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A história esquecida – Dilma, a “mãe do PAC”

julho 20, 2011 2 comentários

Impressionante como o passado de Dilma como “Mãe do PAC” foi varrido da história. Das duas uma:

Ou a Dilma sabia de tudo o que estava acontecendo no Ministério dos Transporte e concordava com isso (e o PT ganhava o seu quinhão, lógico);

Ou o mito da melhor gerente da galáxia conhecida e desconhecida caiu por terra.

A melhor gerente da Galáxia

E o PIG continua dócil toda vida…

Ninguém questiona a origem de Dilma como gerente do PAC. Ninguém questiona se como gerente do PAC ela sabia do que estava acontecendo. E se não soubesse que raios de trabalho ela fazia lá já que o que se descobriu era tão escandaloso que a fez, agora, demitir mais de 10 pessoas?

Pagot disse que Dilma questionou o valor das obras. Pagot disse que Dilma não foi omissa. Pagot disse que Dilma sabia de tudo.

Se Dilma questionou o valor das obras sabia que estavam superfaturadas. Se Dilma não foi omissa sua ação foi a de permitir o roubou. Se Dilma sabia de tudo, compactuava com o roubo.

Será que ela só era a “mãe do PAC” na hora de apresentar os resultados? Se bem que da forma que os resultados eram descaradamente fraudados, podemos encontrar um padrão de conduta.

Rapidinhas II

julho 12, 2011 6 comentários

Trem Bala

Há algo de muito errado em um projeto que antes de ser iniciado tem seus custos dobrados. O Trem Bala que é um quase um fetiche da Presidente Dilma é algo de estúpido, desnecessário, inviável e sem nenhuma sustentabilidade.

A deficiência no país são os aeroportos, portos e nossa malha ferroviária de carga e interligações modais. Esse neodesenvolvimentismo que beira a megalomania dos militares pode levar o país a banca rota.

O risco é teu e não meu

Sou totalmente favorável que os bancões que emprestaram dinheiro para Grécia, Itália e Espanha percam dinheiro. Sabemos que isso nunca irá acontecer e isso é muito ruim. Calote faz parte do risco do negócio. Não que eu esteja incentivando isso, mas se acabarmos com o risco, acaba o moral harzard e aí o céu é o limite.

A maior parte da crise mundial de hoje deve-se às garantias de governos a operações financeiras de empresas privadas e estatais. O risco dos banqueiros e acionistas é mitigado pela Viuva. Sem que a imensa maioria dos pagadores de impostos ganhem os lucros. Só ficam com os prejuízos.

Marina Silva

Quem é Marina Silva?

Segura que o PIG é teu

Chega a ser comovente o esforço de parte da imprensa para afagar a Presidente Dilma. Seja em mais um caso de corrupção desmascarado ou em mais um caso de uso do BNDES para ajudar os amigo.  Em menos de uma semana os jornais dizem que “Dilma desbaratou um processo de corrupção do governo Lula” como se ela não fosse a mãe do PAC e não fizesse parte do governo do Lula, aliás, governo dela que seria de “continuação”. Dizem, também, que a decisão de não usar o BNDES não foi derivada da chiadeira de todo economista que não está na folha do governo (direta ou indiretamente) rejeita. Ora, essa tentatíva nem viria a público se não tivesse sido aprovada pelo PT, pela Dilma e seu governo.

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Por que sou liberal

julho 1, 2011 1 comentário

30 de Junho de 2011 – por João Luiz Mauad

Recentemente, um amigo esquerdista instou-me a explicar por que sou um liberal. Respondi que, ao contrário do que muita gente pensa, minha opção pelo liberalismo não é utilitarista, como a de Mises, David Friedman e muitos outros, embora eu realmente considere que as organizações sociais liberais são as mais eficientes para o bem estar geral de qualquer sociedade. Minha opção pelo liberalismo está fincada, acima de tudo, em princípios e valores morais.

Antes de continuar, deixe-me esclarecer o que são princípios e valores, para efeito deste artigo, já que muita gente costuma (intencionalmente ou não) confundir os dois conceitos. Colocando de forma simples e prática, valores estão relacionados com fins, com objetivos, enquanto princípios vinculam-se a meios, preceitos morais e éticos que norteiam as nossas ações. Valores são qualidades e/ou propriedades escalares, dependentes de avaliações subjetivas, enquanto princípios são determinantes rígidos de conduta. Tal distinção é muito importante para mostrar que princípios podem ser absolutos, enquanto valores serão sempre relativos.

