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Archive for the ‘Economia’ Category

Governabilidade e Governo

No Brasil é costume justificar alianças escusas entre políticos em virtude de algo que chamam de “governabilidade”. Todo o balcão de negócios funciona a partir dessa justificativa. Cargos, comissões, empregos, emendas. Tudo em nome da governabilidade. Mas de que? A resposta é única: da União.

Como já comentei em outros posts, na República Federativa do Brasil a federação só existe no nome. Para existir uma federação de fato, os estados que a compõe precisam de certa independência do governo federal. Isso no Brasil não existe por vários motivos: seja que na própria constituição há artigos que vetam aos estados o direito de gerirem independentemente suas próprias receitas (vide ICMS) ou a existência de um regime tributário em que a grande parte do que é arrecadado é enviado ao governo federal e não aos estados e municípios. Desta forma tudo o que resta é a procissão de prefeitos e governadores, na conhecida tarefa de beija mão do mandatário do momento. Infelizmente, isso leva a todos os problemas que já conhecemos: o famoso balcão de negócios, que paralisa o Legislativo, relegando-o a apenas um pau mandado do governo federal. Essa é a atual situação da Câmara dos Deputados no Brasil. Inoperante, irrelevante, ineficaz.

O Supremo tem atuado como legislador, o que infelizmente, demonstra a situação atual da estrutura entre os poderes no Brasil. Poucas pessoas reconhecem o risco disso. A dependência brasileira do governo central é enorme e acaba subtraindo o poder e a importância dos governos dos estados e municípios. Precisa ser assim? Hoje no mundo temos um exemplo claro que não.

A Bélgica é um país que há mais de um ano não possui um governo central formado. Nas últimas eleições parlamentares não houve maioria de nenhum partido e não foi encontrado um acordo para um gabinete de coalizão. Porém o país não parou. A crise econômica foi enfrentada e a economia está crescendo. Não há distúrbios, violência, inoperância administrativa. Inclusive a Bélgica exerceu o mandato na presidência da Comunidade Europeia com sucesso. Isso acontece pelo simples fato que a federação belga funciona. As regiões possuem um grande grau de independência do governo federal e grande parte dos serviços é executada em sua abrangência. De certa forma há uma importância maior dos governos locais frente ao governo federal.

O Brasil iria se beneficiar e muito se algo parecido acontecesse aqui. O país é enorme e as necessidades de uma região nem sempre são as mesmas. Além do mais, com um regime tributário mais racional, privilegiando os estados e municípios o dinheiro chegaria mais rápido, sem necessitar do beija mão federal. Infelizmente não é da vontade política atual que algo assim seja feito. A reforma fiscal e tributária passa longe das prioridades do Planalto Central. Mas sem uma reforma desse tipo, continuaremos a andar para os lados.

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Os indignados

junho 16, 2011 2 comentários

O mundo tem assistido uma onda de protesto, sobretudo de jovens, em relação aos partidos políticos tradicionais. Inspirados no evento que ficou conhecido como Primavera Árabe, esses protestos levam dezenas de milhares de jovens às ruas e praças no intuito de terem suas vozes ouvidas pelos políticos que comandam seus países.

Os dois países que se destacam nesses protestos são a Espanha e a Grécia. Não é surpresa que foram dois países bem atingidos pela crise imobiliária. Apesar de terem características similares, não podemos afirmar que são iguais.

Comecemos pela Grécia. Antes de entrar na Comunidade Europeia, a Grécia era o típico país subdesenvolvido, com uma economia atrasada com intensa presença do Estado. Para poder entrar na CE, todos os países se comprometem a obedecer a regras de austeridade, ou seja, limitar sua dívida pública a um determinado percentual. O governo grego sabe-se hoje, fraudou seus números para que pudessem ser aceitos, primeiro ato que já demonstrava a incapacidade ou a vontade de não se submeter ao regime prévio de austeridade.

A Espanha também era um país atrasado, vindo de uma ditadura brutal, com economia extremamente fechada e estatizada. Após a redemocratização passou por transformações que deram um maior dinamismo a economia e não se tem notícias de fraudes em sua contabilidade para entrar na CE.

Antes de entrarem na CE cada país possuía seu próprio Risco País, que é o ágio que cada país paga para pedir dinheiro emprestado em relação aos títulos do governo americano. Como eram países ainda em desenvolvimento, com problemas estruturais econômicos, esse ágio cobrado de Espanha e Grécia era relativamente alto. Porém após serem aceitos na CE isso tudo mudou. De uma hora para outra o risco país da Espanha e Grécia passaram a ser o risco país da CE que é fortemente influenciado por países como a França e Alemanha principalmente. Ou seja, ficou bem mais barato pedir dinheiro emprestado.

