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Abanando o rabo como cachorro

outubro 6, 2010 2 comentários

Pesquisa de opinião virou um grande negócio no mundo inteiro. No Brasil não é diferente. Porém algo de muito estranho está acontecendo. Os erros dos institutos de pesquisa são enormes. A diferença entre os dados levantados nas entrevistas realizadas e o real resultado demonstra uma variação bem anormal. Os presidentes dos institutos viraram estrelas pop com direito a artigos em jornais e análises políticas. De uma hora para outra um estatístico virou cientista político. E aí tivemos de tudo: de eleição do Serra, de eleição de Dilma no primeiro turno, desculpas, mancadas… Já havia colocado os dois pés atrás dos institutos de pesquisa desde o plebiscito do Desarmamento. Todas as pesquisas colocavam a vitória do “Sim” como certa. Fácil até. Chegando a ter quase 80% dos votos. No final o “Não” venceu com mais de 60%. Nas eleições de 2006 algo similar também aconteceu. As pesquisas falharam miseravelmente em prever os votos aos candidatos. Achavam que Lula levaria no primeiro turno. Houve segundo. E aqui cabe um comentário: tanto em 2006, quanto nessas eleições, o DATAFOLHA, instituto ligado à Folha de São Paulo foi massacrado pelos partidários do PT. E como aconteceu em 2006 o Datafolha foi o que menos errou. Agora dezenas de análises estão sendo feitas consideradas as pesquisas e o resultado final. Sinceramente acho que há algum problema nas pesquisas brasileiras. Ou a metodologia está errada ou alguma falha está acontecendo. Não acho que o resultado da eleição tenha se modificado tanto nos últimos dias, a despeito de reconhecer o “voto de momento” dos indecisos. A diferença foi grande demais para isso.

O ano do Big Brother

Nunca em nossa recente história demográfica uma eleição foi tão carregada na popularidade quanto essa. Cada vez mais candidatos utilizam a imagem para angariar votos frente a qualificações e projetos administrativos. Logicamente a imagem sempre foi parte do jogo político, vende um político como vende um amaciante de roupas. A imagem se tornou o maior trunfo. Por exemplo, um conhecido jogador de futebol carioca foi eleito com quase 150 mil votos. Ele também possui vasta coleção de dívidas pessoais. Impostos, pensões alimentícias (que já o colocou na cadeia), trapalhadas com a Receita Federal. Mas em momento nenhum passou na cabeça de um eleitor que uma pessoa que não consegue nem mesmo controlar seu orçamento pessoal seja incapaz de manejar de forma adequada o imposto que pagamos. Bom, pelo menos ele e o gênio da área.

Outro exemplo foi o campeão dos votos. Pior não fica. Fica sim. Podem apostar. Mas de quem é a culpa disso tudo. Primeiramente a culpa é dos eleitores. São eles que elegem essas pessoas. Não se dão ao trabalho de realizar qualquer tipo de análise. Votam como estivessem votando no Big Brother. No dia seguinte vão se vangloriar com os amigos dizendo que o deputado em que votaram foi eleito. Dois anos seguintes nem mais vão se lembrar em quem votaram.

Outro culpado é a Justiça Eleitoral. As regras atualmente existentes acabam com qualquer tentativa de debate político sério. O tempo para as candidaturas é muito pequeno. Somente a partir de Julho é iniciada a propaganda eleitoral. Porque isso? Porque esse tempo tão curto para um candidato se apresentar, apresentar seus projetos? Com as novas mídias, principalmente a internet, porque não estender esse prazo para um ano antes da eleição? Qual é o problema nisso? Com o prazo atual ficará cada vez mais difícil um novo candidato com novas ideias surgir. Ainda mais no conceito de democracia em que temos onde o partido é mais importante que o candidato. Isso facilita a essas pessoas de grande popularidade pular na frente. Elas já são conhecidas. E por outro lado limita sobremaneira o debate político, com candidatos sendo apresentados em propagandas na TV com segundos de participação. Quem vai conseguir apresentar um projeto político em segundos? Essa curta campanha prejudica candidatos com pouco dinheiro. Eles são obrigados a usar seus parcos recursos em um curto período de tempo, porem quando fazem já largam atrás de outros com grandes orçamentos ou ascendência partidária.

