Rapidinhas

maio 19, 2011 3 comentários

Fundo do Poço

Quando o Ministro da Educação de um país afirma que é certo ensinar gramática errado nas escolas sabemos que chegamos ao fundo do poço. Interessante é que até agora não vi nenhum pronunciamento da UNE e da UBES. Chapa Branca pura.

Código Florestal

Alguém realmente acredita que o governo “quer votar o Código mesmo se for para perder”? O governo do PT QUER esse código, está de acordo com ele. Só tem que PARECER não estar de acordo para que não perca mais votos dos verdes que já perdeu para Marina Silva. É puro jogo de cena, coisa que o PT faz e muito bem.

DSK

Caros franceses: uma coisa é ter obsessão pela vida sexual alheia, coisa que os americanos realmente têm. Outra, completamente diferente, e passar a mão na cabeça de alguém acusado de estupro.

Suécia

E o PM da Suécia está no Brasil para falar com a Dilma. A entrevista dele no Valor é muito boa. Que inveja dos suecos, primeiramente por causa das suecas…

Sérgio Cabral

Prezado Governador: sou totalmente solidário aos gays pleitearem seus direitos. Sou um dos que acreditam que racismo parte primeiramente do Estado, então não deve impedir que casais do mesmo sexo não tenham os mesmos direitos garantidos na constituição de casais de sexos diferentes. Sou até mesmo favorável a adoção de crianças por casais gays. Agora permitir que policiais e bombeiros estejam em manifestações utilizando veículos das corporações é total falta de noção do que é público e privado. Não tem absolutamente nada a ver com direitos dos gays de manifestarem. Aposto que até mesmo os gays acham esse uso privado de um bem que deveria estar a serviço de TODOS um absurdo. Sei que o senhor está tentando trilhar o caminho populista do Lula, mas por favor, menas OK?

Obs.: Todos os erros de portugês contidos no post foram endossados pelo Ministério da Educação.

Soluções sim, hipocrisia não.

abril 12, 2011 3 comentários

Sou favorável à Campanha do Desarmamento. Não vejo problema nenhum em uma ação que visa pessoas que querem se desfazer de armas de fogo. Sou totalmente contra a um novo referendo.  Ele custou milhões de reais e a população brasileira já se pronunciou. As declarações infelizes do presidente da OAB-RJ dizendo que talvez a população tenha “amadurecido” depois de cinco anos mostra como o respeito a opiniões alheias não está muito em alta no país atualmente. Se concordar com ele é amadurecido, senão são pessoas infantis que precisam dele para tomar suas decisões.

A resposta da população no plebiscito, além da concordância de que as pessoas tem o direito de defesa, mostrou que o povo brasileiro sabe que o real problema não são as armas adquiridas legalmente e sim as armas ilegais.

A legislação brasileira já é uma das mais restritivas do mundo em relação à compra de uma arma de fogo. É extremamente difícil adquirir um revolver ou uma pistola no calibre autorizado. São diversas taxas, entrevistas, testes de aptidão e psicológicos. Os números mostram isso. Antes da mudança da lei o Brasil vendia cerca de 500 mil armas de fogo ao ano, após a mudança esse número caiu para mais ou menos 100 mil. Parece um número alto, mas não é. Dentro desse universo encontram-se todas as profissões autorizadas por lei com direito de comprar armas de fogo. São policiais civis e militares, bombeiros militares, guardas municipais armados, membros do judiciário, empresas de segurança particular, empresas de transporte de valores, membros do executivo, do legislativo entre outros.  No ano de 2008 houve um pico na venda de armas no Brasil. Aconteceu pela liberação do calibre 40 a forças policiais.

Os argumentos apresentados pelo Viva Rio e outras ONGs não encontram base na realidade. Dizem que 60% das armas acauteladas pela polícia pertenceram a civis e foram roubadas, caindo nas mãos de criminosos. Esses números vão de encontro ao Relatório Final da CPI do Tráfico de Armas que na sua página 147 afirma: “Chama a atenção o crescimento do volume de armas que são acauteladas em situação criminal. Entre as armas de fogo acauteladas, 81% aparecem como armas que nunca tiveram registro, e só 19% das acauteladas são armas com registro prévio. Portanto, um quinto das armas relacionadas a crimes foram adquiridas legalmente”.