E foi exatamente isso que fizeram. Tanto a Grécia quanto a Espanha foram ao mercado e realizaram vários empréstimos, aumentando bastante sua dívida. E é aqui que os casos se diferem. A Espanha optou em gastar seu dinheiro em créditos imobiliários, inflando enormemente o mercado. Isso realizou uma grande transformação na sociedade espanhola principalmente entre os mais jovens.

Colombo já dizia: "a verdade está la fora".

Na Espanha tradicionalmente os filhos moravam com seus pais até uma idade avançada, era muito caro o acesso à casa própria. Por outro lado, ainda lembrando-se da época da ditadura, a geração anterior tinha uma forte tendência de poupança. Com acesso ao crédito fácil, muitos jovens decidiram sair da casa dos pais. Ficaram conhecidos como “mil euristas”. Conseguiram empregos que pagavam por volta de mil euros e com esse salário conseguiram empréstimos (hipotecas) para pagar suas casas.

A Grécia usou o dinheiro para inflar ainda mais o seu já enorme setor público. Vários benefícios foram cedidos a essa parcela da população. Salários mais altos, aposentadorias polpudas, regimes diferenciados e etc. Em uma economia extremamente estatizada, essa parcela representa um grande grupo e consumiu grande parte da dívida adquirida. O caso grego é pior que o espanhol por dois motivos: atinge uma parcela da população com poder de mobilização e pressão maior que os jovens espanhóis e a situação grega já era ruim desde antes da entrada na CE, apenas foi mascarada pelas fraudes contábeis (algo parecido com que o governo brasileiro está começando a fazer).

O que faz os indignados gregos e espanhóis se aproximarem? Irresponsabilidade. De todos.  Por parte dos políticos que incentivaram, iludiram as pessoas com promessas de prosperidade, de dinheiro fácil, de crédito expansivo sem lhes informarem dos custos. Os jovens espanhóis cresceram nesse ambiente que é extremamente diferente do ambiente de seus pais. Querem as férias em Marbella ou Ibiza, querem ir para o País Basco surfar no verão, querem ir comer paella nas belas praias de Valência. Não querem mais morar no interior da Galícia, querem ir morar em Barcelona. Os políticos de esquerda que assumiram a Espanha após os atentados de Madri gastaram bilhões em projetos sem retorno financeiro como as usinas eólicas que podem ser muito legais e bonitas no sentido ecológico, mas são um fracasso para a economia. Hoje pagam um alto preço por essas opções.

Os funcionários públicos gregos não querem perder o que acham de “direito adquiridos”. De terem aposentadorias e benefícios bem mais altos do que é apresentado e oferecido pelo setor privado. São corporativistas como todo funcionário público do mundo.

A irresponsabilidade dessas pessoas também é flagrante. Pensaram que prosperidade à custa de endividamento e não produtivo era eterno. Porém um dia a conta sempre chega. Nós no Brasil conhecemos muito bem o resultado do “milagre econômico”. Não é novidade.

Agora essas mesmas pessoas que olharam para o lado quando seus governos se endividavam, que só queriam saber dos benefícios, ocupam as praças. Demandam “um mundo mais justo”, uma “democracia mais humana”. Mas no fundo o que querem é manter seus benefícios e vantagens. Manter a vida a qual se acostumaram. Mas no final serão derrotados pela realidade. Realidade essa que mais cedo ou mais tarde sempre bate na porta. Afinal de contas não existe almoço grátis.

A vida como ela é.

dezembro 15, 2010 1 comentário

Matéria de hoje na Folha de São Paulo. Autoexplicativa e pornográfica.

Governo muda lei e beneficia Fiat em PE

Nova fábrica terá isenção de IPI devido à mudança legal feita no mês passado e cuja validade termina no dia 29

MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO

Procurada, montadora afirma que medida é válida para o setor; Ministério da Fazenda não se pronuncia

A fábrica que a Fiat fará em Pernambuco vai se beneficiar de alterações legais feitas especificamente para a montadora italiana. Essas alterações permitirão que ela usufrua da isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) até 2020.
As alterações constam na medida provisória 512, assinada em 25 de novembro pelo presidente Lula.
A carta de intenções para a implantação da fábrica foi assinada ontem, em Salgueiro, a 515 km de Recife, pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e pelo presidente da Fiat Automóveis, Cledorvino Belini. Lula esteve presente.
Quando concluída, em 2014, a nova fábrica, a ser construída no complexo industrial e portuário de Suape (a 60 km de Recife), terá capacidade para produzir 200 mil veículos por ano.
O investimento da Fiat será R$ 3 bilhões. O empreendimento deve gerar 3.500 empregos diretos.