Essas curtas campanhas beneficiam sobremaneira o uso da máquina estatal nas campanhas. Da mesma forma de defendo que o processo político, que as campanhas comecem um ano antes das eleições, também defendo que o prazo de descompatibilização de cargo político seja estendido para um ano também antes das eleições.

A eleição atual mostrou claramente o uso da máquina estatal na campanha. Com o atual presidente recebendo diversas multas por antecipação de campanha. E fazendo pouco caso disso.

Isso tudo poderia mudar em razão da reforma política ignorada pela atual legislação e atual executivo. Acontece que eles (os políticos) não têm motivos nenhum para fazer isso. Se foram eleitos, foram com as regras atuais. E para que mudar o que deu certo? Afinal, pior não fica.

Maldito ano eleitoral

agosto 26, 2010 14 comentários

Ano eleitoral para mim é um desastre. Não tenho saco para acompanhar o debate político no Brasil. Quer dizer, isso se houvesse um. Não é novidade para ninguém que aqui no Brasil troca-se seis por meia dúzia. Um é pior do que o outro. Concordo que a coisa piorou bastante nos últimos anos, durante o governo do PT. Politicamente falando. Alguns poderiam dizer que “é a economia, estúpido”. E essas pessoas estão certas.

Eu perdi qualquer otimismo por esse país. Antes de o Lula assumir algumas pessoas me perguntavam se o país daria errado. Eu falava que não. Mas que o Brasil também não possuía a menor chance de dar certo.

Nosso povo perdeu qualquer noção do que é certo e do que é errado. As coisas acontecem e nos deparamos com uma completa falta de vergonha. Não só dos políticos, mas da sociedade como um todo e, principalmente, das instituições do Estado e da elite econômica. Vamos a alguns exemplos:

Tudo começou com o suborno de deputados federais pelo poder executivo realizado pelo PT. Não me venham com essa história de mensalão. Isso caiu como uma luva para suavizar o que realmente aconteceu. Corrupção e suborno. O que o PT fez foi uma ataque direto ao Estado de Direito. Não há nenhuma outra leitura sobre o caso. A oposição se calou. Fez uma festinha aqui e outra ali, mas abdicou totalmente de realizar o que deveria ter feito.

Agora estamos vendo a total falta de segurança com nossos dados que deveria ser sigilosos. A facilidade que esses dados aparecem nas mãos de políticos é escandalosa. Por favor, alguém consegue me dizer em que país desenvolvido isso aconteceria sem que NINGUÉM estivesse preso e aguardando julgamento?

Retirem a roupa partidária por um instante e comparem o que aconteceu nesse país nos últimos oito anos com Watergate. Só por um instante. O final de Watergate foi a renúncia de um presidente. E aqui, que final haverá?

Nossa elite econômica é uma graça. Temos um empresário se candidatando por um partido socialista. Isso é mais representativo do que muitos pensam. Nossos grandes empresários adoram o Estado. Adoram um empréstimo do BNDES. Adoram nosso dinheiro dos impostos.

Agora ensaiam uma volta ao tempo dos militares. Desejam uma nova reserva de mercado. Querem ficar soberanos, nos roubando os impostos e nos oferecendo produtos de segunda linha enquanto contam seus lucros fabulosos.

Mas o pior de todos é o povo. Outro dia em um treinamento, a palestrante afirmou que sentia vergonha de explicar a Lei da Ficha Limpa para estrangeiros. Sentia vergonha em explicar que precisávamos de uma lei para impedir que políticos corruptos se candidatassem. Ela está errada. O mais triste me nosso país é que é necessária uma arbitrariedade, uma violência do Estado em nosso direito de livre escolha para que as pessoas parem de votar em político ladrão. Isso que é o mais triste. E é por isso que o voto SEMPRE será obrigatório nesse país.

Ganhe quem ganhar Dilma ou Serra o país permanecerá o mesmo. Não importa. São farinha do mesmíssimo saco. Nenhum deles fará absolutamente nada para que esse país dê certo, pois isso significa imediatamente que eles irão se tornar carta fora do baralho.

Ou seja, mais um ano de martírio. Mais um ano vendo pessoas inteligentes se rebaixarem a meros “quadros” eleitorais. Para que? Só para dizer que o time ao qual torciam foi vencedor. Maldito país do futebol.

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