Muitos dos críticos do liberalismo assumem, como premissa básica de seus argumentos, que “liberdade” e “propriedade” seriam “princípios fundamentais” do liberalismo, para, a partir daí, demonstrarem que aqueles “princípios” não podem, de fato, fundamentar qualquer doutrina ou filosofia, porque não são absolutos.

A verdade é que, para efeito da filosofia liberal, nem liberdade, nem propriedade e nem mesmo a vida são considerados princípios, mas essencialmente valores. Embora a vida, a liberdade e a propriedade sejam valores muito caros aos liberais, conflitos entre eles e deles com outros valores podem ser frequentes. De fato, não há valores absolutos, nem mesmo a vida. Nada impede que um autêntico liberal sacrifique a própria vida em nome da vida de um terceiro ou de outros valores, como fez o cubano Zapata, morto recentemente após longa greve de fome. Para ele, a liberdade era um valor maior até que a própria vida. Quantos pais não seriam capazes de sacrificar a própria vida para salvar um filho? A justiça, por seu turno, como bem exemplificou Isaiah Berlin, pode ser um valor precioso para muitos liberais, porém, em determinados casos, nada impede que outros valores se choquem com ela – como a clemência ou a compaixão – e acabemos optando pelo perdão, no lugar da condenação.

Já os princípios dizem respeito a meios, a formas de conduta. A “não agressão”, por exemplo, é um princípio moral absoluto para os liberais. Será que outros princípios podem, legitimamente, conflitar com ele? Pode ser legítimo, para um liberal, matar, roubar ou escravizar outro homem? Eu acho que não. Com efeito, se a vida é um valor; o direito (meu e dos outros) à vida é um princípio (que legitima inclusive a legítima defesa). Se a liberdade é um valor; o direito à liberdade (meu e dos outros) é um princípio. Assim é também com a propriedade. É legítimo que eu cometa suicídio, mas jamais será legítimo que eu cometa homicídio. É legítimo que eu doe as minhas propriedades, mas jamais será legítimo que alguém não autorizado as doe por mim. Num certo sentido, portanto, os princípios liberais servem muito mais para identificar aquilo que não devemos fazer do que propriamente conduzir as nossas ações positivas.

Como visto acima, são vários os princípios de fundamento da filosofia liberal, mas o mais comum, sem dúvida – pois de certa maneira abrange todos os outros – é o princípio da “não-agressão”. De forma simples, você pode fazer o que bem quiser com sua vida, sua liberdade e sua propriedade, desde que você não inicie agressão contra a vida, a liberdade ou a propriedade de ninguém. Diante do enunciado acima, quase todo mundo diz: “concordo plenamente, mas…”

… e os pobres? Precisamos redistribuir a renda para atenuar o sofrimento deles, dirão os esquerdistas. Para isso, é preciso tirar recursos de Pedro para entregar a Paulo.

… e os usuários de drogas? Precisamos evitar que eles destruam as próprias vidas, dirão os conservadores. Proibam-se as drogas.

… e os desempregados? Precisamos evitar que os patrões demitam os trabalhadores, dirão novamente os esquerdistas.

… e (preencha aqui a sua causa favorita)? Precisamos que o estado roube ou escravize alguns, em benefício de outros, porque os resultados serão bons, dirão muitos, ainda que não exatamente com essas palavras.

O problema do relativismo moral – ou a não aceitação de princípios absolutos – é que as exceções acabam se tornando regras, de acordo com as conveniências de cada um. Todos estarão de acordo com o princípio da não-agressão, contanto que cada um esteja isento dele, em nome de uma exceção “razoável”. A essência da chamada “cláusula de escape”, entretanto, é a fuga da moralidade e a justificação da injustiça. É a quebra intencional de nossa bússola moral para que possamos ser liberados dos ditames e princípios universais: é errado roubar, ferir, escravizar ou matar outro ser humano.

Mas além dos princípios, o liberalismo que defendo também tem a ver com (des)crenças e valores. Em termos sucintos, desconfio de objetivos gerais a serem obtidos por leis ditadas pelo estado ou por normas positivas que pretendam transformar as pessoas em seres melhores. Ao contrário, acredito essencialmente em ordens sociais espontâneas. O liberalismo, ademais, coloca em foco não o povo, mas cada indivíduo, sendo este um valor mais alto que qualquer coletividade. Sociedade, estado, igreja, empresas e associações diversas são apenas ferramentas para que o indivíduo possa alcançar outros fins. Para os liberais uma sociedade é boa quando seus povos são formados por pessoas livres, sem entraves em seus caminhos pela busca da felicidade.