ALTERAÇÕES
A MP altera a lei 9.440, de 1997, que prevê benefícios fiscais para empresas do setor automotivo que investirem no Norte e no Nordeste. Duas das alterações são temporárias -valem até o dia 29- e só deverão beneficiar a própria Fiat.
A primeira permite estender a isenção de IPI para quem apresentar novos projetos de investimento até o dia 29 -prazo de só 34 dias, a contar da assinatura da MP.
A segunda abre uma exceção em outra lei -de número 11.434, de 2006-, que estabelece regras para que uma empresa que venha a adquirir outra que esteja habilitada para o benefício fiscal, dentro dos critérios da lei 9.440, possa usufruir do benefício.
Mas a lei 11.343 proíbe expressamente que uma empresa de autopeças transfira benefício para uma montadora e vice-versa. Na MP editada no mês passado por Lula, essa proibição fica suspensa até o dia 29, quando voltará a valer.
A Fiat está adquirindo a fabricante de autopeças TCA, do grupo argentino Pescarmona, sediada em Pernambuco. Sem a suspensão prevista na MP, a Fiat não teria se interessado pela TCA.
Os benefícios fiscais da lei 9.440 deveriam acabar em janeiro de 2011. Em março, o governo estendeu esse benefício para 2015. Na nova MP de novembro, o prazo foi novamente estendido, para 2020. Essa extensão de prazo beneficia a Fiat, a Ford (que herdou o benefício ao adquirir a fabricante brasileira de jipes Troller, em 1999) e a empresa de baterias Moura.
Procurada, a Fiat informou que “não tem nada a falar sobre a MP”. “É uma medida do governo que é válida para o setor.” A Casa Civil informou que quem poderia dar explicações sobre a MP era o Ministério da Fazenda.
Procurada, a Fazenda não respondeu ao questionamento da reportagem.


Colaboraram FÁBIO GUIBU e MATHEUS MAGENTA, enviados a Salgueiro (PE)

Categorias:2010, Economia, Política Tags:

Krougman não aguenta e deixa a máscara cair

dezembro 14, 2010 1 comentário

Se alguém ainda duvidava do caráter político partidário da atuação de Krougman em seus artigos no NYT, o que ele escreveu agora vai fazer muita gente chorar…

Krougman diz com todas as letras que  o corte de impostos proposto pelos republicanos é economicamente bom. Porém teme que a repercussão disso, seja desfavorável a Obama e aos democratas.

Ou seja, se a economia começar a melhorar no período e ficar na cabeça das pessoas que os republicanos quiseram uma medida que a maioria dos democratas não queria, o risco de isso se transformas em uma perda de votos nas eleições é grande. E isso Krougman não concorda. Para ele é melhor não tomar essa medida, que ele mesmo acha que pode ajudar a economia, para não prejudicar os democratas no futuro.

É ou não é uma beleza?

Para os que não acretidam, basta ler aqui.

Ainda me assombra o fato desse homem ter recebido um Nobel.

A religião Krugman

setembro 23, 2010 1 comentário

Já falei por aqui como Krugman virou uma fraude de si mesmo, deixando de ser um analista econômico apenas para se tornar um defensor das políticas democratas no NYT. O pior que o homem ainda ganhou um Nobel que muitos não entendem porque.

O artigo abaixo demonstra como Krugman atira para todos os lados na defesa do seu ponto de vista. Mente, desmente, diz que não disse, ignora o que falou anteriormente como se não tivesse falado, ataca pessoas que pensam de maneira diferente da dele.

Nele, o economista indiano Raghuram Rajan demonstra as táticas utilzadas por Krugman durante anos. Excelente leitura. Dica do Igor no Mosca Azul.

Correcting Krugman

By RAGHURAM G. RAJAN

Paul Krugman and Robin Wells caricature my recent book Fault Lines in an article in The New York Review of Books. The article, and their criticism, however, do have a lot to say about Krugman’s policy views (for simplicity, I will say “Krugman” and “he” instead of “Krugman and Wells” and “they”), which I have disagreed with in the past. Rather than focus on the innuendo about my motives and beliefs in the review, let me focus on differences of substance. I will return to why I believe Krugman writes the way he does only at the end.

First, Krugman starts with a diatribe on why so many economists are “asking how we got into this mess rather than telling us how to get out of it.”  Krugman apparently believes that his standard response of more stimulus applies, regardless of the reasons why we are in the economic downturn. Yet it is precisely because I think that the policy response to the last crisis contributed to getting us into this one that it is worthwhile examining how we got into this mess, and to resist the unreflective policies that Krugman advocates.

