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Posts Tagged ‘Demência’

Como os governos criam as bolhas.

maio 12, 2010 9 comentários

Imagine uma família americana querendo comprar uma casa própria no valor de US$ 300 mil dólares. Procura-se um banco, analisa-se o crédito, um empréstimo é concedido. Imagine que no período seguinte, com o benevolente intuito de aumentar o número de americanos com casa própria, o governo baixe os juros, force bancos através de legislações a conceder mais empréstimos imobiliários, dê diversos incentivos fiscais para que os custos das prestações sejam deduzidos no imposto de renda. Venda, venda mais. Empreste, empreste para qualquer um. Afinal de contas, o dinheiro está barato. E, além disso, há duas empresas paraestatais que fazem o seguro desses empréstimos, o governo garante tudo. O risco que era nosso, agora é do governo.

Como consequência o número de americanos procurando casas para morar aumenta, porém existe um lapso de tempo entre novas construções e o aumento da demanda. O preço das casas aumenta. Aquela casa que valia 500 mil dólares hoje vale 700 mil dólares. E os juros estão mais baixos. O que a família faz? Uma nova hipoteca. Como o valor de sua casa agora vale 700 mil eles conseguem renegociar sua dívida e ainda ficando com 200 mil dólares de saldo.  Com o dinheiro sobrando, compram um carro novo, novos móveis para o quarto. Meses depois o valor da casa sobe para 900 mil. Mais um carro (toda família americana tem que ter, ao menos, dois carros), um computador novo, quem sabe uma viagem para a Europa.

Só que as notícias são intrigantes: muitas pessoas não estão conseguindo quitar seus empréstimos. Mais e mais. Todos os dias o número aumenta. Até que um dia alguém dá o alarme: a maioria desses empréstimos foram feitos para pessoas sem condição de honra-los.

O que os bancos fazem? Fecham a torneira. Não emprestamos mais. Com a súbita perda de demanda os preços dos imóveis despencam. Simples conceito de oferta x procura. Se não há ninguém para comprar, não há valor. O imóvel da família que custava 900 mil passa a valer menos dos 300 mil iniciais. E agora? Agora a família possui um imóvel que vale menos de 300 mil com uma prestação de um imóvel de 900 mil. Para piorar os juros sobem. Prestações ficam mais caras do carro, da viagem, dos móveis novos.

Não há dinheiro, nem mesmo vendendo a casa consegue-se pagar as hipotecas realizadas. Seguradoras falem, bancos vão para o buraco. Políticos são reeleitos, afinal a culpa não é deles. É do liberalismo. É da falta de regulamentação. É do mercado. Executivos das empresas que emprestaram dinheiro sem o devido cuidado são investigados. Esses mesmos executivos agora fazem parte do governo atual. Empresas que deveriam falir, ganham polpudas somas de dinheiro. Os bônus a esses executivas continuam a fluir com o dinheiro dos impostos.

Mas a culpa é do mercado dizem eles. Mas eu pergunto: quem é o mercado?

Malditos tea parties.

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Vai um cigarro aí?

maio 5, 2010 2 comentários

Você escolheria o presidente de uma empresa fabricante de cigarros para avaliar o trabalho de um cientista que “provou” que o cigarro não faz mal à saúde? Pois fizeram exatamente isso. Com a clara intenção de lavar a reputação dos cientistas do Climategate, a universidade aos quais pertencem escolheu não só alguém que acredita nas teorias desenvolvidas no CRU (Centro de Pesquisa do Clima), mas que também possui grandes interesses na manutenção do suposto (e irreal) consenso sobre o Aquecimento Global Antropogênico (AGW em inglês). O nome dele é Lord Oxburgh. Ele declarou que é ligado a empresas de energia eólica e de energia renovável. Ele mesmo afirmou isso. Admitiu, também, que é Conselheiro do Climate Change Capital, que administra um fundo de US$ 1, 5 bilhão, esperando para ganhar muito dinheiro com o comércio de carbono. Indústria essa que o próprio fundo admite ter um potencial de US$ 45 trilhões. Entendem agora porque a General Eletric está apoiando a legislação de carbono de Obama? Pelo mesmo motivo que as ações das empresas de seguro saúde e farmacêutica nos EUA subiram exponencialmente após a assinatura do Obamacare.