O liberalismo me atrai ainda porque busca compreender a natureza do ser humano como um guia básico para a vida social, ética e política. Entendemos que a essência do ser humano só pode se materializar através da liberdade, daí estarmos intrínseca e indissociavelmente ligados a ela. Com efeito, todo sacrifício da liberdade – que surge da dominação e da coerção – destrói uma parte do nosso ser. Por mais que isso possa chocar a alguns, eu creio que a liberdade é um valor superior à família, aos amigos, à sociedade, às organizações, às igrejas e aos estados.

Sou liberal porque não pretendo fabricar a felicidade ou bem-estar de ninguém por meio da coerção estatal ou de qualquer instituição ou associação que domine e reprima o indivíduo (a pessoa, o sujeito, o cidadão). Tal pretensão leva, invariavelmente, a uma confusão entre meios e fins. O estado utiliza a violência como um meio e os liberais sabem que, se permitirmos que ele utilize seus meios violentos, na esperança de atingir os objetivos da felicidade ou bem-estar geral, estaremos destruindo a liberdade.

Finalmente, sou liberal porque não tenciono eliminar as falhas cotidianas e limitações humanas usando a força ou o poder do estado ou de qualquer outra instituição. Entendo que os seres humanos devem ser livres para escolher entre o bem e o mal. Acima de tudo, eles devem ser livres para cometer erros. Jamais poderemos ser seres morais sem tomar decisões por e para nós mesmos. Sou liberal porque esta doutrina não pretende impor sanções sobre as crenças, os discursos, as roupas, as manifestações artísticas, o consumo ou o comportamento sexual de quem quer que seja. Enfim, sou liberal porque sou contra a utilização dos poderes do estado para criar idealizações terrenas de sociedades perfeitas. Isto não só é impossível, como atenta contra a personalidade livre e criativa do ser humano.

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Governabilidade e Governo

No Brasil é costume justificar alianças escusas entre políticos em virtude de algo que chamam de “governabilidade”. Todo o balcão de negócios funciona a partir dessa justificativa. Cargos, comissões, empregos, emendas. Tudo em nome da governabilidade. Mas de que? A resposta é única: da União.

Como já comentei em outros posts, na República Federativa do Brasil a federação só existe no nome. Para existir uma federação de fato, os estados que a compõe precisam de certa independência do governo federal. Isso no Brasil não existe por vários motivos: seja que na própria constituição há artigos que vetam aos estados o direito de gerirem independentemente suas próprias receitas (vide ICMS) ou a existência de um regime tributário em que a grande parte do que é arrecadado é enviado ao governo federal e não aos estados e municípios. Desta forma tudo o que resta é a procissão de prefeitos e governadores, na conhecida tarefa de beija mão do mandatário do momento. Infelizmente, isso leva a todos os problemas que já conhecemos: o famoso balcão de negócios, que paralisa o Legislativo, relegando-o a apenas um pau mandado do governo federal. Essa é a atual situação da Câmara dos Deputados no Brasil. Inoperante, irrelevante, ineficaz.

O Supremo tem atuado como legislador, o que infelizmente, demonstra a situação atual da estrutura entre os poderes no Brasil. Poucas pessoas reconhecem o risco disso. A dependência brasileira do governo central é enorme e acaba subtraindo o poder e a importância dos governos dos estados e municípios. Precisa ser assim? Hoje no mundo temos um exemplo claro que não.

A Bélgica é um país que há mais de um ano não possui um governo central formado. Nas últimas eleições parlamentares não houve maioria de nenhum partido e não foi encontrado um acordo para um gabinete de coalizão. Porém o país não parou. A crise econômica foi enfrentada e a economia está crescendo. Não há distúrbios, violência, inoperância administrativa. Inclusive a Bélgica exerceu o mandato na presidência da Comunidade Europeia com sucesso. Isso acontece pelo simples fato que a federação belga funciona. As regiões possuem um grande grau de independência do governo federal e grande parte dos serviços é executada em sua abrangência. De certa forma há uma importância maior dos governos locais frente ao governo federal.

