções acabam se tornando regras, de acordo com as conveniências de cada um. Todos estarão de acordo com o princípio da não-agressão, contanto que cada um esteja isento dele, em nome de uma exceção “razoável”. A essência da chamada “cláusula de escape”, entretanto, é a fuga da moralidade e a justificação da injustiça. É a quebra intencional de nossa bússola moral para que possamos ser liberados dos ditames e princípios universais: é errado roubar, ferir, escravizar ou matar outro ser humano.

Mas além dos princípios, o liberalismo que defendo também tem a ver com (des)crenças e valores. Em termos sucintos, desconfio de objetivos gerais a serem obtidos por leis ditadas pelo estado ou por normas positivas que pretendam transformar as pessoas em seres melhores. Ao contrário, acredito essencialmente em ordens sociais espontâneas. O liberalismo, ademais, coloca em foco não o povo, mas cada indivíduo, sendo este um valor mais alto que qualquer coletividade. Sociedade, estado, igreja, empresas e associações diversas são apenas ferramentas para que o indivíduo possa alcançar outros fins. Para os liberais uma sociedade é boa quando seus povos são formados por pessoas livres, sem entraves em seus caminhos pela busca da felicidade.

O liberalismo me atrai ainda porque busca compreender a natureza do ser humano como um guia básico para a vida social, ética e política. Entendemos que a essência do ser humano só pode se materializar através da liberdade, daí estarmos intrínseca e indissociavelmente ligados a ela. Com efeito, todo sacrifício da liberdade – que surge da dominação e da coerção – destrói uma parte do nosso ser. Por mais que isso possa chocar a alguns, eu creio que a liberdade é um valor superior à família, aos amigos, à sociedade, às organizações, às igrejas e aos estados.

Sou liberal porque não pretendo fabricar a felicidade ou bem-estar de ninguém por meio da coerção estatal ou de qualquer instituição ou associação que domine e reprima o indivíduo (a pessoa, o sujeito, o cidadão). Tal pretensão leva, invariavelmente, a uma confusão entre meios e fins. O estado utiliza a violência como um meio e os liberais sabem que, se permitirmos que ele utilize seus meios violentos, na esperança de atingir os objetivos da felicidade ou bem-estar geral, estaremos destruindo a liberdade.

Finalmente, sou liberal porque não tenciono eliminar as falhas cotidianas e limitações humanas usando a força ou o poder do estado ou de qualquer outra instituição. Entendo que os seres humanos devem ser livres para escolher entre o bem e o mal. Acima de tudo, eles devem ser livres para cometer erros. Jamais poderemos ser seres morais sem tomar decisões por e para nós mesmos. Sou liberal porque esta doutrina não pretende impor sanções sobre as crenças, os discursos, as roupas, as manifestações artísticas, o consumo ou o comportamento sexual de quem quer que seja. Enfim, sou liberal porque sou contra a utilização dos poderes do estado para criar idealizações terrenas de sociedades perfeitas. Isto não só é impossível, como atenta contra a personalidade livre e criativa do ser humano.

Categorias:Atualidades, Política Tags:

Governabilidade e Governo

No Brasil é costume justificar alianças escusas entre políticos em virtude de algo que chamam de “governabilidade”. Todo o balcão de negócios funciona a partir dessa justificativa. Cargos, comissões, empregos, emendas. Tudo em nome da governabilidade. Mas de que? A resposta é única: da União.

Como já comentei em outros posts, na República Federativa do Brasil a federação só existe no nome. Para existir uma federação de fato, os estados que a compõe precisam de certa independência do governo federal. Isso no Brasil não existe por vários motivos: seja que na própria constituição há artigos que vetam aos estados o direito de gerirem independentemente suas próprias receitas (vide ICMS) ou a existência de um regime tributário em que a grande parte do que é arrecadado é enviado ao governo federal e não aos estados e municípios. Desta forma tudo o que resta é a procissão de prefeitos e governadores, na conhecida tarefa de beija mão do mandatário do momento. Infelizmente, isso leva a todos os problemas que já conhecemos: o famoso balcão de negócios, que paralisa o Legislativo, relegando-o a apenas um pau mandado do governo federal. Essa é a atual situação da Câmara dos Deputados no Brasil. Inoperante, irrelevante, ineficaz.

O Supremo tem atuado como legislador, o que infelizmente, demonstra a situação atual da estrutura entre os poderes no Brasil. Poucas pessoas reconhecem o risco disso. A dependência brasileira do governo central é enorme e acaba subtraindo o poder e a importância dos governos dos estados e municípios. Precisa ser assim? Hoje no mundo temos um exemplo claro que não.