O sabão em pó preferido dos Cientistas Alarmistas. Lava mais branco.

 Mas o pior ainda está por vir. O que o Lord Oxburgh não divulgou é que ele é diretor e vice-presidente de uma obscura companhia chamada “Global Legislators Organisation for a Balanced Environment”. A empresa se auto intitula uma “rede de lobbies global para que governos tomem atitudes mais enérgicas (traduzindo: mais dinheiro) no assunto de mudanças climáticas”. Não se pode dizer que não possui conexões importantes. Na desastrada e caríssima conferência em Copenhagem, seu seminário teve a presença de pessoas como Nancy Pelosi, a autoritária Presidenta da Câmara de Deputados dos Estados Unidos, e não por coincidência uma das maiores incentivadoras da legislação de carbono que irá enriquecer muitas pessoas (menos os contribuintes, eles vão pagar, é claro).

 O Presidente Internacional da Empresa é nada menos que Stephen Byers, membro do Partido Trabalhista Inglês e que recentemente declarou que seria “igual  a um taxi de aluguel, com tarifa de 5 mil libras por dia para fazer lobby” . Além de Byers, fazem parte da empresa outros dois outros membros do Parlamento Britânico: Elliot Morley, ex-presidente da Global e David Chaytor. Ambos são conhecidos agora por estarem sendo investigados pelo mau uso de verbas públicas. Não preciso dizer que ambos são do Partido Trabalhista.

 Olhando as credenciais não é difícil dizer por que o Sr. Oxburgh aceitou o papel de presidente da comissão. E nem mesmo comentei dos outros selecionados. Da mesma forma que os cientistas do CRU selecionavam os dados que mais lhe conviam para gerar os fantásticos e tenebrosos gráficos sobre o fim da civilização (essa prática é conhecida com Cherry Picking ), a Universidade de East Anglia escolheu muito bem as pessoas para participarem do suposto “independente” inquérito. O resultado já saiu. Em apenas um dia de audição a comissão não achou absolutamente nada que desabonasse a conduta dos cientistas. Apenas fez uma ressalva quanto à destruição dos dados sobre as pesquisas (com a clara intenção de impedir o peer rewiew, que é a análise do trabalho científico por outros cientistas independentes). Tudo em casa. Tudo na boa.

 Vai um cigarro aí?

Michele Obama entrega o ouro…

Home country in Kenya????

Se fosse o Homer Simpson diria: “Duh!”

Via Mosca Azul.

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No caminho do Terceiro Mundo

março 24, 2010 4 comentários

Que os brasileiros, mesmo os jornalistas mais informados, pouco têm conhecimento da sociedade americana é um fato bem conhecido. Padecem do erro de tentar ver nos americanos algumas das características latino americanas, ou melhor, gostariam que os americanos fossem um pouco mais parecidos conosco. Para melhor, o que é bom, e para pior. Gostariam de ver a mesma leniência política e ideológica, a mesma relatividade moral, o mesmo estatismo, o mesmo “pai dos pobres”, a mesma dependência de poder central.

Acontece que os americanos são diferentes (ainda bem), possui uma história diferente, valores diferentes, objetivos diferentes, uma visão de mundo e de sociedade diferente da nossa.

Quando chega ao poder um cara como Obama, que é muito parecido com uma figura política sul americana ficam excitados.  É quase um sonho se tornando realidade. Ainda mais quando chega após uma figura patética quanto Bush.

Isso cega, completamente a análise política e econômica da atuação de Obama na Casa Branca. O caso do Health Care é bem característico. Não importa os absurdos incoerentes ditos por Obama, todo discurso dele é “histórico”. Não importa o que ele faz tudo leva nuance de algo místico e superior.

O Alon em seu excelente blog ao comentar sobre a aprovação do pacote de saúde democrata afirma:

Uma reforma na Saúde para incluir a ampla maioria dos até agora excluídos e reduzir o poder das companhias de seguros.