My book emphasizes a number of related fault lines that led to our current predicament. Krugman discusses and dismisses two — the political push for easy housing credit in the United States and overly lax monetary policy in the years 2002-2005 — while favoring a third, the global trade imbalances (which he does not acknowledge are a central theme in my book). I will argue shortly, however, that focusing exclusively on the imbalances as Krugman does, while ignoring why the United States became a deficit country, gives us a grossly incomplete understanding of what happened. Finally, Krugman ignores an important factor I emphasize — the incentives of bankers and their willingness to seek out and take the tail risks that brought the system down.

Let me start with the political push to expand housing credit. I argue that in an attempt to offset the consequences of rising income inequality, politicians on both sides of the aisle pushed easy housing credit through government units like the Federal Housing Administration, and by imposing increasingly rigorous mandates on government-sponsored enterprises such as Fannie Mae and Freddie Mac. Interestingly, Krugman neither disputes my characterization of the incentives of politicians, nor the detailed documentation of government initiatives and mandates in this regard. What he disputes vehemently is whether government policy contributed to the housing bubble, and in particular, whether Fannie and Freddie were partly responsible.

In absolving Fannie and Freddie, Krugman has been consistent over time, though his explanations as to why Fannie and Freddie are not partially to blame have morphed as his errors have been pointed out.  First, he argued that Fannie and Freddie could not participate in sub-prime financing. Then he argued that their share of financing was falling in the years mortgage loan quality deteriorated the most.  Now he claims that if they indeed did it (and they did not), it was because of the profit motive and not to fulfill a social objective. Let me offer details.

In a July 14, 2008 op-ed in The New York Times, Krugman explained why Fannie and Freddie were blameless thus:

Partly that’s because regulators, responding to accounting scandals at the companies, placed temporary restraints on both Fannie and Freddie that curtailed their lending just as housing prices were really taking off. Also, they didn’t do any subprime lending, because they can’t: the definition of a subprime loan is precisely a loan that doesn’t meet the requirement, imposed by law, that Fannie and Freddie buy only mortgages issued to borrowers who made substantial down payments and carefully documented their income. So whatever bad incentives the implicit federal guarantee creates have been offset by the fact that Fannie and Freddie were and are tightly regulated with regard to the risks they can take. You could say that the Fannie-Freddie experience shows that regulation works. [emphasis mine]

Critics were quick to point out that Krugman had his facts wrong. As Charles Calomiris, a professor at Columbia University, and Peter Wallison, of the American Enterprise Institute (and member of the Financial Crisis Inquiry Commission), explained, “Here Krugman demonstrates confusion about the law (which did not prohibit subprime lending by the GSEs), misunderstands the regulatory regime under which they operated (which did not have the capacity to control their risk-taking), and mismeasures their actual subprime exposures (which he wrongly states were zero).”

So Krugman shifted his emphasis. In his blog critique of a Financial Times op-ed I wrote in June 2010, Krugman no longer argued that Fannie and Freddie could not buy sub-prime mortgages. Instead, he emphasized the slightly falling share of Fannie and Freddie’s residential mortgage securitizations in the years 2004 to 2006 as the reason they were not responsible. Here again he presents a misleading picture. Not only did Fannie and Freddie purchase whole sub-prime loans that were not securitized (and are thus not counted in its share of securitizations), they also bought substantial amounts of private-label mortgage-backed securities issued by others. When these are taken into account, Fannie and Freddie’s share of the sub-prime market financing did increase even in those years.

“Asset prices and bubbles have momentum. Even if Fannie and Freddie had simply ignited the process, and not fueled it in the go-go years of 2004-2006, they would bear some responsibility.” 

Of course, one could question this form of analysis. Asset prices and bubbles have momentum. Even if Fannie and Freddie had simply ignited the process, and not fueled it in the go-go years of 2004-2006, they would bear some responsibility. Krugman never considers this possibility.

In the current review piece, Krugman first quotes the book by Nouriel Roubini and Stephen Mihm: “The huge growth in the subprime market was primarily underwritten not by Fannie Mae and Freddie Mac but by private mortgage lenders like Countrywide. Moreover, the Community Reinvestment Act long predates the housing bubble…. Overblown claims that Fannie Mae and Freddie Mac single-handedly caused the subprime crisis are just plain wrong.”