O próprio Sr. Rangel Bandeira membro do Viva Rio, participou da CPI do Tráfico de Armas. Em depoimentos afirmou sobre a facilidade de aquisição de armas fabricadas no Brasil em território paraguaio. E isso de fato acontece e é, indubitavelmente, a maior fonte de abastecimento da criminalidade não só no Rio de Janeiro, mas no Brasil inteiro.

As rotas do tráfico de armas são bem conhecidas, são bem mapeadas. Qualquer policial das fronteiras com a Argentina, Bolívia, Colômbia, Suriname e principalmente Paraguai sabem do comércio ilegal de armas. Aparentemente só o Poder Executivo brasileiro não sabe disso. Ou não quer saber.

É muito confortável ao Sr. Ministro da Justiça, após um evento trágico, colocar a culpa nos cidadãos que adquirem legalmente uma arma de fogo.  Dessa maneira tira o holofote de suas responsabilidades como ministro que deveria cuidar (juntamente como o Ministério da Defesa) das fronteiras do país e da facilidade para adquirir uma arma no mercado negro.

Cinco anos atrás a população brasileira já mostrou que não cai mais nesse truque. Que não quer mais ser enganada pela hipocrisia política e interesses obscuros. Quer soluções. E a solução não é mais as soluções fáceis de leis que somente atingem àqueles que as cumprem.

Porque bandidos, por definição, são pessoas que não respeitam às leis.

As Miragens de Robin Hood

março 28, 2011 1 comentário

Sempre fui um bom aluno de História. Comecei a gostar da matéria ainda no primeiro grau. Por sorte sempre tive bons professores. Geralmente uma criança começa a gostar de uma matéria específica quando o interesse é despertado por um bom profissional. Uma frase de um desses professores ficou guardada em minha mente: “História é a ciência que estuda o passado para entendermos o presente e vislumbrarmos o futuro”. Nunca me esqueci disso. Porém, como toda ciência social, a História é um tanto quanto interpretativa e pode variar de acordo com o ponto de vista do freguês. Lembro-me quando comecei a questionar a “doutrina oficial” da escola que Cuba era uma maravilha. Não conseguia entender como se um lugar é o paraíso na Terra, as pessoas queriam sair de lá e ir justamente para o lugar que era praticamente o estômago do capeta. A partir daí aprendi sempre a questionar as versões oficiais. Seja de quem for. Aprendi desde cedo a fazer algumas perguntas e a principal delas é “a quem interessa essa versão”.

O que isso tem a ver com Robin Hood? Todos nós sabemos a versão oficial da história do famoso arqueiro: “ele rouba dos ricos e dá aos pobres”. Mas isso também me incomodava toda vez que via um filme sobre ele. Em momento nenhum via Robin de Locksley (verdadeiro no me de Robin Hood) roubando de ricos para dar aos pobres. Estou enganado? Vejamos:

Robin de Locksley era rico. Filho do Barão de Locksley possuidor de vastas propriedades. Ungido de grande dever cívico (sic) Robin, contrariando seu pai, embarca nas Cruzadas de Ricardo Coração de Leão, rei inglês. Depois de se cansar de matar infiéis, Robin volta ao seu lar, apenas para encontra-lo destroçado, seu pai morto e ver sua fortuna desaparecer. O que faz Robin? Tenta reaver sua fortuna e limpar o nome de seu pai.

Durante essa busca Robin se depara com os usurpadores da riqueza e do nome de sua família. Quem são eles? Alguns pobres com raiva da fortuna dos Locksley? Os povos da floresta? Negativo. Robin se depara com o xerife de Sherwood. E qual era a função principal do xerife? Cobrar impostos. Opa! A trama se aprimora. Quer dizer então que o maior inimigo de Robin Hood era quem cobrava os impostos e não os ricos? Sim. Era.

Na verdade, como geralmente acontece com histórias e mitos, Robin Hood pode ter realmente existido. Um pesquisador chamado Joseph Hunter atribuiu a lenda de Robin Hood a Robert Hood que se tornou um fugitivo (fora da lei) por ter se rebelado juntamente com o Conde de Lancaster (outro rico) contra as cobraças abusivas de impostos realizadas pelo Príncipe João (ou João Sem Terra, apelido esse que recebeu por não ter sido agraciado com nenhuma propriedade dada a morte de seu pai Henrique II). Novamente a relação entre Robin Hood ou Robert Hood e a cobrança de impostos aparece.

