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Eleições no Irã

junho 16, 2009 1 comentário

O Anrafael (o qual tive a honra de sua visita aqui), comentou o seguinte lá no Pedro Dória:

Fascinante o que está acontecendo no Irã, mas não é uma disputa entre esquerda e direita (mesmo que em conjunturas bastante específicas alguns discursos possam ser assim classificados). É um confronto entre forças que não negam o status quo islâmico do regime, mas defendem métodos diferentes de governar.

Pelo que chega até nós, um governo de Mousavi seria um ambiente melhor para a esquerda democrática. Ou melhor, pode vir a ser um ambiente melhor; o governo de Ahminejadab (é assim mesmo?), não, e ponto.

Demonstrar simpatia pelo governo iraniano atual pelas declarações estapafúrdias do presidente é pra lá de apressado.

Naquelas declarações há apenas caretas para os EUA e desrespeito a uma verdade histórica que constrange um povo e uma cultura, ainda que linguistas e filólogos neguem que o que foi dito não foi dito ou não era bem assim o que ele queria dizer.

O problema não é as pessoas de direita afirmarem que a esquerda apóia o presidente da teocracia iraniana; o problema é que uma parte da esquerda apóia mesmo.”

Considero que sua análise sobre o que está acontecendo no Irã é certíssima. Concordo com ele. Agora discordo sobre o Lula e seu governo.

A atuação de Lula e seu gabinete nesse episódio não pode ser dissociado de outros. Não é fazer careta para os EUA. Não acho que Lula seja anti-americano (não que alguns em seu gabinete não o sejam). Afinal de contas, ele “é o cara”. Apenas que sua atitude é coerente com o que vem fazendo há algum tempo.

E o nome do jogo é Conselho de Segurança da ONU. Lula tenta vender a muitos países que o Brasil seria um representante deles no CS da ONU. Já que as nações mais ricas ou estão no conselho ou não dão a menor pelota para ele, o Brasil seria o candidato perfeito para ocupar uma cadeira. Vantagens não faltam: é um país politicamente estável, não possui conflitos com nenhum outro país do mundo, é bem visto pela comunidade internacional e etc.

Só que para conquistar a cadeira no CS o governo Lula usou a estratégia de “comprar” apoio de vários países e viu como tática justamente os países periféricos e que eram mal vistos pela comunidade internacional. Para tanto se aproximou de ditaduras africanas, perdoando dívidas, se negando a censurar o regime do Sudão, querendo abrir uma embaixada na Coréia do Norte e se aproximando do Irã.

A intenção do Lula é mostrar a esses países que a única maneira de ter um representante no Conselho de Segurança da ONU é através do Brasil, já que eles mesmos nunca teriam condições de chegar lá.

Não custa lembrar que Roosevelt queria que o Brasil estivesse no Conselho de Segurança da ONU (dada a nossa participação na II Guerra Mundial) desde o íncio. Stalin foi contra pois o Brasil não reconhecia a URSS.

Portanto a fala do Lula sobre as eleições no Irã está perfeita dentro da estratégia traçada.

Porém aparentemente os organismos de defesa dos direitos humanos mundiais sacaram a jogada e estão acusando o Brasil de Lula de usar o Conselho da ONU para os Direitos Humanos como moeda política para conseguir seu objetivo principal que é a cadeira no Conselho de Segurança da ONU.

No Estadão:

“A diretora da Human Rights Watch em Genebra, Julie de Rivero, criticou o Brasil por colocar o princípio da não-ingerência em assuntos domésticos antes dos direitos humanos.

“Um dos limites à soberania são justamente as violações de direitos humanos”, afirmou à BBC Brasil. “O Brasil alega solidariedade, mas essa solidariedade acaba sendo com governos que cometem abusos contra os direitos humanos, e não com as vítimas desses abusos.”

Mais incisivo é o texto que a ONG brasileira Conectas preparou para ser distribuído também na segunda-feira. Nele, a organização sugere que o Brasil usa equivocadamente o Conselho como um órgão para “redefinir a geopolítica mundial”.

 

Sem entender isso, ficará difícil entender porque Lula insiste em defender toda ditadura mundial.

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