Clearly, Fannie and Freddie did not originate sub-prime mortgages directly — they are not equipped to do so. But they fuelled the boom by buying or guaranteeing them. Indeed, Countrywide was one of their largest originators of sub-prime mortgages, according to work by Ed Pinto, a former chief credit officer of Fannie Mae, and participated from very early on in Fannie Mae’s drive into affordable housing.

For instance, consider this press release from 1992:

Countrywide Funding Corporation and the Federal National Mortgage Association (Fannie Mae) announced today that they have signed a record commitment to finance $8 billion in home mortgages.  Fannie Mae said the agreement is the single largest commitment in its history…The $8 billion agreement includes a previously announced $1.25 billion of a variety of Fannie Mae’s affordable home mortgages, including reduced down payment loans…

“We are delighted to participate in this historic event, and we are particularly proud that a substantial portion of the $8 billion commitment will directly benefit lower income Americans,” said Countrywide President Angelo Mozilo…”We look forward to the rapid fulfillment of this commitment so that Countrywide can sign another record-breaking agreement with Fannie Mae,” Mozilo said.

“Countrywide’s commitment will provide home financing for tens of thousands of home buyers, ranging from lower income Americans buying their first home to middle-income homeowners refinancing their mortgage at today’s lower rates,” said John H. Fulford, senior vice president in charge of Fannie Mae’s Western Regional Office located here.

Of course, as Fannie and Freddie bought the garbage loans that lenders like Countrywide originated, they helped fuel the decline in lending standards. Also, while the Community Reinvestment Act was enacted in 1979, it was the more vigorous enforcement of the provisions of the Act in the early 1990s that gave the government a lever to push its low-income lending objectives, a fact the Department of Housing and Urban Development (HUD) was once proud of (see the HUD press releases below).

Perhaps more interesting is that after citing Roubini and Mihm, Krugman repeats his earlier claim: “As others have pointed out, Fannie and Freddie actually accounted for a sharply reduced share of the home lending market as a whole during the peak years of the bubble.” Now he attributes the inaccurate claim that Fannie and Freddie accounted for a sharply reduced share of the home lending market to nameless “others.” But that is just the prelude to changing his story once again: “To the extent that they did purchase dubious home loans, they were in pursuit of profit, not social objectives—in effect, they were trying to catch up with private lenders.”  In other words, if they did do it (and he denies they did), it was because of the profit motive.

Clearly, everything Fannie and Freddie did was because of the profit motive — after all, they were private corporations. But I don’t know how we can tell without more careful examination how much of the lending they did was to meet the government’s affordable housing mandates or to curry favor with Congress in order to preserve their profitable prime mortgage franchise, and how much was to increase the bottom line immediately.  Perhaps Krugman can tell us how he determined their intent?

Interestingly, before the housing market collapsed, HUD proudly accepted its role in pushing low-income lending through the various levers that Krugman now denies were used. For instance, in 2000 when it announced that it was increasing Fannie and Freddie’s affordable housing goals, it concluded:

Lower-income and minority families have made major gains in access to the mortgage market in the 1990s. A variety of reasons have accounted for these gains, including improved housing affordability, enhanced enforcement of the Community Reinvestment Act, more flexible mortgage underwriting, and stepped-up enforcement of the Fair Housing Act. But most industry observers believe that one factor behind these gains has been the improved performance of Fannie Mae and Freddie Mac under HUD’s affordable lending goals. HUD’s recent increases in the goals for 2001-03 will encourage the GSEs to further step up their support for affordable lending.”

And in 2004, when it announced yet higher goals, it said:

Over the past ten years, there has been a ‘revolution in affordable lending’ that has extended homeownership opportunities to historically underserved households. Fannie Mae and Freddie Mac have been a substantial part of this ‘revolution in affordable lending’. During the mid-to-late 1990s, they added flexibility to their underwriting guidelines, introduced new low-down payment products, and worked to expand the use of automated underwriting in evaluating the creditworthiness of loan applicants. HMDA data suggest that the industry and GSE initiatives are increasing the flow of credit to underserved borrowers. Between 1993 and 2003, conventional loans to low income and minority families increased at much faster rates than loans to upper-income and nonminority families.

IIf the government itself took credit for its then successes in expanding home ownership, why is Krugman not willing to accept its contribution to the subsequent bust as too many lower middle-class families ended up in homes they could not afford? I agree there is room for legitimate differences of opinion on the quality of data, and the extent of government responsibility, but to argue that the government had no role in directing credit, or in the subsequent bust, is simply ideological myopia.