Que “ampla maioria” que ele se refere? De onde ele tirou essa informação eu não sei. Cerca de 15% da população americana não tem plano de saúde. Dificilmente isso é uma “ampla maioria”, mesmo somando aos 21% que afirmam que seus planos não cobrem suas despesas. Novamente 31% também não podem ser considerados nem mesmo maioria. Mas isso é o que menos importa nesse debate. Só coloquei isso para mostrar a falta de embasamento. Seguimos.

(…) A reforma na Saúde enfrenta a rejeição popular —vitaminada pela poderosíssima campanha dos lobbies. Por isso, o bom senso e o instinto de sobrevivência política recomendavam ao presidente, segundo o pensamento convencional, um recuo tático. Assessores sugeriram isso a Obama.

Primeiramente ele deveria dizer que lobbies ele está se referindo. Só se for do povo americano que desde sempre se mostrou desfavorável a ESSA reforma da saúde.

Vamos aos dados? Todos extraídos do instituto de pesquisa Rasmussen.

Um total de 49% dos americanos é favorável que os Estados entrem com ações judiciais contestando a obrigação de possuírem um seguro saúde.

Cerca de 54% dos americanos acreditam que os custos dos planos é um problema maior que a cobertura universal. E eles sabem que o plano de Obama vai aumentar esses custos e não diminuir.  Mais de 40% acreditam que o preço dos remédios irá aumentar e apenas 23% acreditam que vão cair. Guardem esses números que comentarei sobre eles mais tarde.

Isso mostra, também porque 54% dos americanos são contra o plano de Obama. Veja bem, não estou dizendo que são contra uma reforma na saúde, são contra ao plano de Obama.

Esses números, facilmente encontrados na internet mostram um perfil do povo americano totalmente diferente daquele que encontramos em Obamistas no Brasil e no mundo. Fato é que costumam se cercar de mídia que apoiam o governo Obama incondicionalmente como CNN, MSNBC e o New York Times. Acreditam piamente que a maioria da população apoia Obama, a despeito de todos os protestos que estão acontecendo. Até porque, segundo esses analistas, são todos racistas, retrógrados, fascistas, conservadores e etc. O resultado da eleição no quintal dos Kennedy não forneceu nenhuma dica a essas pessoas. Quer dizer até forneceu, eles que preferem realizar análises baseadas em seus desejos mais obscuros e não na realidade. Já mostrei aqui o desastre que será para os Democratas as próximas eleições ao Senado. Deixaram de lado, também que quase 20% dos Democratas votaram contra o plano de Obama. Foram 34 votos dos democratas contra. Mas isso passa batido nas análises realizadas.

Lembram-se do que o Alon afirma? Que Obama teve que lutar contra “lobbies poderosíssimos”? Eu gostaria, muito, muito mesmo, que ele dissesse que lobbies são esses. Das empresas de Seguro saúde que não são. Pois uma pessoa que faz uma análise da realidade, que acompanha a sociedade e a política americana poderia ter verificado que as ações das empresas de seguro e fabricantes de remédio subiram como nunca após a assinatura da lei.

A verdade agora é o seguinte. Só um total alienado acredita que o déficit americano irá cair com esse plano. É só ver também, que o dólar perdeu mais valor ainda.

Humm, estranho não é? Ou não?

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Update

Outra coisa que é incompreensível é a opção por ignorar que a impopularidade alta de Obama nos EUA deve-se, também, a essa reforma da saúde. A maioria dos Obamistas dizem que foi uma grande “vitória” para Obama, um ponto de mudança na curva…

De onde vem essa análise não faço a menor idéia. Obama vai gastar milhões na propaganda de seu projeto, aliás o que já é algo estranho. Aprovar o que grande parte do povo americano não quer e depois tentar vender aquilo que foi enfiado goela abaixo.

No próximo mês coloco novamente as pesquisas de popularidade. Veremos então…

Regulação x Livre Mercado: complementares e não excludentes

março 19, 2010 10 comentários

Um resultado a crise que assolou o mundo nos últimos anos foi o debate entre livre comércio e regulação. Os adeptos da presença do governo nos mercados afirmam que a crise só ocorreu devido à falta de regulações, ou seja, culpam pela crise o que chamam de liberalismo. Já os liberais, como eu, afirmam que regulações sempre existiram e que o mercado onde se originou a crise é um dos mais regulados do mundo. Porém, se há algo unânime foi que o primeiro indício da crise se deu com a quebra do banco de investimento Lehman Brothers.