A Bélgica é um país que há mais de um ano não possui um governo central formado. Nas últimas eleições parlamentares não houve maioria de nenhum partido e não foi encontrado um acordo para um gabinete de coalizão. Porém o país não parou. A crise econômica foi enfrentada e a economia está crescendo. Não há distúrbios, violência, inoperância administrativa. Inclusive a Bélgica exerceu o mandato na presidência da Comunidade Europeia com sucesso. Isso acontece pelo simples fato que a federação belga funciona. As regiões possuem um grande grau de independência do governo federal e grande parte dos serviços é executada em sua abrangência. De certa forma há uma importância maior dos governos locais frente ao governo federal.

O Brasil iria se beneficiar e muito se algo parecido acontecesse aqui. O país é enorme e as necessidades de uma região nem sempre são as mesmas. Além do mais, com um regime tributário mais racional, privilegiando os estados e municípios o dinheiro chegaria mais rápido, sem necessitar do beija mão federal. Infelizmente não é da vontade política atual que algo assim seja feito. A reforma fiscal e tributária passa longe das prioridades do Planalto Central. Mas sem uma reforma desse tipo, continuaremos a andar para os lados.

Os indignados

junho 16, 2011 2 comentários

O mundo tem assistido uma onda de protesto, sobretudo de jovens, em relação aos partidos políticos tradicionais. Inspirados no evento que ficou conhecido como Primavera Árabe, esses protestos levam dezenas de milhares de jovens às ruas e praças no intuito de terem suas vozes ouvidas pelos políticos que comandam seus países.

Os dois países que se destacam nesses protestos são a Espanha e a Grécia. Não é surpresa que foram dois países bem atingidos pela crise imobiliária. Apesar de terem características similares, não podemos afirmar que são iguais.

Comecemos pela Grécia. Antes de entrar na Comunidade Europeia, a Grécia era o típico país subdesenvolvido, com uma economia atrasada com intensa presença do Estado. Para poder entrar na CE, todos os países se comprometem a obedecer a regras de austeridade, ou seja, limitar sua dívida pública a um determinado percentual. O governo grego sabe-se hoje, fraudou seus números para que pudessem ser aceitos, primeiro ato que já demonstrava a incapacidade ou a vontade de não se submeter ao regime prévio de austeridade.

A Espanha também era um país atrasado, vindo de uma ditadura brutal, com economia extremamente fechada e estatizada. Após a redemocratização passou por transformações que deram um maior dinamismo a economia e não se tem notícias de fraudes em sua contabilidade para entrar na CE.

Antes de entrarem na CE cada país possuía seu próprio Risco País, que é o ágio que cada país paga para pedir dinheiro emprestado em relação aos títulos do governo americano. Como eram países ainda em desenvolvimento, com problemas estruturais econômicos, esse ágio cobrado de Espanha e Grécia era relativamente alto. Porém após serem aceitos na CE isso tudo mudou. De uma hora para outra o risco país da Espanha e Grécia passaram a ser o risco país da CE que é fortemente influenciado por países como a França e Alemanha principalmente. Ou seja, ficou bem mais barato pedir dinheiro emprestado.

E foi exatamente isso que fizeram. Tanto a Grécia quanto a Espanha foram ao mercado e realizaram vários empréstimos, aumentando bastante sua dívida. E é aqui que os casos se diferem. A Espanha optou em gastar seu dinheiro em créditos imobiliários, inflando enormemente o mercado. Isso realizou uma grande transformação na sociedade espanhola principalmente entre os mais jovens.

Colombo já dizia: "a verdade está la fora".

Na Espanha tradicionalmente os filhos moravam com seus pais até uma idade avançada, era muito caro o acesso à casa própria. Por outro lado, ainda lembrando-se da época da ditadura, a geração anterior tinha uma forte tendência de poupança. Com acesso ao crédito fácil, muitos jovens decidiram sair da casa dos pais. Ficaram conhecidos como “mil euristas”. Conseguiram empregos que pagavam por volta de mil euros e com esse salário conseguiram empréstimos (hipotecas) para pagar suas casas.

A Grécia usou o dinheiro para inflar ainda mais o seu já enorme setor público. Vários benefícios foram cedidos a essa parcela da população. Salários mais altos, aposentadorias polpudas, regimes diferenciados e etc. Em uma economia extremamente estatizada, essa parcela representa um grande grupo e consumiu grande parte da dívida adquirida. O caso grego é pior que o espanhol por dois motivos: atinge uma parcela da população com poder de mobilização e pressão maior que os jovens espanhóis e a situação grega já era ruim desde antes da entrada na CE, apenas foi mascarada pelas fraudes contábeis (algo parecido com que o governo brasileiro está começando a fazer).