Let me move on to Krugman’s second criticism of my diagnosis of the crisis. He argues that the Fed’s very accommodative monetary policy over the period 2003 to 2005 was also not responsible for the crisis. Here Krugman is characteristically dismissive of alternative views. In his review, he says that there were good reasons for the Fed to keep rates low given the high unemployment rate. Although this may be a justification for the Fed’s policy (as I argue in my book, it was precisely because the Fed was focused on a stubbornly high unemployment rate that it took its eye off the irrational exuberance building in housing markets and the financial sector), it in no way validates the claim that the policy did not contribute to the manic lending or housing bubble.

A second argument that Krugman makes is that Europe too had bubbles and the European Central Bank was less aggressive than the Federal Reserve, so monetary policy could not be responsible. It is true that the European Central Bank was less aggressive, but only slightly so: It brought its key refinancing rate down to only 2 percent, while the Fed brought the Fed Funds rate down to 1 percent. Clearly, both rates were low by historical standards. More important, what Krugman does not point out is that different Euro-area economies had differing inflation rates, so the real monetary policy rate was substantially different across the Euro area despite a common nominal policy rate. Countries that had strongly negative real policy rates — Ireland and Spain are primary exhibits — had a housing boom and bust, while countries like Germany with low inflation, and therefore higher real policy rates, did not. Indeed, a working paper by two ECB economists, Angela Maddaloni and José-Luis Peydró, indicates that the ultra-low rates enforced by both the ECB and the Fed at this time had a strong causal effect in relaxing banks’ commercial, mortgage, and retail lending standards over this period.

I admit that there is much less consensus on whether the Fed helped create the housing bubble and the banking crisis than on whether Fannie and Freddie were involved. Ben Bernanke, a monetary economist of the highest caliber, denies it, while John Taylor, an equally respected monetary economist insists on it. Some Fed studies accept responsibility while others deny it. Krugman, of course, has an interest in defending the Fed and criticizing alternative viewpoints. He himself advocated the policies the Fed followed, and in fact, was critical of the Fed raising rates even when it belatedly did so in 2004. Then, as he does now, Krugman emphasized the dangers from a Japanese-style deflation, as well as the slow progress in bringing back jobs. Then, as he does now, he advocated more stimulus. Then, as he does now, Krugman ignored the longer term adverse consequences of the policies he advocated.

“The United States did not have to run a large trade deficit and absorb the capital inflows – the claim that it had to sounds very much like that of the over-indulgent and over-indebted rake who blames his creditors for being willing to finance him. “ 

Finally, if he denies a role for government housing policies, or for monetary policy, or even for warped banker incentives, then what does Krugman attribute the crisis to? His answer is over-saving foreigners. Put simply, trade-surplus countries like Germany and China had to reinvest their financial surpluses in the United States, pushing down long-term interest rates in the process, and igniting a housing bubble that eventually burst and led to the financial panic. But this is only a partial explanation, as I argue in my book. The United States did not have to run a large trade deficit and absorb the capital inflows – the claim that it had to sounds very much like that of the over-indulgent and over-indebted rake who blames his creditors for being willing to finance him. The United States’s policies encouraged over-consumption and over-borrowing, and unless we understand where these policies came from, we have no hope of addressing the causes of this crisis.  Unfortunately, these are the policies that Krugman wants to push again. This is precisely why we have to understand the history of how we got here, and why Krugman wants nothing to do with that enterprise.

There is also a matter of detail suggesting why we cannot only blame the foreigners. The housing bubble, as Monika Piazzesi and Martin Schneider of Stanford University have argued, was focused in the lower income segments of the market, unlike in the typical U.S. housing boom. Why did foreign money gravitate to the low income segment of the housing market? Why did past episodes when the U.S. ran large current account deficits not result in similar housing booms and busts?  Could the explanation lie in U.S. policies?

My book suggests that many — bankers, regulators, governments, households, and economists among others — share the blame for the crisis. Because there are so many, the blame game is not useful. Let us try and understand what happened in order to avoid repeating it. I detail the hard choices we face in the book. While it is important to alleviate the miserable conditions of the long-term unemployed today, we also need to offer them incentives and a pathway to building the skills that are required by the jobs that are being created. Simplistic mantras like “more stimulus” are the surest way to distract us from policies that generate sustainable growth.

Finally, a note on method. Perhaps Krugman believes that by labeling other economists as politically extreme, he can undercut their credibility. In criticizing my argument that politicians pushed easy housing credit in the years leading up to the crisis, he writes,  “Although Rajan is careful not to name names and attributes the blame to generic ‘politicians,’ it is clear that Democrats are largely to blame in his worldview.” Yet if he read the book carefully, he would have seen that I do name names, arguing both President Clinton with his “Affordable Housing Mandate” (see Fault Lines, page 35), as well as President Bush with his attempt to foster an “Ownership Society” (see Fault Lines, page 37) pushed very hard to expand housing credit to the less well-off. Indeed, I do not fault the intent of that policy, only the unintended consequences of its execution. My criticism is bipartisan throughout the book, including of the fiscal policies followed by successive administrations. Errors of this kind by an economist of Krugman’s stature are disappointing.