No mito Robin se alia a os ladrões que viviam na floresta de Sherwood. Eles eram foras de lei. Mas por quê? Porque assaltavam ricos? Negativo. Foram considerados foras da lei por se recusarem a pagar os altos impostos cobrados pelo xerife de Sherwood. Impostos esses que eram cobrados no fio da espada, diga-se de passagem.

Finalmente Robin se apaixona por Maid Marian. Quem seria essa? Uma pobre habitante de floresta? Não. Marian era rica. Prima de Ricardo Coração de Leão. Em momento nenhum Robin roubou Marian.

Robin Hood passa 90% do filme lutando contra os cobradores de impostos. O restante passa tentando “limpar” seu nome e reaver sua fortuna.

Quem mensagem poderosa! Imaginem se ao invés de “aquele que rouba dos ricos para dar aos pobres” a história de Robin Hood fosse contada como “aquele que se revoltou contra os impostos extorsivos”? Perceberam a diferença?

Alguns de vocês podem estar se perguntando: “Ora, mas quem criou o mito do bom ladrão? Daquele que rouba dos ricos para dar aos pobres”.

Ora, a quem interessa essa versão?

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A volta do carnaval de rua

Com o final do carnaval podemos fazer uma análise do que aconteceu no Rio de Janeiro em matéria da festa do Momo. De uns cinco anos para cá o carnaval de rua na cidade começou a voltar com força. Vários blocos surgiram na esteira do sucesso do Monobloco que resgatou a tradição do carnaval de rua, com as marchinas e músicas de carnaval. Antes do Monobloco o carnaval do Rio, por incrível que parece, estava sofrendo (sofrendo mesmo, nos dois sentidos) com a influência do carnaval de Salvador. Ouvia-se mais Axé do que músicas de carnaval tipicamente cariocas. O ponto mais baixo foi quando o Cordão da Bola Preta, talvez o mais tradicional bloco do Rio de Janeiro faliu e, se não me engano, chegou a perder a sua sede. As marchinas, os maxixes os sambas enredo haviam sumido. O Monobloco, com músicos competentes, trouxe de volta a bela tradição de carnaval de rua do Rio de Janeiro e começou a arrastar muita gente em seus desfiles. Outros blocos seguiram o exemplo e foram criados ou revitalizados.

As coisas mudaram tanto que hoje em dia a quantidade de cariocas que permanecem no Rio de Janeiro e evitam viajar para a região dos Lagos (Búzios, Cabo Frio, Arraial do Cabo e etc) diminuiu tanto que muitos conhecidos me falaram que Búzios estava inesperadamente “vazia” esse ano. Enquanto isso o Rio de Janeiro explodia em carnaval, turistas e gente da própria cidade se acotovelando e brincando o carnaval nas ruas da cidade. E para melhorar, havia diversas opções de diversão. Show de música eletrônica e até rock poderia ser curtidos por aqueles que não gostam tanto de carnaval assim.

A grande vantagem do revitalizado carnaval de rua no Rio de Janeiro frente ao carnaval corporativo de Salvador ficou óbvia: o carnaval no Rio é infinitamente mais barato para o turista e para os habitantes da cidade por vários motivos.

O primeiro e mais óbvio que é de graça. Enquanto para curtir um bloco em Salvador as pessoas chegam a desembolsar cerca de mil reais por um abadá que lhe dá direito para ficar dentro do cordão de isolamento.  E isso é para um bloco, se for a mais de um os custos aumentam. Facilmente alguém que vai passar o carnaval em Salvador saindo do Rio de Janeiro chega a gastar por volta de seis mil reais. Não é nada barato. Aqui no Rio um turista pode ir a diversos blocos em um dia e não gastar nada além do seu consumo particular, não tem que comprar abadás.

Outro ponto positivo é a segurança. Conheço a mística do Rio de Janeiro assim como seus problemas reais, mas é digno de nota, que em minhas andanças carnavalescas, não presenciei nenhuma confusão e não ouvi relatos de violência. Claro que houve pequenos furtos, mas nada que fosse algo que prejudicasse a festa. Quem já foi no carnaval de Salvador sabe que quem não quer pagar os preços dos blocos e decide ficar na “pipoca” está sujeito a vários perigos.