O que faz os indignados gregos e espanhóis se aproximarem? Irresponsabilidade. De todos.  Por parte dos políticos que incentivaram, iludiram as pessoas com promessas de prosperidade, de dinheiro fácil, de crédito expansivo sem lhes informarem dos custos. Os jovens espanhóis cresceram nesse ambiente que é extremamente diferente do ambiente de seus pais. Querem as férias em Marbella ou Ibiza, querem ir para o País Basco surfar no verão, querem ir comer paella nas belas praias de Valência. Não querem mais morar no interior da Galícia, querem ir morar em Barcelona. Os políticos de esquerda que assumiram a Espanha após os atentados de Madri gastaram bilhões em projetos sem retorno financeiro como as usinas eólicas que podem ser muito legais e bonitas no sentido ecológico, mas são um fracasso para a economia. Hoje pagam um alto preço por essas opções.

Os funcionários públicos gregos não querem perder o que acham de “direito adquiridos”. De terem aposentadorias e benefícios bem mais altos do que é apresentado e oferecido pelo setor privado. São corporativistas como todo funcionário público do mundo.

A irresponsabilidade dessas pessoas também é flagrante. Pensaram que prosperidade à custa de endividamento e não produtivo era eterno. Porém um dia a conta sempre chega. Nós no Brasil conhecemos muito bem o resultado do “milagre econômico”. Não é novidade.

Agora essas mesmas pessoas que olharam para o lado quando seus governos se endividavam, que só queriam saber dos benefícios, ocupam as praças. Demandam “um mundo mais justo”, uma “democracia mais humana”. Mas no fundo o que querem é manter seus benefícios e vantagens. Manter a vida a qual se acostumaram. Mas no final serão derrotados pela realidade. Realidade essa que mais cedo ou mais tarde sempre bate na porta. Afinal de contas não existe almoço grátis.

Rapidinhas

maio 19, 2011 3 comentários

Fundo do Poço

Quando o Ministro da Educação de um país afirma que é certo ensinar gramática errado nas escolas sabemos que chegamos ao fundo do poço. Interessante é que até agora não vi nenhum pronunciamento da UNE e da UBES. Chapa Branca pura.

Código Florestal

Alguém realmente acredita que o governo “quer votar o Código mesmo se for para perder”? O governo do PT QUER esse código, está de acordo com ele. Só tem que PARECER não estar de acordo para que não perca mais votos dos verdes que já perdeu para Marina Silva. É puro jogo de cena, coisa que o PT faz e muito bem.

DSK

Caros franceses: uma coisa é ter obsessão pela vida sexual alheia, coisa que os americanos realmente têm. Outra, completamente diferente, e passar a mão na cabeça de alguém acusado de estupro.

Suécia

E o PM da Suécia está no Brasil para falar com a Dilma. A entrevista dele no Valor é muito boa. Que inveja dos suecos, primeiramente por causa das suecas…

Sérgio Cabral

Prezado Governador: sou totalmente solidário aos gays pleitearem seus direitos. Sou um dos que acreditam que racismo parte primeiramente do Estado, então não deve impedir que casais do mesmo sexo não tenham os mesmos direitos garantidos na constituição de casais de sexos diferentes. Sou até mesmo favorável a adoção de crianças por casais gays. Agora permitir que policiais e bombeiros estejam em manifestações utilizando veículos das corporações é total falta de noção do que é público e privado. Não tem absolutamente nada a ver com direitos dos gays de manifestarem. Aposto que até mesmo os gays acham esse uso privado de um bem que deveria estar a serviço de TODOS um absurdo. Sei que o senhor está tentando trilhar o caminho populista do Lula, mas por favor, menas OK?

Obs.: Todos os erros de portugês contidos no post foram endossados pelo Ministério da Educação.

Soluções sim, hipocrisia não.

abril 12, 2011 3 comentários

Sou favorável à Campanha do Desarmamento. Não vejo problema nenhum em uma ação que visa pessoas que querem se desfazer de armas de fogo. Sou totalmente contra a um novo referendo.  Ele custou milhões de reais e a população brasileira já se pronunciou. As declarações infelizes do presidente da OAB-RJ dizendo que talvez a população tenha “amadurecido” depois de cinco anos mostra como o respeito a opiniões alheias não está muito em alta no país atualmente. Se concordar com ele é amadurecido, senão são pessoas infantis que precisam dele para tomar suas decisões.