Vai um cigarro aí?

maio 5, 2010 2 comentários

Você escolheria o presidente de uma empresa fabricante de cigarros para avaliar o trabalho de um cientista que “provou” que o cigarro não faz mal à saúde? Pois fizeram exatamente isso. Com a clara intenção de lavar a reputação dos cientistas do Climategate, a universidade aos quais pertencem escolheu não só alguém que acredita nas teorias desenvolvidas no CRU (Centro de Pesquisa do Clima), mas que também possui grandes interesses na manutenção do suposto (e irreal) consenso sobre o Aquecimento Global Antropogênico (AGW em inglês). O nome dele é Lord Oxburgh. Ele declarou que é ligado a empresas de energia eólica e de energia renovável. Ele mesmo afirmou isso. Admitiu, também, que é Conselheiro do Climate Change Capital, que administra um fundo de US$ 1, 5 bilhão, esperando para ganhar muito dinheiro com o comércio de carbono. Indústria essa que o próprio fundo admite ter um potencial de US$ 45 trilhões. Entendem agora porque a General Eletric está apoiando a legislação de carbono de Obama? Pelo mesmo motivo que as ações das empresas de seguro saúde e farmacêutica nos EUA subiram exponencialmente após a assinatura do Obamacare.

O sabão em pó preferido dos Cientistas Alarmistas. Lava mais branco.

 Mas o pior ainda está por vir. O que o Lord Oxburgh não divulgou é que ele é diretor e vice-presidente de uma obscura companhia chamada “Global Legislators Organisation for a Balanced Environment”. A empresa se auto intitula uma “rede de lobbies global para que governos tomem atitudes mais enérgicas (traduzindo: mais dinheiro) no assunto de mudanças climáticas”. Não se pode dizer que não possui conexões importantes. Na desastrada e caríssima conferência em Copenhagem, seu seminário teve a presença de pessoas como Nancy Pelosi, a autoritária Presidenta da Câmara de Deputados dos Estados Unidos, e não por coincidência uma das maiores incentivadoras da legislação de carbono que irá enriquecer muitas pessoas (menos os contribuintes, eles vão pagar, é claro).

 O Presidente Internacional da Empresa é nada menos que Stephen Byers, membro do Partido Trabalhista Inglês e que recentemente declarou que seria “igual  a um taxi de aluguel, com tarifa de 5 mil libras por dia para fazer lobby” . Além de Byers, fazem parte da empresa outros dois outros membros do Parlamento Britânico: Elliot Morley, ex-presidente da Global e David Chaytor. Ambos são conhecidos agora por estarem sendo investigados pelo mau uso de verbas públicas. Não preciso dizer que ambos são do Partido Trabalhista.

 Olhando as credenciais não é difícil dizer por que o Sr. Oxburgh aceitou o papel de presidente da comissão. E nem mesmo comentei dos outros selecionados. Da mesma forma que os cientistas do CRU selecionavam os dados que mais lhe conviam para gerar os fantásticos e tenebrosos gráficos sobre o fim da civilização (essa prática é conhecida com Cherry Picking ), a Universidade de East Anglia escolheu muito bem as pessoas para participarem do suposto “independente” inquérito. O resultado já saiu. Em apenas um dia de audição a comissão não achou absolutamente nada que desabonasse a conduta dos cientistas. Apenas fez uma ressalva quanto à destruição dos dados sobre as pesquisas (com a clara intenção de impedir o peer rewiew, que é a análise do trabalho científico por outros cientistas independentes). Tudo em casa. Tudo na boa.

 Vai um cigarro aí?

No caminho do Terceiro Mundo

março 24, 2010 4 comentários

Que os brasileiros, mesmo os jornalistas mais informados, pouco têm conhecimento da sociedade americana é um fato bem conhecido. Padecem do erro de tentar ver nos americanos algumas das características latino americanas, ou melhor, gostariam que os americanos fossem um pouco mais parecidos conosco. Para melhor, o que é bom, e para pior. Gostariam de ver a mesma leniência política e ideológica, a mesma relatividade moral, o mesmo estatismo, o mesmo “pai dos pobres”, a mesma dependência de poder central.

Acontece que os americanos são diferentes (ainda bem), possui uma história diferente, valores diferentes, objetivos diferentes, uma visão de mundo e de sociedade diferente da nossa.