Porém nem tudo são flores. Com o crescimento do carnaval de rua os problemas da cidade do Rio de Janeiro ficam mais expostos. O transporte público é muito precário, as linhas de metrô são insuficientes e pouco abrangentes, e houve uma falha óbvia na organização e liberação dos blocos por parte da prefeitura.

Se analisarmos os horários dos blocos podemos ver que são subsequentes, ou seja, quanto termina um, começa outro. Isso acontece principalmente na zona sul da cidade onde estão as praias mais famosas. Com isso uma pessoa vai a vários blocos no mesmo dia. Isso por um lado é bom, mas por outro mostra que a cidade não possui capacidade de absorver uma massa tão grande de pessoas se deslocando de um lado para outro e se juntando em blocos muito grandes.

O ideal seria se a prefeitura colocasse os blocos, principalmente os mais famosos como o Suvaco do Cristo, Simpatia é Quase Amor, Empolga as 9 (meu preferido), no mesmo horário. Assim as pessoas teriam que se dividir para pular em um bloco. Entendo que isso não é o ideal, mas é a melhor solução. E isso não é novidade, em Salvador já é assim com os dois circuitos do carnaval.

Outro ponto é a quantidade insuficiente de banheiros químicos. Sabemos que nunca serão suficientes, mas nesse ano me pareceu que foi pior do que o ano passado. Talvez a prefeitura não esperasse a quantidade de pessoas que pularam o carnaval no Rio, mas isso se tornou um tormento para todos. Para os foliões, para os moradores e até para a polícia que recebeu ordem de prender as pessoas que não utilizavam os banheiros químicos. Entretanto, alguns comerciantes lucraram, cobrando até cinco reais para a utilização de seus estabelecimentos. Oferta e demanda.

Apesar de tudo isso, o carnaval de rua do Rio de Janeiro está voltando a ser o melhor do país, espero que continue assim por muito tempo.

 Erraram a mão

Eu nunca confiei muito em apuração do desfile das escolas de samba no Rio. Como confiar em algo organizado, gerido e comandado por criminosos. Um dos puxadores de uma das escolas mudou seu grito inicial pedindo a soltura do presidente de sua escola que está preso sob a acusação de ser participante de uma milícia. Mas esse ano erraram a mão. Não há ninguém, fora os seus torcedores (e desconfio que muitos deles também), que ache que a Beija Flor mereceu mais uma vez ser campeã. Não que ela não estava bonita, mas suas notas em comparação com as notas recebidas pela Unidos da Tijuca e Mangueira, principalmente, não refletiam o que tinha acontecido na Marquês de Sapucaí. A Beija Flor vem se tornando a escola dos títulos contestados, já havia sido assim quando ganhou por um décimo da própria Unidos da Tijuca alguns anos atrás.

A verdade é que, na minha visão, erraram na mão na hora de colocar a mão. Da outra vez, a diferença de um décimo não foi tão escancarada, mas dessa vez todos perceberam.

Último pitaco sobre o caso Ronaldinho

janeiro 12, 2011 Deixe um comentário

Você já viu algum dirigente de algum grande clube brasileiro deixar de demitir um atleta pelo seu “amor ao clube”? Por exemplo:

– O Joãozinho não está rendendo o que esperávamos dele, suas partidas estão abaixo do que definimos ideal e isso já acontece há dois anos. Porém a diretoria não irá demiti-lo, pois ele possui um grande amor ao clube.

Hoje há uma grande crítica ao Ronaldinho Gaúcho e o que a imprensa e outras pessoas definiram como leilão. A definição está corretíssima. O que ele e seu irmão Assis fizeram foi sim um leilão. Agora, estaria ele errado? Presidentes de clubes, torcedores, imprensa. Todos esses tem a mania de dizer que “o clube é maior que o jogador”. Mas eu pergunto: o que seria o Santos sem Pelé ou o Coutinho?  Que seria o Flamengo sem o Leônidas ou o Zico? O Botafogo sem Garrinha?  Será que Pelé ou Rivelino não seriam grandes jogadores se não tivessem atuado no Santos e no Corinthians?