Uma notícia veiculada no Financial Times e replicada no El País coloca mais lenha nesse debate. Segundo os diários a Merrill Lynch, concorrente do Lehman, avisou às autoridades competentes sobre a maquiagem nos balanços do banco de investimento. A suspeita originou-se devido ao comunicado do Lehman Brothers sobre sua liquidez, informando ao mercado que seria o banco mais líquido da concorrência. Ao receber telefonemas e indagações de seus clientes, os funcionários da Merrill Lynch suspeitaram e não consideraram críveis as alegações do concorrente: “Lehman estava dizendo ao mundo que contava com liquidez de sobra e nós sabíamos que não poderiam estar melhores que nós”, afirmou um funcionário da Merril Lynch. Semana passada um tribunal de falência de Nova Iorque afirmou em um comunicado que os responsáveis pelo banco de investimento maquiaram suas contas para esconder as dificuldades da entidade.

Isso nos leva a mais um capítulo onde as seguintes perguntas são evidentes: a) se houve maquiagem, houve crime; b) se houve crime foi porque uma lei já existente foi quebrada; c) os responsáveis por averiguar às leis são o FED e a SEC principalmente, onde estavam esses organismos?

E para finalizar, o mais importante: muitos dizem cobras e lagartos sobre a autorregulação do mercado, dizem que é algo que não existe. Esse caso mostra que existe sim, o que falhou foi a fiscalização e a atuação dos órgãos competentes. O fato de um concorrente direto ter avisado às entidades competentes sobre o que estava ocorrendo mostra isso.

É lógico que os liberais acreditam que leis devam existir por isso uma das metas dos liberais é o que chamamos de Império das Leis, onde essas devem ser escritas e cumpridas de forma a garantir um funcionamento competitivo e justo não só do mercado, mas de todas as outras interações econômicas, seja entre dois mega bancos de investimento ou na compra de um picolé na padaria da esquina.

A maior crítica dos liberais ao leviatã governamental é sobre a crença de que alguns têm em uma entidade imaginária chamada Estado, como se essa não fosse composta por pessoas passíveis dos mesmos erros e interesses existentes no mercado. Acreditam piamente quando alguém veste a túnica de governo passam a possuir ideias geniais, poderes celestiais e ficam desprovidas de todo e qualquer interesse próprio, tornando-se assim seres totalmente altruístas e providos de uma bondade divina.

Os liberais acreditam que não é por aí, e quanto mais simples, claras, objetivas às leis é melhor para todos, desde o próprio Estado que tem maior capacidade de regulação e, principalmente, fiscalização do cumprimento dessas leis, e para o mercado (incluindo o consumidor) que pode dessa maneira escolher, através das milhões de interações sociais, que em todos os aspectos são mais inteligentes do que meia dúzia de burocratas que se acham mais inteligentes que os milhões de consumidores, possam fiscalizar e cobrar maior clareza e accountability das empresas as quais mantêm contato.

P.S.: Você elegeria um provado incompetente para ser CEO de sua empresa? Você contrataira alguém que falhou miseravelmente em suas responsabilidades para gerir seu patrimônio? Pois bem, foi exatamente isso que  administração Obama fez ao colocar como Secretário do Tesouro (o homem com a chave do cofre) o ex-presidente do FED de Nova Iorque, Timothy Geithner, que era o responsável em fiscalizar não só o Lehaman Brothers, mas quase todas as outras instituições atingidas pela crise. Excelente caso de alguém que “caiu para cima”.

P.S.2: Muitos dos que chamam hoje de Keynesianos, ou neo keynesianos não fazem a menor idéia do que Keynes realmente dizia. Na verade isso não é novidade. Muitos dos que se chamam de Marxistas nunca leram Marx (aliás Reagan, um dos maiores presidentes americanos, tinha uma tirada excelente: “marxistas são aqueles que dizem que leram Marx; anti-marxistas são aqueles que leram Marx e entenderam o que ele quis dizer). Para entender realmente o que Keynes representou recomendo ler esse texto do meu companheiro de Redel Liberal, Rubem de Freita Novaes.