Quando chega ao poder um cara como Obama, que é muito parecido com uma figura política sul americana ficam excitados.  É quase um sonho se tornando realidade. Ainda mais quando chega após uma figura patética quanto Bush.

Isso cega, completamente a análise política e econômica da atuação de Obama na Casa Branca. O caso do Health Care é bem característico. Não importa os absurdos incoerentes ditos por Obama, todo discurso dele é “histórico”. Não importa o que ele faz tudo leva nuance de algo místico e superior.

O Alon em seu excelente blog ao comentar sobre a aprovação do pacote de saúde democrata afirma:

Uma reforma na Saúde para incluir a ampla maioria dos até agora excluídos e reduzir o poder das companhias de seguros.

Que “ampla maioria” que ele se refere? De onde ele tirou essa informação eu não sei. Cerca de 15% da população americana não tem plano de saúde. Dificilmente isso é uma “ampla maioria”, mesmo somando aos 21% que afirmam que seus planos não cobrem suas despesas. Novamente 31% também não podem ser considerados nem mesmo maioria. Mas isso é o que menos importa nesse debate. Só coloquei isso para mostrar a falta de embasamento. Seguimos.

(…) A reforma na Saúde enfrenta a rejeição popular —vitaminada pela poderosíssima campanha dos lobbies. Por isso, o bom senso e o instinto de sobrevivência política recomendavam ao presidente, segundo o pensamento convencional, um recuo tático. Assessores sugeriram isso a Obama.

Primeiramente ele deveria dizer que lobbies ele está se referindo. Só se for do povo americano que desde sempre se mostrou desfavorável a ESSA reforma da saúde.

Vamos aos dados? Todos extraídos do instituto de pesquisa Rasmussen.

Um total de 49% dos americanos é favorável que os Estados entrem com ações judiciais contestando a obrigação de possuírem um seguro saúde.

Cerca de 54% dos americanos acreditam que os custos dos planos é um problema maior que a cobertura universal. E eles sabem que o plano de Obama vai aumentar esses custos e não diminuir.  Mais de 40% acreditam que o preço dos remédios irá aumentar e apenas 23% acreditam que vão cair. Guardem esses números que comentarei sobre eles mais tarde.

Isso mostra, também porque 54% dos americanos são contra o plano de Obama. Veja bem, não estou dizendo que são contra uma reforma na saúde, são contra ao plano de Obama.

Esses números, facilmente encontrados na internet mostram um perfil do povo americano totalmente diferente daquele que encontramos em Obamistas no Brasil e no mundo. Fato é que costumam se cercar de mídia que apoiam o governo Obama incondicionalmente como CNN, MSNBC e o New York Times. Acreditam piamente que a maioria da população apoia Obama, a despeito de todos os protestos que estão acontecendo. Até porque, segundo esses analistas, são todos racistas, retrógrados, fascistas, conservadores e etc. O resultado da eleição no quintal dos Kennedy não forneceu nenhuma dica a essas pessoas. Quer dizer até forneceu, eles que preferem realizar análises baseadas em seus desejos mais obscuros e não na realidade. Já mostrei aqui o desastre que será para os Democratas as próximas eleições ao Senado. Deixaram de lado, também que quase 20% dos Democratas votaram contra o plano de Obama. Foram 34 votos dos democratas contra. Mas isso passa batido nas análises realizadas.

Lembram-se do que o Alon afirma? Que Obama teve que lutar contra “lobbies poderosíssimos”? Eu gostaria, muito, muito mesmo, que ele dissesse que lobbies são esses. Das empresas de Seguro saúde que não são. Pois uma pessoa que faz uma análise da realidade, que acompanha a sociedade e a política americana poderia ter verificado que as ações das empresas de seguro e fabricantes de remédio subiram como nunca após a assinatura da lei.

A verdade agora é o seguinte. Só um total alienado acredita que o déficit americano irá cair com esse plano. É só ver também, que o dólar perdeu mais valor ainda.

Humm, estranho não é? Ou não?

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Update

Outra coisa que é incompreensível é a opção por ignorar que a impopularidade alta de Obama nos EUA deve-se, também, a essa reforma da saúde. A maioria dos Obamistas dizem que foi uma grande “vitória” para Obama, um ponto de mudança na curva…

De onde vem essa análise não faço a menor idéia. Obama vai gastar milhões na propaganda de seu projeto, aliás o que já é algo estranho. Aprovar o que grande parte do povo americano não quer e depois tentar vender aquilo que foi enfiado goela abaixo.

No próximo mês coloco novamente as pesquisas de popularidade. Veremos então…