O que faz um clube grande é a quantidade de títulos e ídolos que passaram nele. E esses dois pontos convergem em um só: o atleta.

Ainda há uma dificuldade enorme no futebol brasileiro para entender a profissionalização do esporte. Queremos um futebol profissional, mas ainda possuímos a mentalidade amadora. As declarações do presidente do Grêmio, quase que exigindo uma absolvição celestial no caso Ronaldinho demonstra bem isso. O Grêmio, com a história de “amor ao clube” apenas queria contratar o Ronaldinho por um preço mais baixo do que os outros. Só isso. Quem pensou outra coisa só pode sofre de um ingenuidade tremenda. Utilizou dessa estratégia apelando para o sentimento do atleta. Ronaldinho poderia muito bem ter aceitado, mas não aceitou. Isso automaticamente o caracteriza como “mercenário”? E o que seria isso?

As críticas a Ronaldinho e a Assis vêm de todos os lugares. Imprensa, torcedores, clubes. A verdade é que é muito bom, muito legal fazer caridade com o bolso alheio. Ronaldinho poderia aceitar um salário menor do que sabia que outros estariam dispostos a pagar por “amor ao clube”? Claro que poderia. Ele é obrigado fazer isso. Claro que não! Ser um jogador de futebol profissional é um trabalho como qualquer outro. Gostaria de conhecer um caso de um jornalista em que ele recusa uma daquelas propostas irrecusáveis por “amor a sua empresa”. Se o valor que o Ronaldinho Gaúcho pediu fosse considerado acima do retorno oferecido pelo atleta não haveria nenhum clube para contratá-lo. Ninguém iria fazer caridade. Os dirigentes sabem disso.

Quando a lei Pelé surgiu a maior parte dos clubes reclamaram. Era fácil encontrar dirigentes afirmando que com a lei não conseguiriam o retorno do dinheiro que INVESTIAM nos jovens talentos. Ou seja, na hora de vender um jogador um clube o considera um investimento, coloca na balança os custos e os lucros obtidos em sua venda. Porque o atleta não pode fazer o mesmo?

A verdade é que o esporte, principalmente o futebol no Brasil é carregado de sentimentalismo. Por isso a grande dificuldade em transformar clubes em empresas por aqui. Aqui o que manda é o amadorismo. E o mais intrigante é que o clube mais vitorioso da última década é caracterizado como o mais profissional de todos que é o São Paulo.

E por incrível que pareça dos três, Grêmio, Palmeiras e Flamengo, foi o último que agiu de maneira profissional. Soube identificar muito bem quais eram as dificuldades do negócio e onde poderia agir. Foi o único dos três que falou diretamente com o detentor do passe do atleta que era o Milan. Por mais que as dicas estivessem voando, nem o Grêmio nem o Palmeiras conversaram com o clube italiano de forma direta, deixando a negociação com o Assis. O Flamengo foi o único que agiu de acordo com que um time que quer contratar um jogador que ainda está preso por contrato a outro clube: conversar com o seu empregador. Assis é tão somente o empresário do Ronaldinho, cabe a ele conseguir o melhor contrato para seu representado, mas ele não era dono do passe do Ronaldinho. O Milan sim.

Esse caso deixou lições valiosas para quem quiser aprender. Não só no futebol mas em outras situações parecidas. Nos dias de hoje não existe mais “amor ao clube” ou “amor a empresa”. E há outras pessoas, também, que deveriam entender que a escravidão acabou. Ronaldinho tem todo direito de procurar o que é melhor para ele, independente das vontades e desejos de terceiros.

Os primeiros dias de Dilma

janeiro 12, 2011 5 comentários

Não votei em Dilma. Não votei em Serra. Já deixando isso bem claro, posso dizer que estou gostando dos primeiros dias de Dilma na presidência da república. Principalmente por estar dando um calor no PMDB. Até quando isso irá durar não sabemos. Quando Lula assumiu achou que não precisaria beijar as mãos dos caciques peemedebistas. Não conseguiu o que queria e no final das contas acabou tendo que subornar deputados para que votassem em seus projetos. Outra notícia boa é a volta de Palocci que, em minha opinião, é o melhor que o PT tem a oferecer. A má notícia é a permanência do Mântega, o pior que o PT tem a oferecer.