Quando o exemplo deveria vir de cima

março 17, 2010 2 comentários

Quase que toda semana agora aparece alguma notícia ou reportagem abordando o comportamento do Adriano, jogador do Flamengo, e agora o Vagner Love, também do Flamengo. Ambos foram flagrados em atitudes reprováveis envolvendo traficantes em favelas no Rio de Janeiro.

O assunto poderia ser abordado de várias maneiras, desde uma (opinião minha) atual onda de endeusamento equivocado de favelas no Rio de Janeiro (como se morar em uma favela fosse coisa boa), como o direito (legítimo) de frequentar esses lugares.

Adriano e Love justificam a presença nas favelas pela infância, parentesco e laços afetivos com pessoas que lá moram. Ninguém duvida disso. Acontece que isso nada tem a ver com a ligação de ambos com o tráfico de drogas.

Fato é que boa parte dos rendimentos de ambos os jogadores deve-se a sua imagem. Ela é utilizada para propagandas, patrocínios e tal. E por conta disso deveriam manter certa responsabilidade.

O problema é o seguinte: imagine uma mãe que mora em uma favela, que possui uma vida sofrida, trabalhando em vários empregos para manter o mínimo de conforte a seus filhos. E mais, trabalha também para manter seus filhos longe do tráfico. Estudos realizados mostram que mais do que o dinheiro, a principal atração para o tráfico de drogas é o status que os traficantes possuem nas favelas. É o poder que atrai. O poder do dinheiro, o poder do armamento pesado, o poder de influenciar na vida das pessoas que moram naquele lugar. Não é de hoje que jovens da classe média, muitas meninas, sobem nas favelas para se relacionar com traficantes. Isso é bem conhecido para quem mora no Rio de Janeiro.

Será que essa mãe pode competir com o tráfico de drogas quando pessoas conhecidas publicamente, que possuem grande exposição na mídia (e ganham com isso), se relacionam tão intimamente com os traficantes? Logicamente que um jovem que mora nesse ambiente leva isso em conta. Para ele é um feito e tanto conhecer alguém como o Adriano ou Love. É motivo de orgulho, motivo para comentar com seus amigos, motivo de admiração de seus amigos. E a percepção é que o tráfico de drogas ajuda a conseguir isso.

E é por isso que Adriano e Love deveriam pensar um pouco mais sobre os seus atos. Eles têm dinheiro, estão lá de passagem. Se o bicho pegar, terão suas mansões para se abrigarem. E os jovens que estão entrando no tráfico? E as mães e pais desses jovens? Como eles ficam?

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Tão perto de Deus, tão longe de Brasília.

março 12, 2010 1 comentário

Coitado do Rio de Janeiro. Estado tão bonito e tão mal tratado ao mesmo tempo. Suas belezas naturais apenas são igualadas pela falta de importância política no país. E olha que para um estado que já foi capital da nação isso é impressionante.

É amigo. O Senhor pode até ser Flamenguista, mas o governador e o prefeito são vascainos. Melhor imagem como cidade de segunda divisão não há.

Aliás, desde que deixou de ser capital o Rio de Janeiro – ou o antigo Estado da Guanabara – passou a ser um pária no país, após os sonhos de JK em construir uma cidade no meio do nada, aos custos de nossos impostos, tarefa que não trouxe benefícios alguns ao país. Muito pelo contrário.

Quando Bonn deixou de ser capital da Alemanha recebeu mais de 1,4 bilhão de euros como indenização, recebeu outros investimentos também, tornou-se uma cidade da ONU. Os alemães sabiam que ao deixar de ser capital Bonn iria sofrer várias situações com perda de capital financeiro. O que o Estado da Guanabara recebeu? Nada.

A situação piorou durante o governo militar quando Geisel em medid0a autoritária acabou com o Estado da Guanabara, incorporando-o ao Estado do Rio de Janeiro. Tudo muito polêmico, pois não houve nenhuma consulta popular. Bom para o Estado do Rio de Janeiro, ruim para o Estado da Guanabara e seus habitantes.