O Brasil iria se beneficiar e muito se algo parecido acontecesse aqui. O país é enorme e as necessidades de uma região nem sempre são as mesmas. Além do mais, com um regime tributário mais racional, privilegiando os estados e municípios o dinheiro chegaria mais rápido, sem necessitar do beija mão federal. Infelizmente não é da vontade política atual que algo assim seja feito. A reforma fiscal e tributária passa longe das prioridades do Planalto Central. Mas sem uma reforma desse tipo, continuaremos a andar para os lados.

Guerra Fiscal – Quando o Federalismo acaba

junho 8, 2011 2 comentários

O Brasil nunca foi um país muito afeito à competição empresarial. O corporativismo é a tônica nas relações governamentais e empresariais. A imprensa também faz o seu papel. Não é incomum lermos notícias com os títulos garrafais como “Guerra de tarifas entre empresas aeras”. Ninguém utiliza o atributo “guerra” para demonstrar coisas boas. Implicitamente querem demonstrar que a competição entre as empresas é ruim. A pergunta seria: “ruim para quem?”. Para o consumidor é que não é.

Infelizmente nossa Constituição, péssima, diga-se de passagem, fornece as armas para acabar com essa “guerra”. Inclusive entre os Estados. Não é surpresa para ninguém que na República Federativa do Brasil a federação só existe no nome. Recentes medidas do STF acabaram com a possibilidade de Estados fornecerem incentivos fiscais para atração de empresas. Consideram que os Estados devem combinar entre si.

Quem perde com isso? Para responder a essa pergunta devemos olhar para o mapa econômico do Brasil. A maior parte das grandes empresas concentram suas operações nos Estados do Sudeste e Sul do país. É onde se encontram os maiores mercados consumidores, melhores estradas, faculdades, mão de obra e etc. Os estados no Norte / Nordeste ainda possuem atrasos nos quesitos infraestrutura e mercado consumidor.

São Paulo sempre foi a capital econômica do país e detém o maior mercado consumidor. Logicamente é o Estado que as empresas sempre olham. Naturalmente há uma enorme concentração de grandes empresas.

Então como outros Estados conseguiriam atrair esses negócios? Incentivos fiscais. Isso não é novo, é praticado no mundo inteiro e tem a ver com a federalização. Se um Estado não é capaz de gerir nem mesmo suas receitas de impostos não pode ser chamado de um estado federado. Nada mais é que um repassador de dinheiro ao governo federal. E no Brasil é assim que funciona. A arrecadação da União é muito maior que a dos Estados, os deixando a mercê dos mandos e desmandos do Governo Federal. Prefeitos e governadores fazem romaria à Brasília para implorar por recursos. É um distanciamento total do princípio de subsidiariedade  que diz que os recursos devem estar próximos àqueles que os utilizam.

Dentro desse contexto podemos ver alguns interesses em jogo: a) dos Estados historicamente mais desenvolvidos do Sul / Sudeste, notadamente São Paulo; b) do Governo Federal que até permite alguns incentivos contanto que dentro de um contexto político (vide o incentivo de IPI dado por Lula a uma fábrica da FIAT em Pernambuco no apagar das luzes do governo).

E aqui eu faço um parêntese: os políticos de São Paulo sempre foram hábeis em manipular as leis para que o Estado de São Paulo fosse beneficiado frente a outros. É só lembrar o caso da cobrança de ICMS dos produtos derivados de petróleo. Esses produtos são os únicos que são tributados nos Estados consumidores e não nos Estados produtores. Os maiores perdedores são o Rio de Janeiro, Espírito Santo e a Bahia. Fecha parênteses.

Há outras pessoas, aquelas que advogam mais pelo Estado do que pelas pessoas, acham que dar incentivos fiscais às empresas seria algo como “tirar o leite das crianças”. Essas pessoas acham piamente que empresas (e pessoas) existem com o único objetivo e propósito que é sustentar a máquina estatal. Então fornecer incentivos fiscais entraria no rol dos crimes. Como assim dar incentivos a empresários malvados que só querem lucro? Esses são os piores, pois são os equivocados por consciências.

Então, respondendo à pergunta inicial de quem perde com o fim da “Guerra” Fiscal eu diria que são os Estados mais pobres pelo motivo de que sem os incentivos fiscais fica praticamente impossível o estabelecimento de grandes empresas, principalmente grandes indústrias nesses estados pelos motivos já apresentados. A dependência dos Estados mais pobres para como o governo federal só irá aumentar.