De resto Dilma tem tentado negociar os ajustes que é obrigada a fazer por conta da herança maldita deixada por Lula. Decerto que grande parte dessa herança foi feita para ajudar na eleição de Dilma, então, ela possui grande participação nisso, mas está tentando fazer o serviço. E para isso conta com o Mântega. Esse homem poderia facilmente trabalhar em um Circo. É um palhaço de mão cheia. Mas se pensar bem ele possui uma tarefa muito importante no jeito petista de governar. O petismo não se importa de estar errado. Importa-se em estar no poder. Então se é preciso dizer algo hoje para amanhã falar algo totalmente diferente ele o fará. E Mântega faz isso o tempo todo. Sua cara de pau é impressionante. Logicamente ele fica de certo modo imune devido à fraca imprensa que possuímos no Brasil. Aliás, isso é assunto para outro post.

O lado ruim de Dilma é que ela é uma desenvolvimentista clássica. Não entendo porque Dilma combateu os militares. Cada dia que passa ela se parece mais com um deles. Apóia projetos inúteis como o trem bala que ligará o Rio a São Paulo. Adora uma obra faraônica. Claro que sabemos que muito disso acontece para pagar os contribuintes de campanha. A dívida deixada pelo PT é enorme e há muito empreiteiro esperando as verbas dessas obras.

Outro lado positivo é a saída do atraso messiânico chamado Lula. Dilma tem mais perfil de um presidente como deveria ser. Lula não passa de um político de campanha. Foi um péssimo presidente. Fez pouquíssimo em oito anos. Poderia ter feito muito mais, mas preferiu ser amado pelo povo ao invés de governar. Dilma parece mais interessada em governar do quer ser amada pelo povo. Que bom. Talvez poderemos avançar alguma coisa depois de oito anos apenas surfando o mar de almirante que Lula pegou na maior parte de seu mandato.

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Novela Ronaldinho Gaúcho

janeiro 11, 2011 5 comentários

Como flamenguista logicamente que gostei da contratação. Clubes grandes como o Flamengo sempre precisam de um ídolo que dê uma referência aos outros jogadores. Isso pode ser comprovado pela campanha do ano passado com a desse ano. Bastou chegar um bom jogador, de nada de excepcional como o Adriano para levar o Flamengo ao título brasileiro.

Muitos reclamaram do leilão que o Assis, irmão do Ronaldinho Gaúcho e seu empresário, fez com os clubes. Dessa história podemos tirar algumas conclusões: o errado por parte do Assis foi ter se comprometido, pelo menos verbalmente, com o Palmeiras e com o Grêmio. Isso se pudermos confiar nas palavras dos dirigentes de ambos os clubes. Porém Assis é o empresário do RG, é seu dever conseguir o melhor contrato para o atleta e ele se baseou em uma lógica de mercado difícil de ser ignorada. Culpa dele? Claro que não. Eram diversos clubes interessados no RG, o que ele deveria fazer? Aceitar a pior proposta? Ou aceitar a primeira?

No final o Flamengo contratou o atleta. O que o Flamengo fez diferente de Palmeiras e do Grêmio? Incrivelmente, a presidente do Flamengo passou a perna no Assis. Porque digo isso? Porque, sinceramente, acho que a intenção do Assis era de que o RG fosse para o Grêmio. O que ele estava tentando fazer era obter o melhor contrato para ele. Mas aparentemente todos, menos o Flamengo, se esqueceram de uma pequena variável: o Milan.

O RG era atleta do clube milanês. Não estava liberado de forma alguma. Todas as conversas de contratação deveriam ter passado, primeiramente, pelo clube da Itália. E foi exatamente isso que o Flamengo fez. Diferente de Palmeiras e do Grêmio (cujo presidente de uma forma estranha afirmou que não iria de jeito nenhum falar com o Milan) o Flamengo primeiramente acertou a liberação do atleta. Percebendo o erro os outros clubes jogaram a toalha. Dizem publicamente que “confiaram demais” no Assis. Na verdade foi uma falha de negociação tremenda para clubes que já deveriam estar acostumados com isso.

No final das contas cabe o prêmio de consolação ao Grêmio que irá receber 5% do acordo como clube formador.

Seja bem vindo RG10 ao mais amado do Brasil.