Houve uma tentativa frustrada, capitaneada por Sirkis, para um plebiscito para a recriação do Estado da Guanabara. O movimento foi batizado “autonomia carioca”. Mas como a estupidez humana é infinita, tentaram colar o movimento ao referendo sobre a proibição da venda de armas de fogo. Naufragou. Justiça seja feita ao Sirkis, essa idiotice foi coisa do Jeferson Peres e não dele.

Mas não para por aí. O Rio de Janeiro sempre foi um grande produtor de petróleo e seus derivados.  Porém, diferente de todos os outros produtos, o ICMS é cobrado no destino e não na origem. Isso de quebra já retira bilhões em orçamento ao Rio de Janeiro.  Agora o golpe está completo. Ao destinar, ou repartir, os royalties do petróleo para outros estados fica claro que o federalismo brasileiro, como eu já havia dito, é uma palhaçada. Os outros estados afirmam que “os recursos naturais são de todos”. Será que recebemos parte das minas de Carajás? Ou parte do que ganha a Bahia com o turismo que é baseado em suas belezas naturais? E quem vai bancar os custos do crescimento desordenado das cidades, o aumento populacional? Sergipe? Alagoas? A União?

Já existe no Brasil uma famigerada (e equivocada em minha opinião) partilha de recursos oriundos dos Estados via União, desigual. O Fundo de Participação dos Estados destina 85% de seus recursos para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Isto por si só é um incentivo não ao desenvolvimento e sim a manutenção do status quo desses estados. Para que se desenvolver se há dinheiro de graça? Por exemplo, de acordo com o discurso do Deputado Federal Geraldo Pudim (PMDB/RJ) nos primeiros sete meses de 2009 o Piauí recebeu do FPE recursos da ordem de R$ 900 milhões de reais. Nesse mesmo período o Rio de Janeiro recebeu pouco mais de R$ 320 milhões. Quase três vezes menos.

Isso acontece por uma visão equivocada de centralização política somada a um paternalismo estatal em detrimento à meritocracia. É mais vantajoso ser incompetente do que ser competente. Isso lembra algo?

No mais a atuação dos políticos cariocas foi deprimente. Principalmente do Excelentíssimo Sr. Governador do Rio de Janeiro, Senhor Sergio Cabral Filho. Baita fanfarrão. Seu choro de crocodilo não sensibilizou ninguém. Aliado desde sempre do fanfarrão mor, presidente Lula, Sérgio Cabral simplesmente abdicou de seu mandato e deixou tudo por conta do Lula.

Ah, senhor Sergio… fala sério! Você realmente achou que Lula iria fazer algo?

O Rio de Janeiro, mesmo sendo um dos maiores colégios eleitorais do país é TOTALMENTE irrelevante no cenário político nacional desde a morte de Roberto Campos. Era o único político carioca, que se não causasse medo nos adversário, pelo menos tinha o seu respeito. Depois dele não há um. Nas últimas eleições para senador não votei em Jandira, pois sabe que seria apenas um quadro de Lula no senado. Votei em Dorneles. E o que aconteceu? Dornelles é apenas um quadro de Lula no senado. O Estado do Rio que se exploda.

E o PT no Rio de Janeiro também não fica atrás. É de uma irrelevância mor. Constantemente solapado pelo PT de São Paulo e obrigado a se coligar com figuras como a Família Garotinho (que está mais para Família Soprano), Crivela e outros. Inclusive indo contra figuras históricas da esquerda como Gabeira (ah Idelber, um dia ainda irei ver você se desculpando por isso) por um simples partidarismo tosco e cego.

Enquanto a violência no Estado possui características de guerra civil, mesmo não produzindo um fuzil, enquanto os investimentos são paupérrimos, enquanto o tipo de política praticada no Estado continuar a ser a do populismo, do coronelismo, da imbecilidade, o Rio de Janeiro continuará a possuir uma enorme, bruta, gigantesca irrelevância política.

Parabéns ao povo do Rio de Janeiro.

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Peço desculpas antecipadas pelos possíveis erros de português. Estou tão puto que não consegui nem revisar o texto.

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