A resposta da população no plebiscito, além da concordância de que as pessoas tem o direito de defesa, mostrou que o povo brasileiro sabe que o real problema não são as armas adquiridas legalmente e sim as armas ilegais.

A legislação brasileira já é uma das mais restritivas do mundo em relação à compra de uma arma de fogo. É extremamente difícil adquirir um revolver ou uma pistola no calibre autorizado. São diversas taxas, entrevistas, testes de aptidão e psicológicos. Os números mostram isso. Antes da mudança da lei o Brasil vendia cerca de 500 mil armas de fogo ao ano, após a mudança esse número caiu para mais ou menos 100 mil. Parece um número alto, mas não é. Dentro desse universo encontram-se todas as profissões autorizadas por lei com direito de comprar armas de fogo. São policiais civis e militares, bombeiros militares, guardas municipais armados, membros do judiciário, empresas de segurança particular, empresas de transporte de valores, membros do executivo, do legislativo entre outros.  No ano de 2008 houve um pico na venda de armas no Brasil. Aconteceu pela liberação do calibre 40 a forças policiais.

Os argumentos apresentados pelo Viva Rio e outras ONGs não encontram base na realidade. Dizem que 60% das armas acauteladas pela polícia pertenceram a civis e foram roubadas, caindo nas mãos de criminosos. Esses números vão de encontro ao Relatório Final da CPI do Tráfico de Armas que na sua página 147 afirma: “Chama a atenção o crescimento do volume de armas que são acauteladas em situação criminal. Entre as armas de fogo acauteladas, 81% aparecem como armas que nunca tiveram registro, e só 19% das acauteladas são armas com registro prévio. Portanto, um quinto das armas relacionadas a crimes foram adquiridas legalmente”.

O próprio Sr. Rangel Bandeira membro do Viva Rio, participou da CPI do Tráfico de Armas. Em depoimentos afirmou sobre a facilidade de aquisição de armas fabricadas no Brasil em território paraguaio. E isso de fato acontece e é, indubitavelmente, a maior fonte de abastecimento da criminalidade não só no Rio de Janeiro, mas no Brasil inteiro.

As rotas do tráfico de armas são bem conhecidas, são bem mapeadas. Qualquer policial das fronteiras com a Argentina, Bolívia, Colômbia, Suriname e principalmente Paraguai sabem do comércio ilegal de armas. Aparentemente só o Poder Executivo brasileiro não sabe disso. Ou não quer saber.

É muito confortável ao Sr. Ministro da Justiça, após um evento trágico, colocar a culpa nos cidadãos que adquirem legalmente uma arma de fogo.  Dessa maneira tira o holofote de suas responsabilidades como ministro que deveria cuidar (juntamente como o Ministério da Defesa) das fronteiras do país e da facilidade para adquirir uma arma no mercado negro.

Cinco anos atrás a população brasileira já mostrou que não cai mais nesse truque. Que não quer mais ser enganada pela hipocrisia política e interesses obscuros. Quer soluções. E a solução não é mais as soluções fáceis de leis que somente atingem àqueles que as cumprem.

Porque bandidos, por definição, são pessoas que não respeitam às leis.

A volta do carnaval de rua

Com o final do carnaval podemos fazer uma análise do que aconteceu no Rio de Janeiro em matéria da festa do Momo. De uns cinco anos para cá o carnaval de rua na cidade começou a voltar com força. Vários blocos surgiram na esteira do sucesso do Monobloco que resgatou a tradição do carnaval de rua, com as marchinas e músicas de carnaval. Antes do Monobloco o carnaval do Rio, por incrível que parece, estava sofrendo (sofrendo mesmo, nos dois sentidos) com a influência do carnaval de Salvador. Ouvia-se mais Axé do que músicas de carnaval tipicamente cariocas. O ponto mais baixo foi quando o Cordão da Bola Preta, talvez o mais tradicional bloco do Rio de Janeiro faliu e, se não me engano, chegou a perder a sua sede. As marchinas, os maxixes os sambas enredo haviam sumido. O Monobloco, com músicos competentes, trouxe de volta a bela tradição de carnaval de rua do Rio de Janeiro e começou a arrastar muita gente em seus desfiles. Outros blocos seguiram o exemplo e foram criados ou revitalizados.