Os “equivocados por consciência” não entendem que é a melhor oportunidade de desenvolvimento de uma área carente do Brasil. Não veem o exemplo da cidade de Camaçari na Bahia que teve seu orçamento multiplicado após a implantação da fábrica da FORD. Mesmo com os incentivos fiscais. Essa fábrica emprega cerca de nove mil funcionários de forma direta e dez vezes esse número de forma indireta. Pergunte a alguém da cidade se a implantação da fábrica foi benéfica ou não mesmo com os incentivos fiscais.

O que perdemos é a noção de que o Estado trabalha para o bem estar da população e não o contrário. Se os impostos devem ser utilizados para a melhoria de vida as pessoas, a implantação de uma fábrica com geração de empregos e mais divisas faz o mesmo. Porque não o incentivo?

Será que alguém consegue comprovar que ganhar 35% de NADA é mais vantajoso que ganhar 2% de alguma coisa? E no caso essa alguma coisa pode chegar a bilhões?

Soluções sim, hipocrisia não.

abril 12, 2011 3 comentários

Sou favorável à Campanha do Desarmamento. Não vejo problema nenhum em uma ação que visa pessoas que querem se desfazer de armas de fogo. Sou totalmente contra a um novo referendo.  Ele custou milhões de reais e a população brasileira já se pronunciou. As declarações infelizes do presidente da OAB-RJ dizendo que talvez a população tenha “amadurecido” depois de cinco anos mostra como o respeito a opiniões alheias não está muito em alta no país atualmente. Se concordar com ele é amadurecido, senão são pessoas infantis que precisam dele para tomar suas decisões.

A resposta da população no plebiscito, além da concordância de que as pessoas tem o direito de defesa, mostrou que o povo brasileiro sabe que o real problema não são as armas adquiridas legalmente e sim as armas ilegais.

A legislação brasileira já é uma das mais restritivas do mundo em relação à compra de uma arma de fogo. É extremamente difícil adquirir um revolver ou uma pistola no calibre autorizado. São diversas taxas, entrevistas, testes de aptidão e psicológicos. Os números mostram isso. Antes da mudança da lei o Brasil vendia cerca de 500 mil armas de fogo ao ano, após a mudança esse número caiu para mais ou menos 100 mil. Parece um número alto, mas não é. Dentro desse universo encontram-se todas as profissões autorizadas por lei com direito de comprar armas de fogo. São policiais civis e militares, bombeiros militares, guardas municipais armados, membros do judiciário, empresas de segurança particular, empresas de transporte de valores, membros do executivo, do legislativo entre outros.  No ano de 2008 houve um pico na venda de armas no Brasil. Aconteceu pela liberação do calibre 40 a forças policiais.

Os argumentos apresentados pelo Viva Rio e outras ONGs não encontram base na realidade. Dizem que 60% das armas acauteladas pela polícia pertenceram a civis e foram roubadas, caindo nas mãos de criminosos. Esses números vão de encontro ao Relatório Final da CPI do Tráfico de Armas que na sua página 147 afirma: “Chama a atenção o crescimento do volume de armas que são acauteladas em situação criminal. Entre as armas de fogo acauteladas, 81% aparecem como armas que nunca tiveram registro, e só 19% das acauteladas são armas com registro prévio. Portanto, um quinto das armas relacionadas a crimes foram adquiridas legalmente”.

O próprio Sr. Rangel Bandeira membro do Viva Rio, participou da CPI do Tráfico de Armas. Em depoimentos afirmou sobre a facilidade de aquisição de armas fabricadas no Brasil em território paraguaio. E isso de fato acontece e é, indubitavelmente, a maior fonte de abastecimento da criminalidade não só no Rio de Janeiro, mas no Brasil inteiro.

As rotas do tráfico de armas são bem conhecidas, são bem mapeadas. Qualquer policial das fronteiras com a Argentina, Bolívia, Colômbia, Suriname e principalmente Paraguai sabem do comércio ilegal de armas. Aparentemente só o Poder Executivo brasileiro não sabe disso. Ou não quer saber.

É muito confortável ao Sr. Ministro da Justiça, após um evento trágico, colocar a culpa nos cidadãos que adquirem legalmente uma arma de fogo.  Dessa maneira tira o holofote de suas responsabilidades como ministro que deveria cuidar (juntamente como o Ministério da Defesa) das fronteiras do país e da facilidade para adquirir uma arma no mercado negro.

