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Coréias: guerra eminente?

maio 25, 2010 9 comentários

Não foi nenhuma surpresa a relatório elaborado por consultores internacionais que corroboraram a acusação da Coréia do Sul de que sua Corveta Cheonan havia sido atingida e afundada por um torpedo lançado, provavelmente, de um minissubmarino norte coreano causando 46 mortes. As acusações de praxe já começaram, mas alguns aspectos importantes devem ser considerados nesse conflito.

O primeiro deles é a atuação do Presidente Sul Coreano Lee Myung-bak. Lee sempre foi muito crítico e até mesmo hostil ao país irmão, porém tem tratado o assunto com maestria. Logo após o incidente não fez acusações, indicando que somente após as investigações algo poderia ser feito. Chamou especialistas de outros países para analisar os fragmentos encontrados no local do ataque e mesmo após as descobertas tem se mostrado pragmático e sem arroubos populistas. Tem manobrado eficientemente na ONU e entre seus aliados. Até mesmo a China, protetora dos Norte Coreanos, ficou em situação difícil e é capaz de apoiar sanções contra o governo de Pyongyang.

Uma das consequências desse ataque foi frear a aproximação que a Coréia do Sul realizava com seu país irmão. Esse processo foi batizado de “Sunshine Policy” e consistia em medidas como a criação de centros industriais com trabalhadores de ambos os países e a liberação de tráfego de trens entre as cidades.

Os motivos desse ataque ainda são nebulosos. Algumas opções aparecem e não são nada encorajadoras. Uma guerra entre os dois países parece algo bem distante. Seria suicídio para o regime do norte e altamente custosa para o regime do sul. Não interessa, a princípio, a Seul uma reunificação nessas bases. Apesar de ser uma importante economia mundial, a Coréia do Sul não teria os recursos necessários para englobar um país tão atrasado economicamente e socialmente quanto a Coréia do Norte. Seul não é Bonn. Pyongyang não é Berlim.

Um aspecto que não devemos esquecer foi o fracassado pacote econômico elaborado pelo governo Norte Coreano no ano passado. Esse pacote proporcionou algo bastante incomum em um regime brutal quanto o regime comunista norte coreano: vários protestos irromperam em todo o país e foram reprimidos com força mortal pelo governo de Kim Jong Il. Outro ponto foram os discursos do próprio Kim Jong Il em que afirmava que o modelo norte coreano deveria privilegiar também o bem estar da população. Isso seria uma volta aos desejos de seu pai em seus últimos dias de vida. Esses discursos podem não ter agradado a elite militar da Coréia do Norte que possui uma qualidade de vida muito superior ao restante da população.

A doença de Kim Jong Il e sua substituição por seu filho Kim Jong-um também acrescenta mais molho nesses acontecimentos.

Ao consideramos o ataque propriamente dito podemos ver que não foi algo ao acaso. Escaramuças entre os dois países já haviam acontecido antes com morte de ambos os lados. Porém uma coisa é o tiroteio entre duas embarcações de guerra ou o tiro efetuado por um tenente norte coreano contra um turista. O ataque realizado por um minissubmarino, adentrando águas territoriais sul coreanas muito provavelmente foi autorizado por alguém de alta patente. Teoricamente essa autorização só poderia ter vindo de Kim Jong Il e nisso podemos imaginar dois cenários. O primeiro deles é Kim Jong Il autorizando o ataque como represália pela morte de dois marinheiros norte coreano em uma das esfregas navais entre os dois países. Nesse caso faltou tato para o governo norte coreano ao escolher a melhor maneira de realizar um ataque. O uso de um torpedo de fabricação chinesa também não foi a melhor das opções, não tanto pelo uso da arma em si, mas pelo simbolismo que isso denota. Esse uso deixou a China em uma posição bem delicada nesta situação.

Não podemos esquecer, também, que o atual Secretário Geral da ONU é um sul coreano que está se dedicando pessoalmente neste novo conflito. Já há informações de dentro da ONU que dizem que Ban Ki-moon está se dedicando pessoalmente, inclusive se reunindo com membros da delegação chinesa.

O outro cenário talvez seja mais sombrio. E se o ataque não foi ordenado por Kim Jong Il? E se esse ataque foi ordenado por um grupo de militares de alta patente descontentes ou com interesses dentro do governo norte coreano? Essa possibilidade, em minha opinião, me parece bem viável a luz dos últimos acontecimentos na Coréia do Norte. A intenção seria colocar o governo de Kim Jong Il em uma situação onde os privilégios dos militares seriam garantidos por uma situação de quase guerra. As mobilizações militares já começaram em ambos os países. Outro motivo seria um alerta dado pelos militares a Kim Jong Il de que quem realmente comanda o país são os militares. Isso demonstraria que o governo é apenas uma marionete dos militares em postos chaves na política e na economia norte coreana. Visaria também dizer para Kim Jong Il que se ele quiser que seu filho se torne o próximo ditador do país, ele tem que se comportar.

A verdade é que teremos que esperar os acontecimentos futuros para compreendermos o total avanço da situação. Mas a verdade é que enquanto o mundo se concentra no teatro iraniano, o conflito pode estar na península coreana.

Pacote econômico Norte Coreano

dezembro 17, 2009 Deixe um comentário

Algo que tem passado batido pela imprensa brasileira são os últimos acontecimentos na Coréia do Norte. O governo norte coreano enfrenta séria dificuldade financeira decidiu realizar um tipo de sequestro de poupança. O governo norte coreano promoveu uma grande depreciação da moeda nacional e depois criou outra moeda com taxa de câmbio de 100:1. A medida visa um maior controle sobre o dinheiro nas mãos da população e barrar a tentativa das pessoas em trocar suas moedas para o Yuan chinês ou o Dólar americano no mercado negro.

De acordo com fontes internacionais a troca da moeda foi caótica e trouxa um impacto devastador aos norte coreanos. As forças de segurança da ditadura norte coreana foram acionadas para conter os protestos. Incrivelmente durante as transmissões alertando sobre o pacote econômico o governo anunciou para as pessoas não danificarem as notas antigas. Motivo: danificar o dinheiro onde é estampada a foto do “Grande Líder” é considerado traição. Aliás, isso acontece não só com dinheiro. Danificar qualquer imagem do líder norte coreano é considerado traição.

Com a taxa de poupança dos norte coreanos é baixa, a medida atingiu em cheio a população. Como meio de conter a inflação e angariar divisas,  cada cidadão só poderá trocar 150,000 wons em dinheiro e 300,000 em contas bancárias. Essa medida fez com que muita gente simplesmente perdesse as economias de vários anos.

Desde o início do pacote vários protestos aconteceram em Pyongyang e em outras grandes cidades. Já foram executados doze líderes de protestos e dois “doleiros”. O exército está em alerta para evitar fugas em massa desse paraíso socialista.

Atualmente há um plano para banir qualquer estrangeiro do país de 20 de dezembro até início de fevereiro. Uma fonte alerta que o consulado norte coreano em Beijing parou de emitir vistos necessários para a entrada no país.

Um dos motivos seria esconder do mundo os protestos e a real situação do país.