As coisas mudaram tanto que hoje em dia a quantidade de cariocas que permanecem no Rio de Janeiro e evitam viajar para a região dos Lagos (Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo e etc) diminuiu tanto que muitos conhecidos me falaram que Búzios estava inesperadamente “vazia” esse ano. Enquanto isso o Rio de Janeiro explodia em carnaval, turistas e gente da própria cidade se acotovelando e brincando o carnaval nas ruas da cidade. E para melhorar, havia diversas opções de diversão. Show de música eletrônica e até rock poderia ser curtidos por aqueles que não gostam tanto de carnaval assim.

A grande vantagem do revitalizado carnaval de rua no Rio de Janeiro frente ao carnaval corporativo de Salvador ficou óbvia: o carnaval no Rio é infinitamente mais barato para o turista e para os habitantes da cidade por vários motivos.

O primeiro e mais óbvio que é de graça. Enquanto para curtir um bloco em Salvador as pessoas chegam a desembolsar cerca de mil reais por um abadá que lhe dá direito para ficar dentro do cordão de isolamento.  E isso é para um bloco, se for a mais de um os custos aumentam. Facilmente alguém que vai passar o carnaval em Salvador saindo do Rio de Janeiro chega a gastar por volta de seis mil reais. Não é nada barato. Aqui no Rio um turista pode ir a diversos blocos em um dia e não gastar nada além do seu consumo particular, não tem que comprar abadás.

Outro ponto positivo é a segurança. Conheço a mística do Rio de Janeiro assim como seus problemas reais, mas é digno de nota, que em minhas andanças carnavalescas, não presenciei nenhuma confusão e não ouvi relatos de violência. Claro que houve pequenos furtos, mas nada que fosse algo que prejudicasse a festa. Quem já foi no carnaval de Salvador sabe que quem não quer pagar os preços dos blocos e decide ficar na “pipoca” está sujeito a vários perigos.

Porém nem tudo são flores. Com o crescimento do carnaval de rua os problemas da cidade do Rio de Janeiro ficam mais expostos. O transporte público é muito precário, as linhas de metrô são insuficientes e pouco abrangentes, e houve uma falha óbvia na organização e liberação dos blocos por parte da prefeitura.

Se analisarmos os horários dos blocos podemos ver que são subsequentes, ou seja, quanto termina um, começa outro. Isso acontece principalmente na zona sul da cidade onde estão as praias mais famosas. Com isso uma pessoa vai a vários blocos no mesmo dia. Isso por um lado é bom, mas por outro mostra que a cidade não possui capacidade de absorver uma massa tão grande de pessoas se deslocando de um lado para outro e se juntando em blocos muito grandes.

O ideal seria se a prefeitura colocasse os blocos, principalmente os mais famosos como o Suvaco do Cristo, Simpatia é Quase Amor, Empolga as 9 (meu preferido), no mesmo horário. Assim as pessoas teriam que se dividir para pular em um bloco. Entendo que isso não é o ideal, mas é a melhor solução. E isso não é novidade, em Salvador já é assim com os dois circuitos do carnaval.

Outro ponto é a quantidade insuficiente de banheiros químicos. Sabemos que nunca serão suficientes, mas nesse ano me pareceu que foi pior do que o ano passado. Talvez a prefeitura não esperasse a quantidade de pessoas que pularam o carnaval no Rio, mas isso se tornou um tormento para todos. Para os foliões, para os moradores e até para a polícia que recebeu ordem de prender as pessoas que não utilizavam os banheiros químicos. Entretanto, alguns comerciantes lucraram, cobrando até cinco reais para a utilização de seus estabelecimentos. Oferta e demanda.

Apesar de tudo isso, o carnaval de rua do Rio de Janeiro está voltando a ser o melhor do país, espero que continue assim por muito tempo.

 Erraram a mão

Eu nunca confiei muito em apuração do desfile das escolas de samba no Rio. Como confiar em algo organizado, gerido e comandado por criminosos. Um dos puxadores de uma das escolas mudou seu grito inicial pedindo a soltura do presidente de sua escola que está preso sob a acusação de ser participante de uma milícia. Mas esse ano erraram a mão. Não há ninguém, fora os seus torcedores (e desconfio que muitos deles também), que ache que a Beija Flor mereceu mais uma vez ser campeã. Não que ela não estava bonita, mas suas notas em comparação com as notas recebidas pela Unidos da Tijuca e Mangueira, principalmente, não refletiam o que tinha acontecido na Marquês de Sapucaí. A Beija Flor vem se tornando a escola dos títulos contestados, já havia sido assim quando ganhou por um décimo da própria Unidos da Tijuca alguns anos atrás.

A verdade é que, na minha visão, erraram na mão na hora de colocar a mão. Da outra vez, a diferença de um décimo não foi tão escancarada, mas dessa vez todos perceberam.