Cinco anos atrás a população brasileira já mostrou que não cai mais nesse truque. Que não quer mais ser enganada pela hipocrisia política e interesses obscuros. Quer soluções. E a solução não é mais as soluções fáceis de leis que somente atingem àqueles que as cumprem.

Porque bandidos, por definição, são pessoas que não respeitam às leis.

As Miragens de Robin Hood

março 28, 2011 1 comentário

Sempre fui um bom aluno de História. Comecei a gostar da matéria ainda no primeiro grau. Por sorte sempre tive bons professores. Geralmente uma criança começa a gostar de uma matéria específica quando o interesse é despertado por um bom profissional. Uma frase de um desses professores ficou guardada em minha mente: “História é a ciência que estuda o passado para entendermos o presente e vislumbrarmos o futuro”. Nunca me esqueci disso. Porém, como toda ciência social, a História é um tanto quanto interpretativa e pode variar de acordo com o ponto de vista do freguês. Lembro-me quando comecei a questionar a “doutrina oficial” da escola que Cuba era uma maravilha. Não conseguia entender como se um lugar é o paraíso na Terra, as pessoas queriam sair de lá e ir justamente para o lugar que era praticamente o estômago do capeta. A partir daí aprendi sempre a questionar as versões oficiais. Seja de quem for. Aprendi desde cedo a fazer algumas perguntas e a principal delas é “a quem interessa essa versão”.

O que isso tem a ver com Robin Hood? Todos nós sabemos a versão oficial da história do famoso arqueiro: “ele rouba dos ricos e dá aos pobres”. Mas isso também me incomodava toda vez que via um filme sobre ele. Em momento nenhum via Robin de Locksley (verdadeiro no me de Robin Hood) roubando de ricos para dar aos pobres. Estou enganado? Vejamos:

Robin de Locksley era rico. Filho do Barão de Locksley possuidor de vastas propriedades. Ungido de grande dever cívico (sic) Robin, contrariando seu pai, embarca nas Cruzadas de Ricardo Coração de Leão, rei inglês. Depois de se cansar de matar infiéis, Robin volta ao seu lar, apenas para encontra-lo destroçado, seu pai morto e ver sua fortuna desaparecer. O que faz Robin? Tenta reaver sua fortuna e limpar o nome de seu pai.

Durante essa busca Robin se depara com os usurpadores da riqueza e do nome de sua família. Quem são eles? Alguns pobres com raiva da fortuna dos Locksley? Os povos da floresta? Negativo. Robin se depara com o xerife de Sherwood. E qual era a função principal do xerife? Cobrar impostos. Opa! A trama se aprimora. Quer dizer então que o maior inimigo de Robin Hood era quem cobrava os impostos e não os ricos? Sim. Era.

Na verdade, como geralmente acontece com histórias e mitos, Robin Hood pode ter realmente existido. Um pesquisador chamado Joseph Hunter atribuiu a lenda de Robin Hood a Robert Hood que se tornou um fugitivo (fora da lei) por ter se rebelado juntamente com o Conde de Lancaster (outro rico) contra as cobraças abusivas de impostos realizadas pelo Príncipe João (ou João Sem Terra, apelido esse que recebeu por não ter sido agraciado com nenhuma propriedade dada a morte de seu pai Henrique II). Novamente a relação entre Robin Hood ou Robert Hood e a cobrança de impostos aparece.

No mito Robin se alia a os ladrões que viviam na floresta de Sherwood. Eles eram foras de lei. Mas por quê? Porque assaltavam ricos? Negativo. Foram considerados foras da lei por se recusarem a pagar os altos impostos cobrados pelo xerife de Sherwood. Impostos esses que eram cobrados no fio da espada, diga-se de passagem.

Finalmente Robin se apaixona por Maid Marian. Quem seria essa? Uma pobre habitante de floresta? Não. Marian era rica. Prima de Ricardo Coração de Leão. Em momento nenhum Robin roubou Marian.

Robin Hood passa 90% do filme lutando contra os cobradores de impostos. O restante passa tentando “limpar” seu nome e reaver sua fortuna.

Quem mensagem poderosa! Imaginem se ao invés de “aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres” a história de Robin Hood fosse contada como “aquele que se revoltou contra os impostos extorsivos”? Perceberam a diferença?

Alguns de vocês podem estar se perguntando: “Ora, mas quem criou o mito do bom ladrão? Daquele que rouba dos ricos para dar aos pobres”.

Ora, a quem interessa essa versão?

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